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Criar sites com IA: avanço real ou ilusão do mercado digital?

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Foto: Divulgação

Nos últimos tempos, em plena era da inteligência artificial, uma frase começou a circular com força no mercado digital: “Agora qualquer pessoa pode criar um site com IA”. Tecnicamente, isso é verdade. Estrategicamente, nem de longe.

A popularização de ferramentas baseadas em IA reacendeu debates antigos e criou novos ruídos no setor. Entre promessas exageradas e receios profissionais, surgiu uma narrativa simplista: “Webdesigners vão desaparecer“. Mas a realidade é bem mais complexa e menos apocalíptica.

Segundo Lucas Raganhan, Head of Marketing da Sirène Media & Strategy, a IA representa um avanço operacional importante, mas não substitui pensamento estratégico.

“A inteligência artificial acelera processos, reduz etapas e facilita a execução. O problema é quando se confunde velocidade com estratégia. IA não entende contexto, não conhece o negócio e não toma decisões com visão de longo prazo”, afirma.

O que mudou de verdade com a IA na criação de sites

Ferramentas com IA evoluíram rapidamente e hoje são capazes de gerar layouts, criar textos iniciais, montar estruturas básicas e sugerir cores e seções. Um estudo da McKinsey aponta que a IA generativa pode aumentar a produtividade em atividades criativas em até 40%.

No entanto, o próprio relatório reforça que essas ferramentas não substituem a tomada de decisão estratégica, elemento central na construção de sites que geram resultado.

“O site não nasce para ser bonito. Ele nasce para comunicar, posicionar e converter. Isso não se resolve com prompt”, reforça Raganhan.

“Webdesigners vão desaparecer?”

Spoiler: não. Mas alguns perfis, sim.

Essa discussão não é nova. O mesmo discurso surgiu com o Canva, Wix, WordPress e Shopify. Ainda assim, o mercado continua convivendo com dois extremos: sites que performam e sites que não entregam resultado.

Dados do Google mostram que 53% dos usuários abandonam um site se ele demora mais de três segundos para carregar. Um problema que não está ligado à ferramenta utilizada, mas a decisões de arquitetura, performance e estratégia.

“O que tende a desaparecer não é o profissional, mas o profissional que apenas executa sem pensar. Quem não entende estratégia vira operador. E operadores são substituíveis”, avalia o especialista.

Onde a IA ajuda e onde ela falha

A IA tem papel relevante quando usada como suporte. Ela funciona bem na criação rápida de rascunhos, prototipagem inicial, automação de tarefas repetitivas e organização de conteúdo básico.

Por outro lado, falha justamente nos pontos que definem o sucesso de um projeto digital: estratégia de negócio, arquitetura de informação, jornada do usuário, SEO estratégico, branding, posicionamento e tom de voz autêntico.

O Google Search Central é claro ao afirmar que conteúdo e estrutura devem ser úteis, relevantes e pensados para pessoas, não apenas gerados automaticamente.

“Criar site não é montar páginas. É tomar decisões. E decisão exige leitura de contexto, algo que nenhuma IA faz sozinha”, destaca Raganhan.

Um site vai muito além de um layout bonito ou de um template bem preenchido. Ele é um sistema de comunicação pautado em SEO, uma ferramenta de vendas focada em conversão e um ponto central de decisão do cliente. A IA pode ajudar a montar. Mas só humanos decidem o que faz sentido para o negócio.

O uso da IA é eficiente quando há objetivo claro, estratégia definida e quando a tecnologia atua como apoio, não como cérebro do projeto. Vira armadilha quando substitui o planejamento, ignora o contexto do público e gera sites genéricos, iguais a todos os outros.

O novo papel do profissional digital

Para Lucas Raganhan, profissionais de marketing, design e SEO não perdem espaço com a IA, eles mudam de função.

“Saímos da execução mecânica e entramos na curadoria, direção e estratégia. É exatamente nesse nível que as marcas se diferenciam.”

Criar sites com IA não representa o fim do webdesign, mas sim o fim da ilusão de que um website é apenas aparência. Quem entende estratégia continua essencial. Quem apenas replica, não.

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