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A visão de Breno Pacheco Leandro, da PBS, sobre o avanço das PPPs

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Foto: divulgação

A ampliação das parcerias público-privadas (PPP) no Brasil e a crescente complexidade das operações internacionais vêm redesenhando o papel das empresas de intermediação no mercado global.

Em um cenário de restrição fiscal nos municípios, gargalos estruturais em áreas essenciais e maior integração entre mercados emergentes, cresce a demanda por modelos híbridos que conectem capital privado, governos locais e cadeias globais de commodities.

De acordo com a Radar PPP, da consultoria Radar Projetos, o sistema registrava 6.329 projetos de PPP e concessão em setembro de 2025, número que vem crescendo mensalmente, com destaque para saúde, saneamento, educação e infraestrutura urbana.

Ao mesmo tempo, o comércio exterior brasileiro ultrapassou US$ 629 bilhões em corrente de comércio em 2025, reforçando o peso das commodities e das operações estruturadas no fluxo internacional de negócios.

Neste contexto, a PBS tem atuado como intermediadora em operações de alto valor agregado, transitando entre comércio exterior, soluções tributárias e projetos públicos estruturantes.

Neste Economia PR Drops, o Founder & CEO da empresa, Breno Pacheco Leandro, analisa o movimento recente do mercado, os vetores de crescimento das PPPs e os riscos e oportunidades para 2026.

Como a PBS conseguiu movimentar R$ 45 bilhões em apenas um ano de operação?

Breno: É importante contextualizar esse número. Aproximadamente R$ 45 bilhões corresponde ao volume total de operações que passaram pela nossa mesa de intermediação em 2025. Como intermediadores, a receita está ligada às taxas aplicadas sobre essas transações. Esse volume resulta de uma estratégia diversificada em três frentes. A primeira envolve operações de comércio exterior em commodities estratégicas, como açúcar, proteínas animais e derivados de petróleo. A segunda está ligada a operações tributárias mais complexas, especialmente relacionadas à indexação de créditos de IPI e ICMS. A terceira frente são as parcerias público-privadas, conectando prefeituras do interior a soluções privadas em áreas como educação, saúde e infraestrutura. Essa combinação permitiu capturar demandas em diferentes segmentos ao mesmo tempo.

Quais setores hoje concentram maior demanda por parcerias público-privadas?

Breno: Observamos três verticais com maior recorrência: saúde, infraestrutura e educação. Municípios de médio porte enfrentam defasagens estruturais importantes e, muitas vezes, limitações orçamentárias. O setor privado consegue aportar eficiência operacional e capacidade de execução. O diferencial está em estruturar projetos sob medida, considerando o perfil demográfico, fiscal e institucional de cada município, o que aumenta a viabilidade de longo prazo dessas parcerias.

Por que Uganda, Etiópia, Nigéria e Burkina Faso entraram no radar de expansão internacional?

Breno: A internacionalização foi pensada em etapas. Começamos pela América Latina, com a parceria na Colômbia, validando o modelo em mercados emergentes. A partir daí, percebemos que parte relevante das demandas exigia presença no continente africano, especialmente em projetos ligados à transferência de tecnologia e operações estruturadas. Uganda e Etiópia surgiram como extensões naturais desse hub. Hoje, esses países estão em fase de diagnóstico de projetos, mas já demonstram alinhamento com o tipo de estruturação que oferecemos.

Como funciona, na prática, a parceria com a colombiana PROS?

Breno: A PROS atua como um canal de acesso a organizações internacionais e multilaterais. A parceria nos posiciona em ambientes institucionais onde a nossa atuação em relações governamentais e intermediação agrega valor técnico. Na prática, desenvolvemos projetos em conjunto, combinando captação internacional de recursos com execução local, tanto no Brasil quanto em outros países.

Qual é a principal oportunidade e o maior risco para 2026?

Breno: A maior oportunidade está na criação de uma infraestrutura própria de intermediação, adaptada ao contexto brasileiro e internacional. Hoje, o gargalo do mercado não é a falta de volume de negócios, mas a baixa taxa de conversão. Estamos trabalhando em um modelo que reduz ciclos de negociação que costumavam levar de três a seis meses para algo entre 10 e 20 dias. O risco está justamente na complexidade de coordenar múltiplos agentes e interesses em operações de alto valor, o que exige governança e informação de qualidade.

Quais são as metas da PBS para o próximo ano?

Breno: O plano inicial era estabelecer relações governamentais em um país por continente ao longo de dez anos, e esse objetivo foi superado antes do previsto. Para 2026, a meta é a transição de microempresa para média empresa, com a consolidação de uma rede internacional de intermediação e prestadores especializados no Brasil e em mercados estratégicos. A expectativa é estruturar esse posicionamento até o fim de 2026, atuando como uma infraestrutura de referência para operações complexas.

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