Por Bruno Lage, administrador com MBA em Finanças (FGV); atuou em grandes bancos e family offices e, em Curitiba, cofundou a Catálise com Marcelo Aoki
Ao olhar para 2025, fica claro que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) confirmaram o papel estrutural que vêm assumindo no mercado de capitais brasileiro. Falo não apenas como observador, mas como participante ativo dessa indústria, acompanhando de perto a evolução regulatória, o apetite dos investidores e a sofisticação das estruturas.
Segundo dados públicos divulgados pela ANBIMA, o mercado de FIDCs manteve trajetória de crescimento ao longo de 2025, tanto em número de fundos quanto em patrimônio líquido. Esse desempenho ocorreu mesmo em um ambiente macroeconômico ainda desafiador, o que reforça a resiliência do instrumento como alternativa ao crédito bancário tradicional.
Um dos principais vetores desse resultado foi a demanda contínua por financiamento da economia real. Empresas de médio porte, fintechs, originadores especializados e setores como agronegócio, serviços e consumo encontraram nos FIDCs uma forma eficiente de acessar capital, enquanto investidores buscaram estruturas com melhor relação risco-retorno e maior previsibilidade de fluxo de caixa.
Do ponto de vista qualitativo, 2025 também marcou um avanço importante na governança e na qualidade do crédito. Houve maior atenção à diversificação de lastro, ao fortalecimento das cotas subordinadas e à transparência das informações, movimento alinhado às boas práticas defendidas pela ANBIMA e pela própria regulação da CVM.
Na Catálise Estruturação e Gestão de Fundos, os resultados de 2025 refletem esse amadurecimento do mercado. Nosso faturamento no ano passado teve um crescimento de 120% em relação a 2024. Um desempenho supera com folga o crescimento médio do setor, de 40% segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Ambima).
Ampliamos nossa atuação, com foco em originação criteriosa, análise profunda de risco e alinhamento de interesses entre cotistas e cedentes. O ano foi marcado pela consolidação de projetos relevantes, fortalecimento de parcerias estratégicas e expansão responsável do nosso portfólio de fundos estruturados.
Olhando para 2026, a expectativa é positiva.
A tendência é de continuidade do crescimento dos FIDCs, impulsionada pela busca por eficiência no crédito, pelo avanço da desintermediação financeira e pela maior familiaridade dos investidores com o produto. A indústria deve se beneficiar, ainda, de um ambiente regulatório mais claro e de uma base de investidores cada vez mais qualificada.
No caso da Catálise, entramos em 2026 com uma visão otimista e disciplinada. Em janeiro alcançamos R$ 15 bilhões sob gestão e vamos continuar crescendo. Nosso foco seguirá sendo a construção de FIDCs bem estruturados, sustentáveis no longo prazo e aderentes às necessidades reais da economia. Acreditamos que há espaço para crescer com qualidade, contribuindo para o desenvolvimento do mercado e para a geração de valor aos investidores.
Se 2025 foi o ano da confirmação, 2026 tende a ser o da consolidação definitiva dos FIDCs como um dos pilares do mercado de capitais brasileiro.