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Turismo de fé e espiritualidade no Oeste do Paraná

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Foto: Marcos Labanca

Tema pouco ouvido e conhecido nos últimos anos, me pareceu que em 2025 o turismo motivado pela fé e espiritualidade deu um salto de atratividades no Oeste do Paraná. Vi diversas publicações na imprensa relacionadas a esta pauta.

Fui atrás de conhecer algumas iniciativas e logo me deparei com a Rota da Fé, rede regional de trilhas Caminhos do Iguaçu, desenvolvida pela Agência de Desenvolvimento da Região Turística Cataratas do Iguaçu e Caminhos ao Lago de Itaipu (Adetur). A Rota conecta os municípios de Entre Rios do Oeste, Santa Helena, Missal, Itaipulândia, Medianeira e Serranópolis do Iguaçu para uma vivência que une espiritualidade, cultura, história e contato com a natureza.

Ao longo do caminho, o visitante encontra igrejas, capelas, grutas, monumentos religiosos e paisagens naturais preservadas, elementos que refletem a fé e a identidade cultural das comunidades locais. Cada trecho da rota revela histórias de devoção, colonização e pertencimento.

Conversei com a gestora técnica da Adetur e coordenadora do Caminhos do Iguaçu, Sara Fernanda de Moraes, quando explicou que há uma rede de trilhas regional. A Rota da Fé é uma delas, que se integra com outros importantes caminhos históricos e culturais da região, como a Rota dos Pioneiros, o Caminho da Coluna Prestes e o ancestral Caminho do Peabiru.

Essa conexão amplia a experiência do visitante e propicia uma leitura contínua do território, que une espiritualidade, memória histórica e herança indígena. Sara explica que a Rota da Fé tem o total de 180 km, que pode ser realizada em alguns dias ou de forma fragmentada e o meio para percorrer o trajeto depende do perfil, da disponibilidade de tempo e da capacidade física de cada peregrino.

A Rota se inicia em Entre Rios do Oeste, onde passa por uma capela tombada como patrimônio cultural, com um monumento à Nossa Senhora Aparecida. Depois, em Santa Helena, no Cristo Esplendor.

Segue para Missal, quando pega um trecho de ciclovia e vai passar pelo monumento de São Pedro e depois, em Itaipulândia, na estátua de Nossa Senhora Aparecida.

Na sequência, passa por Medianeira, no Morro da Salete. Futuramente, este trajeto receberá a instalação de estruturas para abrigar azulejos no estilo português que retratam as estações da “Via Sacra”, pintados pela artista plástica Daine Mari Chibiaqui.

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Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Entre Rios do Oeste, é tombada como patrimônio cultural e integra a Rota da Fé. Foto: Marcos Labanca.

Além do aspecto espiritual, a Rota da Fé impacta diretamente o desenvolvimento regional. O roteiro estimula o turismo rural, o comércio local, a gastronomia típica e os serviços de apoio ao visitante, como hospedagem, alimentação e guias.

Dessa forma, gera renda, fortalece pequenos empreendimentos e promove a cooperação entre os municípios envolvidos.

“O projeto da Rota da Fé vem se expandindo. São 6 municípios, contando Serranópolis. O plano de expansão ainda não está completamente mapeado, mas estamos ventilando que essa rota se estenda para Foz do Iguaçu. Só estamos tendo o cuidado de não sobrepor os trechos, como o Caminho do Peabiru, mas não impede que tenhamos a Rota da Fé conectada a outras”.

Já no início desse ano a Rota receberá sinalização baseada na Rede Brasileira de Trilhas, além da instalação de bebedouros em todo o trajeto.

Caminhos de fé

Há um movimento regional interessante de ser observado em relação ao turismo religioso e espiritual. Em julho de 2025, em Foz do Iguaçu, a Diocese da cidade criou a Pastoral do Turismo, com o objetivo de organizar as ações voltadas à acolhida, evangelização e valorização do turismo religioso, já que a cidade recebe milhões de visitantes anualmente.

Em outubro, o Itaipu Parquetec, em parceria com a Associação de Religiões de Matriz Africana (AREMAFI) promoveu uma roda de conversa sobre oportunidades em turismo religioso de Matriz Africana.

A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab fechou o ano com mais de 70 mil visitantes, movimento maior do que o registrado em 2024. A visita guiada à Mesquita é inédita no Brasil e oferece aprendizado sobre o Islã, o Alcorão (disponível em português e espanhol) e a vida muçulmana. Isso sem citar o já conhecido Templo Budista. 

A região mostra que o turismo pode se desenvolver tanto de forma induzida quanto de maneira espontânea ou ainda a partir da junção de ambos.

Também salienta a importância do planejamento, da vontade dos gestores, dos investimentos em infraestrutura, estratégias de promoção e das políticas públicas.

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Jornalista, Doutora em desenvolvimento regional e Pós doutoranda em políticas públicas e desenvolvimento.

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