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Crises não intimidam mentes estratégicas

Mentes Estratégicas Economia PR
Foto: Divulgação

Por Cristiano Buss, CEO da Teletex

Crise é aquela visita que ninguém quer receber, mas que sempre aparece — e quase sempre sem avisar. No mundo da tecnologia, ela chega disfarçada de queda de receita, corte de investimento, mudança de algoritmo ou uma nova IA que ameaça virar o jogo da noite para o dia.

A verdade é que não existe empresa imune ao caos. A diferença está em quem entra em pânico e quem enxerga oportunidade de inovar.

O primeiro passo é encarar a crise como parte de um ciclo – e não como um castigo. Toda ruptura tem uma função: mostrar o que estava frágil.

A pandemia mostrou isso em escala global — empresas que pareciam sólidas desmoronaram porque estavam presas em modelos antigos, enquanto outras, mais ágeis, encontraram caminhos novos. O mesmo vale agora, em meio a crises energéticas, tecnológicas ou geopolíticas: quem for rápido na leitura do cenário sai na frente.

Em momentos assim, voltar ao básico é revolucionário. Propósito, cultura, pessoas certas nos lugares certos. É o tipo de coisa que a gente só percebe o valor quando o chão treme.

E é justamente essa análise que prepara a empresa para crescer de forma mais inteligente depois dos abalos sísmicos.

Outro ponto importante é fazer da crise um aprendizado, não um trauma. Muita gente só reage — corta custos, pausa projetos, entra em modo sobrevivência. Mas as empresas que realmente aprendem são as que documentam o que deu errado, analisam dados e ajustam processos.

Crises repetem padrões. Quem aprende rápido, sofre menos na próxima.

E tem mais: crise é o melhor momento para inovar. Enquanto o mercado inteiro recua, o custo de arriscar cai. É quando novas ideias conseguem espaço, porque o “sempre foi assim” perde força.

Foi dessa forma com quem investiu em automação durante a pandemia, em IA generativa nos últimos dois anos ou em energia limpa quando o petróleo disparou. Quando todo mundo desacelera, quem acelera com propósito se destaca.

E dá trabalho — exige humildade pra desaprender.

CEOs que tentam manter o controle total acabam virando o gargalo da própria empresa. Liderar em tempos turbulentos é mais sobre criar autonomia e confiança do que sobre centralizar tudo. Deixar o time propor, testar, errar e corrigir rápido. Essa é cultura de inovação de verdade.

E claro, transparência é o melhor antídoto para o medo. Quando as pessoas não sabem o que está acontecendo, elas imaginam o pior. O papel do líder é compartilhar o plano — mesmo que ele ainda esteja sendo desenhado. As equipes não exigem certezas, exigem respostas.

No fim, toda crise é uma chance disfarçada de problema. É um lembrete incômodo de que o mundo muda, e a gente precisa mudar junto.

Transformar crise em oportunidade não é sorte — é método, mentalidade e coragem. Quem entende isso não só sobrevive: cresce num terreno que todo mundo jurava ser infértil.

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