Durante décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) foi o principal parâmetro para medir crescimento e sucesso econômico, tanto de países quanto de empresas. Produzir mais, faturar mais e expandir resultados são sinônimos de progresso, ainda que esse avanço viesse acompanhado de jornadas excessivas, desgaste emocional e desequilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
No entanto, esse modelo começa a ser questionado à medida que os próprios trabalhadores passam a sinalizar novos valores, como aponta a pesquisa realizada pela Pluxee em parceria com o Instituto Ipsos, que revela que 57% dos profissionais priorizam a vida pessoal em relação ao trabalho, evidenciando um descompasso entre os indicadores tradicionais de crescimento e aquilo que, de fato, sustenta a produtividade e o engajamento no longo prazo.
O conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) ganha relevância como contraponto e complemento ao PIB. Criado para mensurar o desenvolvimento a partir de fatores como bem-estar, qualidade de vida, relações sociais e propósito, o FIB propõe uma visão mais ampla de progresso, sendo que no ambiente corporativo, essa lógica passa a orientar uma nova forma de pensar desempenho e competitividade.
Para o consultor de carreira e negócios da ESIC Internacional, Alexandre Weiler, insistir exclusivamente em métricas financeiras é uma estratégia limitada.
“O PIB mostra o quanto se produz, mas não revela o custo humano desse processo. Quando incorporamos o FIB à análise, entendemos que resultados só se sustentam quando pessoas estão saudáveis, engajadas e alinhadas a um propósito claro”, afirma.
Weiler explica que a adoção dessa perspectiva tem impacto direto na forma como empresas estruturam suas estratégias e constroem culturas organizacionais, já que organizações que investem em bem-estar, desenvolvimento humano e ambientes de trabalho mais equilibrados tendem a registrar ganhos consistentes de produtividade, além de redução de problemas como absenteísmo, rotatividade e esgotamento emocional.
“Felicidade deixa de ser um benefício acessório e passa a ocupar um papel estratégico. Não se trata de romantizar o trabalho, mas de reconhecer que profissionais emocionalmente equilibrados tomam decisões melhores, colaboram mais e geram resultados mais consistentes para o negócio”, analisa.
Essa mudança de mentalidade também redefine o desenho das carreiras, já que em um mercado cada vez mais dinâmico, marcado por transformações tecnológicas e alta complexidade, cresce a demanda por profissionais capazes de integrar diferentes competências.
Nesse cenário, uma formação do profissional 360°, que alia conhecimento técnico, visão de negócios, inteligência emocional, ética, adaptabilidade e clareza de propósito, passam a ser fundamentais.
“O profissional do futuro não é apenas o mais produtivo, mas aquele que consegue sustentar desempenho ao longo do tempo, sem abrir mão da saúde emocional e da coerência entre valores pessoais e profissionais”, explica Weiler.
Ao conectar o debate entre PIB e FIB às carreiras e aos negócios, a discussão aponta para uma transição necessária que prioriza sair de um modelo de crescimento baseado exclusivamente em volume e velocidade, para outro que considere qualidade, sentido e impacto humano.
“Quando felicidade e propósito entram no centro da estratégia, empresas se tornam mais resilientes e profissionais constroem trajetórias mais consistentes e sustentáveis”, conclui o consultor.
Weiler finaliza mostrando que organizações que investem em bem-estar e desenvolvimento humano tendem a apresentar:
- Aumento consistente da produtividade e do engajamento das equipes;
- Redução de turnover, absenteísmo e custos relacionados a afastamentos por estresse e burnout;
- Fortalecimento da cultura organizacional e das relações internas;
- Maior capacidade de inovação e melhor qualidade na tomada de decisões;
- Valorização da marca empregadora e maior atração de talentos qualificados;
- Crescimento sustentável no médio e longo prazo, integrando resultados financeiros e desenvolvimento humano.