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A experiência samurai como estratégia de gestão

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Foto: Gerada por IA / Safegold

Há marcos que pedem mais do que comemoração. Pedem pausa, reflexão e consciência sobre o caminho percorrido. Ao completar 15 anos de trajetória, escolhi celebrar olhando para dentro da empresa, das pessoas e dos princípios que sustentam decisões consistentes ao longo do tempo.

Foi assim que nasceu a Experiência Samurai: uma imersão que conectou filosofia oriental, disciplina e estratégia de gestão.

A cultura samurai nunca foi apenas sobre guerra. Sempre foi sobre conduta, propósito e domínio interno.

O Bushidô, código que orientava esses guerreiros, traz valores que atravessam séculos porque continuam absolutamente atuais no mundo dos negócios: honra como ética, coragem como ação consciente, disciplina como método e respeito ao processo como condição para a excelência.

A imersão começou com um gesto simples e profundamente simbólico: a cerimônia do chá. Um ritual que ensina presença absoluta. Cada movimento importa. Cada etapa tem sentido.

Ali, ficou claro que grandes transformações não nascem da pressa, mas da atenção.

Em contextos empresariais desafiadores, especialmente em processos de reestruturação, a lógica é a mesma: antes de agir, é preciso observar, compreender o ambiente e respeitar o tempo das decisões.

Esse princípio se conecta diretamente à gestão de pessoas. Liderar não é acelerar gestos aleatórios, mas criar cadência, alinhar intenção e garantir que todos compreendam o porquê de cada ação. Assim como no ritual do chá, não existe improviso, existe preparo.

Outro aprendizado central veio da prática da arquearia japonesa. O arco, a flecha e o alvo são apenas instrumentos. O verdadeiro trabalho acontece antes do disparo. Foco, controle emocional e alinhamento interno definem a precisão.

No negócio, não é diferente. Resultados sustentáveis são consequência de decisões tomadas em estado de clareza, não de ansiedade. Quando a liderança está dispersa, a organização também está. Quando há concentração, método e intenção, a execução flui.

A filosofia do Kaizen, a melhoria contínua, apareceu como um lembrete quase óbvio, e por isso mesmo poderoso. Estagnar é contrariar a própria natureza. Evoluir não exige rupturas constantes, mas ajustes diários, consistentes e conscientes. Empresas que prosperam no longo prazo entendem que excelência não é um evento, é um hábito.

Outro símbolo forte dessa jornada foi a reflexão sobre a impermanência, representada pela flor de cerejeira. Ela floresce por pouco tempo, mas com intensidade.

No ambiente corporativo, isso nos lembra que o tempo é um ativo estratégico. Trabalhar com foco na essência, eliminar excessos e direcionar energia ao que realmente gera valor é uma escolha de maturidade.

A conexão com a natureza, ao longo da imersão, reforçou algo que muitas vezes esquecemos nas rotinas intensas: clareza estratégica exige silêncio interno. Decisões melhores nascem quando há espaço para pensar, não apenas para reagir.

Ao projetar 2026, levo comigo esses aprendizados como fundamentos estratégicos. O próximo ciclo exige ainda mais precisão, leitura de cenário e maturidade decisória.

Não se trata de crescer a qualquer custo, mas de avançar com consciência, fortalecendo cultura, método e pessoas para sustentar movimentos mais ambiciosos. Assim como o samurai não entra em combate sem preparo, empresas não atravessam ciclos complexos sem clareza de propósito e disciplina na execução.

Encerramos essa experiência com uma convicção que se transforma em norte: estratégia não é sobre tarefas, é sobre valor. É enxergar oportunidades onde ainda não foram percebidas, desenhar o futuro desejado e construir, com método, o caminho entre o ponto atual e o resultado esperado.

Gestão, no fim, é a arte de comprar tempo, atenção e mobilização para que a transformação aconteça de forma estruturada.

Chegar aos 15 anos é reconhecer que disciplina, foco e método sempre foram os verdadeiros pilares da nossa história.

A Experiência Samurai não foi uma homenagem ao passado, mas um compromisso com o futuro, especialmente com o que estamos construindo agora, olhando para 2026 com profundidade, estratégia e respeito absoluto ao processo.

Esse é o caminho que escolhi seguir, e que continuo trilhando, todos os dias.

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Ezequiel Douglas Wilbert é Sócio-Fundador e CEO da Safegold Capital, boutique de gestão empresarial fundada em 2010. Especialista em reestruturação empresarial, lidera negociações e mediações financeiras que já ultrapassaram R$ 4 bilhões em recursos e mais de R$ 2 bilhões em dívidas renegociadas. Com formação em Administração de Empresas, especialização em Administração Financeira e Mestrado em Administração de Empresas, Ezequiel também atuou como professor universitário por mais de 10 anos, lecionando disciplinas como Administração Financeira, Orçamento Empresarial e Custos para quase 2 mil alunos na UNOESC. Na Safegold, dedica-se a impulsionar negócios por meio de soluções baseadas em dados e práticas inteligentes de gestão, com destaque para áreas como turnaround, recuperação judicial, NPLs, overview empresarial e apoio à gestão financeira.

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