Search

Vale Tudo: Foz do Iguaçu no horário nobre da Globo

Compartilhe

foz globo economiapr
Foto: Globo/ Fábio Rocha

Foz do Iguaçu ficou em polvorosa na noite da última segunda-feira (31). O motivo: a cidade ganhou destaque no horário nobre da Globo. Para quem não acompanha a TV aberta, chega mais que eu conto tudo: estreou esta semana o remake de uma das novelas de maior sucesso da emissora, Vale Tudo.

A trama original foi ao ar em 1988, e no enredo a história começa exatamente aqui na nossa terrinha. Raquel Accioli (na primeira versão, interpretada por Regina Duarte e, agora, por Taís Araújo) é uma personagem honesta e batalhadora, que vem para Foz do Iguaçu depois de se separar de um marido abusivo.

Aqui, ela passa a morar com o pai, Salvador (Sebastião Vasconcelos/Antônio Pitanga), e cria a filha com muito esforço, trabalhando como guia de turismo. Porém, a filha, Maria de Fátima (antes, Glória Pires e agora, Bella Campos), detesta a cidade, tem pavor de “ser pobre” e é extremamente ambiciosa e sem escrúpulos.

E logo em uma das cenas iniciais acontece a primeira “polêmica”: ao dizer para a mãe que quer ir embora de Foz do Iguaçu, ela se refere à cidade como um “fim de mundo”, onde as pessoas são “um bando de Zé ninguém que nunca vai crescer na vida”. Essa cena poderia até poderia ter algum fundamento lá em 1988, mas, na adaptação para os dias atuais ficou no mínimo desconexa com a realidade.

Quem conhece Foz do Iguaçu sabe: a cidade, embora fique no interior, não tem nada de “fim de mundo”. Temos a fronteira mais movimentada do Brasil, com mais de cem mil pessoas atravessando a Ponte Internacional da Amizade (entre Brasil e Paraguai) diariamente.

Além disso, fazemos fronteira também com a Argentina, destino muito apreciado tanto pela população local quanto pelos turistas. A macrorregião da tríplice fronteira, formada por Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (PY) e Puerto Iguazú (AR), congrega mais de um milhão de habitantes, formando nossa própria metrópole multicultural.

E não é à toa: nossa terra tem não uma, mas duas maravilhas. A primeira é fácil descobrir qual é, né? As Cataratas do Iguaçu são oficialmente uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo. E não poderia ser diferente.

Com seu deslumbrante conjunto de 275 quedas d’água, nosso principal cartão postal atrai anualmente quase dois milhões de turistas do mundo inteiro, que vêm sentir de perto a energia única desse monumento da natureza.

A outra é a Itaipu Binacional, a maior geradora de energia elétrica acumulada do mundo e uma das Maravilhas da Engenharia Moderna. E não para por aí. O nosso Parque Nacional do Iguaçu, uma das últimas reservas da Mata Atlântica, é um Patrimônio Natural da Humanidade reconhecido pela Unesco desde 1986.

Sem contar tantos outros pontos turísticos interessantíssimos para se visitar por aqui: a beleza estonteante dos animais no Parque das Aves, a vista única do encontro entre três países no Marco das Três Fronteiras, a atmosfera calmante do Templo Budista, a grandiosidade da Mesquita Muçulmana, a gastronomia de altíssima qualidade nos diversos hotéis e restaurantes cinco estrelas da cidade…

Talvez a Maria de Fátima não saiba, mas Foz do Iguaçu, hoje, é o sétimo maior PIB do Paraná, segundo dados de 2021 do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES). A cidade é responsável por 3,45% do PIB do estado, maior inclusive do que Cascavel, que corresponde a 2,87%.

Só por estes dados já é possível perceber que, para quem sonha em ser influencer, a Maria de Fátima está bem desinformada, tadinha. Outro elemento da trama que, na adaptação para 2025, causou risos entre os iguaçuenses foi a caracterização do avô da Maria de Fátima, Salvador, como um fiscal da Receita Federal que se recusa a se corromper.

Um servidor público honesto, porém de baixa renda. Quem é da região bem sabe que isso não reflete a realidade dos servidores da Receita, uma das carreiras mais bem pagas do Executivo Federal. Um analista tributário em início de carreira ganha mais de R$ 11 mil, enquanto os auditores fiscais já entram recebendo mais de R$ 20 mil.

Imagine alguém em final de carreira, como o caso do personagem. Além disso, a Maria de Fátima em diversos momentos reclama da “casinha” velha e “pobre” onde a família mora. Em Vale Tudo, é uma casa de periferia, muito humilde (a única coisa que o avô conseguiu comprar na vida).

Na Foz do Iguaçu da vida real, a locação das filmagens da casa é na Vila A, um dos bairros nobres da cidade. Mesmo casas mais simples no bairro, como a casa de madeira retratada na trama, chegam a ter valor de mercado na casa do milhão atualmente.

Mas, ressalvadas essas pequenas falhas na ambientação e na contextualização da realidade iguaçuense nos dias atuais, de modo geral o capítulo de estreia da novela marcou um golaço, com atuações excelentes e fotografia de tirar o fôlego.

Confesso que me emocionei com as imagens da nossa cidade sendo exibidas tão lindamente no horário nobre da Globo. Especialmente as cenas das Cataratas, ao som de “isso aqui, ô ô, é um pouquinho de Brasil, iá iá…”, na voz de Caetano Veloso.

Somente o fato de a cidade ter ficado em evidência por quase uma hora, durante o episódio inicial da novela, já foi um marketing gratuito gigantesco para o destino. E, nesse sentido, a produção conseguiu ilustrar brilhantemente essa mistura magnífica que compõe nossa terrinha: o caos do movimento de compras no Paraguai contrastando com a paisagem sem igual das Cataratas.

Taís Araújo brilhou no papel de guia, a exemplo de sua antecessora (Regina Duarte), se desdobrando para falar vários idiomas misturados para se comunicar com os turistas. Afinal, que iguaçuense nunca embolou um portunhol e umas palavrinhas em inglês na mesma frase, não é?

Agora, a trama se redireciona para o Rio de Janeiro, para onde Maria de Fátima partiu em busca do sonho de ser influencer. Então, não devemos ver muito mais cenas em Foz do Iguaçu. Mas, já valeu cada minuto. Ver nossa cidade em evidência na teledramaturgia, ainda que de maneira pontual, não tem preço.

Se você não viu, corre que o episódio está disponível gratuitamente esta semana no GloboPlay.
Ah, e antes que eu me esqueça: compartilhem bastante este texto, até ele chegar na Maria de Fátima, para ela perceber a besteira que fez em menosprezar nossa terrinha.

Compartilhe

Jornalista, especialista em mídias digitais e consultora em comunicação digital e experiência do cliente.

Leia também

farmacia foz do iguacu economiapr

O boom das farmácias, a experiência do cliente e tudo mais

conteudo pago ou organico economiapr

Conteúdo pago ou orgânico: qual o melhor para a minha empresa?

Jennifer Castro Mídias Digitais Economia PR

O que as empresas podem aprender sobre mídias digitais com a Jennifer do avião