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O varejo não mente: o que o consumo diz sobre o Brasil hoje

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Foto: Divulgação

Por Eduardo Córdova, CEO e sócio-fundador do market4u

Em um país onde o consumo das famílias tem peso decisivo no desempenho do PIB, poucos setores traduzem tão bem os movimentos da economia quanto o varejo. Mais do que um canal de vendas, o comércio funciona como um termômetro sensível da renda, da confiança do consumidor e da capacidade de adaptação das empresas a ciclos econômicos cada vez mais complexos.

Os dados mais recentes confirmam esse papel. Com base nos números divulgados em dezembro de 2025, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes à Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de outubro, a Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC) projeta crescimento de 3,66% para o varejo em 2026.

Trata-se de uma trajetória de expansão gradual, mas consistente, que reflete um ambiente de inflação mais controlada e retomada moderada da atividade econômica.

Esse avanço, no entanto, ocorre em um contexto diferente de outros ciclos de crescimento. O consumidor brasileiro está mais cauteloso, mais informado e mais exigente. O aumento do consumo não vem do impulso, mas do planejamento.

Preço segue relevante, mas conveniência, eficiência e clareza de valor passaram a pesar tanto quanto a etiqueta. Essa mudança estrutural ajuda a explicar por que o varejo não cresce de forma homogênea, e por que alguns formatos avançam mais rapidamente do que outros.

Nesse cenário, modelos enxutos e altamente tecnológicos ganham protagonismo. O crescimento dos mercados autônomos ilustra bem essa transformação. Inseridos em condomínios residenciais, empresas e hubs urbanos, esses pontos de venda atendem a uma demanda clara por proximidade, compras rápidas e jornadas sem atrito.

Ao reduzir custos operacionais, deslocamentos e desperdícios, esse modelo se mostra particularmente aderente a um ambiente econômico em que eficiência deixou de ser diferencial e passou a ser condição de sobrevivência.

A tecnologia é um elemento central dessa equação. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global de automação no varejo deve ultrapassar US$ 64 bilhões até 2030, com taxa média de crescimento anual de 12,9%, impulsionada por soluções de inteligência artificial, sensores e visão computacional.

O Brasil desponta como um mercado emergente nesse movimento, especialmente na adoção de tecnologias voltadas à eficiência operacional e à personalização da experiência de compra.

Mais do que uma tendência global, a automação no varejo brasileiro responde a desafios locais muito claros, margens pressionadas, custos elevados e um consumidor altamente sensível a preço e conveniência.

Nesse contexto, o uso de dados para prever demanda, ajustar estoques, personalizar ofertas e reduzir desperdícios passa a ser um reflexo direto do estágio da economia, e não apenas uma aposta em inovação.

O varejo, portanto, não apenas espelha o momento econômico, mas antecipa seus próximos passos. Quando o setor cresce de forma gradual e seletiva, revela um consumidor mais racional e um mercado em processo de amadurecimento.

Quando novos formatos ganham escala, sinaliza mudanças profundas na forma como as pessoas vivem, trabalham e consomem.

Observar o varejo hoje é entender como a economia brasileira está se reorganizando. E, cada vez mais, são os modelos baseados em eficiência, proximidade e tecnologia que apontam para onde o consumo, e o crescimento, tendem a seguir.

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