O polo industrial de Ponta Grossa vive um novo ciclo de expansão e consolidação, confirmando o município como o maior polo industrial do interior do Paraná.
De origem modesta, com engenhos de mate, serrarias e pequenas fábricas no fim do século XIX, a cidade evoluiu ao longo das décadas para abrigar um parque industrial diversificado e em constante crescimento.
Aqui, se me permitem uma observação pessoal, quero dizer que eu, lamentavelmente, conheço pouco a cidade – mesmo com família por lá. Já me aventurei no Buraco do Padre e afins mas, ainda assim, vou reparar isso! Enfim… O foco não sou eu, mas algo que percebi através das publicações sobre a Princesa dos Campos aqui no Economia PR.
O impulso decisivo veio na década de 1970, quando a criação do primeiro distrito industrial pelo então prefeito Ciro Martins reorganizou o setor e abriu espaço para a instalação de indústrias de transformação, metalurgia e cervejarias. Desde então, a vocação produtiva se consolidou.
Atualmente, Ponta Grossa concentra mais de 1.160 empresas dos segmentos metalmecânico, agroindustrial, de alimentos, ferramentas, veículos e embalagens, reunindo grandes marcas nacionais e internacionais.
O avanço econômico da cidade é expressivo: o PIB industrial da cidade chegou a R$ 17,27 bilhões em 2020, alta de 10,7% sobre o ano anterior, e já representa mais de 5% do PIB industrial do Paraná.
Somente em 2023, o município recebeu mais de R$ 6 bilhões em aportes para novas obras e expansões de empresas como Nissin Foods, Heineken, Ambev, Continental e Maltaria Campos Gerais, consolidando-se como um dos principais polos de atração de investimentos do estado.
O ritmo continua acelerado com os novos aportes previstos para os próximos anos. Entre eles, a fábrica da XBRI Pneus, com R$ 6,7 bilhões em investimento e planos de dobrar de tamanho no futuro, a ampliação da DAF Caminhões (R$ 950 milhões até 2029) e a nova unidade da Nissin Foods (R$ 1 bilhão até 2027).
A dimensão desses projetos coloca Ponta Grossa em um novo patamar. O município ocupa hoje a 69ª posição no ranking nacional de PIB, mas concentra o maior volume proporcional de investimentos industriais do Paraná, com R$ 7,2 bilhões, superando cidades maiores como São José dos Pinhais (R$ 2,8 bilhões).
Em nível nacional, o montante posiciona Ponta Grossa entre os 20 principais destinos de investimento industrial do Brasil entre 2024 e 2028, um feito raro para uma cidade de médio porte fora dos grandes eixos.
Para se ter uma ideia de escala, os R$ 7,2 bilhões aplicados em Ponta Grossa se aproximam de investimentos anunciados por gigantes como Volkswagen (R$ 13 bilhões em São Paulo até 2028), Stellantis (R$ 32 bilhões no Sudeste até 2030), Suzano (R$ 22,2 bilhões no Mato Grosso do Sul) e Arauco (R$ 26,5 bilhões no mesmo estado).
Ou seja, o que se desenha no Paraná é um polo industrial de relevância nacional, capaz de competir em volume de capital com os maiores empreendimentos do país.
Em publicação nas redes sociais, o secretário da Fazenda do Paraná, Norberto Ortigara, destacou que a decisão de empresas globais de investir no estado “é fruto da segurança jurídica, da solidez fiscal e da confiança que o Paraná transmite aos investidores”.
Segundo ele, antes mesmo da reforma tributária, o estado já dá sinais claros de preparo e estabilidade para o futuro.
Com localização estratégica, próxima a importantes rodovias, ferrovia e porto, e um ambiente de negócios favorável, Ponta Grossa reforça sua posição como um dos motores industriais mais dinâmicos do Sul do Brasil, combinando tradição, inovação e capacidade de gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
O caso de Ponta Grossa revela mais do que a força de um município industrial.
É um retrato do Paraná que vem se reposicionando com inteligência, planejamento e estabilidade, atributos raros no cenário econômico nacional.
O que se vê é a consolidação de um ecossistema industrial moderno, capaz de atrair capital global e, ao mesmo tempo, sustentar o desenvolvimento regional de forma consistente.