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O que sete anos revelam sobre o próximo ciclo do ecossistema do PR

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Foto: fauxels / pexels

Quando o Paraná contabilizava 319 startups em 2018, o estado ainda aparecia de forma periférica no mapa nacional de inovação. Sete anos depois, o cenário é outro. São 2.095 startups ativas, sendo 1.548 formalizadas e 547 em fase de estruturação, além de três unicórnios consolidados.

O avanço de 557% vai além da estatística e ajuda a entender como o ecossistema paranaense chegou até aqui e quais sinais aponta para o próximo ciclo.

Mais do que um crescimento linear, a trajetória do Paraná revela ciclos distintos, com estratégias, desafios e aprendizados próprios, que ajudam a explicar a maturidade atual do ambiente de inovação no estado.

Três ciclos que moldaram o ecossistema

Ao longo dos últimos sete anos, o desenvolvimento das startups paranaenses passou por três fases bem definidas.

2018 a 2020: a construção da base

Neste período, o foco esteve na formação de infraestrutura e capital humano, enquanto o debate nacional ainda concentrava atenções em São Paulo e Rio de Janeiro.

Programas de fomento da Fundação Araucária, como Sinapse e Tecnova, começaram a ganhar escala e, somados, ultrapassariam R$ 300 milhões ao longo dos anos seguintes. Universidades como UFPR, UEM e UEL avançaram na estruturação de núcleos de inovação e transferência de tecnologia.

O crescimento era discreto, sustentado por soluções voltadas a problemas locais e com pouco acesso a capital externo.

Essa dinâmica forçou startups a validar modelos de negócio cedo e operar com eficiência, característica que se transformaria em diferencial competitivo mais adiante.

2021 a 2023: expansão com cautela

O ciclo de juros baixos e abundância de capital marcou esse período em todo o país. No Paraná, no entanto, a expansão ocorreu de forma menos eufórica.

Enquanto startups de outros centros captavam volumes elevados em estágios iniciais, empresas paranaenses seguiam sendo mais cobradas por tração, clientes e sustentabilidade financeira.

Essa postura mais conservadora funcionou como proteção quando o mercado mudou a partir de 2023.

O ecossistema seguiu em crescimento, mas com foco na ampliação da base instalada, e não apenas na busca por valuations elevados.

2024 a 2026: consolidação e reconhecimento

O ciclo atual é marcado por um ambiente mais seletivo, com investidores atentos a fundamentos e eficiência operacional. É nesse contexto que o Paraná começa a ganhar reconhecimento fora das fronteiras estaduais.

Entre 2025 e 2026, estão previstos até R$ 165 milhões em recursos voltados ao ecossistema de inovação, considerando até R$ 100 milhões do fundo Sul Ventures para startups da região Sul, R$ 20 milhões em inovação em genômica aplicada ao agronegócio no Paraná e R$ 15 milhões para o Hub de Govtechs, além de aproximadamente R$ 30 milhões em iniciativas via Separtec.

Trata-se de capital com tese clara, voltado a setores nos quais o estado apresenta vantagens competitivas estruturais.

O que os ciclos indicam para 2026

A leitura dessa trajetória aponta três aprendizados centrais.

  • O primeiro é que crescer com restrição de capital gera resiliência. A maioria das startups paranaenses precisou priorizar produto, clientes e equilíbrio financeiro desde cedo. Quando o mercado passou a exigir exatamente esse perfil, muitas empresas do estado já operavam nesse modelo.
  • O segundo aprendizado está na diversificação setorial. O ecossistema avançou de forma distribuída entre agronegócio, govtech, healthtech, edtech e retailtech, combinando vocações históricas com fronteiras tecnológicas. Os investimentos em genômica aplicada ao agro refletem uma estratégia de aprofundamento, e não dispersão.
  • O terceiro ponto é a descentralização geográfica. Com 64% das startups fora de Curitiba, polos como Maringá e Londrina se consolidaram com identidade própria, custos operacionais mais baixos e forte conexão regional. O trabalho remoto acelerou esse movimento, mas a base vinha sendo construída há anos.

Crescimento previsível ou aceleração

Para o próximo ciclo, o debate não está mais em torno do crescimento em si, mas do ritmo e da qualidade desse avanço.

Um cenário mais conservador projeta expansão anual entre 15% e 20%, com consolidação setorial e fortalecimento da infraestrutura. Um segundo cenário aponta para aceleração, impulsionada pela chegada de capital mais robusto, amadurecimento de scale-ups e atração de talentos.

Os investimentos já anunciados indicam que o mercado começa a precificar essa segunda hipótese. A combinação entre startups mais maduras, custos operacionais competitivos e histórico comprovado reduz assimetrias de risco e amplia o interesse de fundos nacionais.

Para empreendedores, a narrativa muda. Estar no Paraná deixa de ser uma limitação e passa a ser uma escolha estratégica.

Para investidores, o risco percebido diminui à medida que o ecossistema demonstra consistência e escala.

Para o poder público, o desafio passa a ser criar condições para que o crescimento aconteça sem entraves, com foco em áreas onde o capital privado ainda não atua plenamente.

Se o período entre 2018 e 2025 foi dedicado à construção de base e validação, os próximos anos tendem a ser marcados pela escala. As 2.095 startups atuais não representam um limite, mas um novo patamar.

O Paraná já não precisa provar que consegue formar um ecossistema de inovação. O desafio agora é demonstrar capacidade de escalar mantendo disciplina, eficiência e identidade própria.

Todos os indicadores sugerem que 2026 marca o início dessa nova etapa.

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Editora-chefe do Economia PR. Fundadora da BASIS Comunicação. Community Manager. Acelerada Camila Renaux. Consultoria em Comunicação Estratégica. Prêmio Sangue Bom de Jornalismo (SINDIJOR PR 2014)

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