O ano de 2025 consolidou um novo desenho estrutural do crédito brasileiro. Mesmo com juros elevados e ambiente monetário restritivo, o sistema financeiro manteve expansão relevante, puxada principalmente pelo consumo das famílias, pela habitação e pela diversificação das fontes de financiamento.
Ao cruzar os dados do Banco Central, ABAC e Mercado Financeiro, observa-se um ciclo de crescimento moderado, porém sustentado por mudanças na composição das liberações de crédito.
O estoque total de crédito encerrou o ano em torno de R$ 7,1 trilhões, com crescimento próximo de dois dígitos. A expansão foi liderada pela pessoa física, cujo ritmo superou o crédito corporativo.
Esse movimento confirma uma tendência que se fortalece desde a pandemia: o crédito ao consumo se tornou o principal motor do sistema financeiro nacional.
O mapa das liberações em 2025
A consolidação das liberações por segmento mostra uma estrutura relativamente concentrada, com cinco grandes blocos dominantes e uma distribuição que reflete a dinâmica do sistema financeiro nacional.
- Consumo das famílias (cartão de crédito, pessoal, veículos e rotativo): cerca de 37% das liberações totais.
- Crédito corporativo (capital de giro, investimentos e PJ): aproximadamente 32%.
- Financiamento imobiliário: cerca de 19%.
- Crédito direcionado (rural, BNDES e programas habitacionais): cerca de 10%.
- Consórcios (apenas cartas contempladas efetivamente liberadas): cerca de 1,7%.
O percentual do consórcio foi ajustado com base no volume efetivamente liberado em contemplações, estimado em aproximadamente R$ 123 bilhões, quando comparado ao estoque total de crédito nacional.
Isso posiciona o consórcio como um instrumento ainda pequeno em participação relativa dentro do sistema, porém crescente em relevância estratégica.
É importante apresentar as taxas médias por segmento que se traduzem em grandes spreads bancários e que tem efetivamente a sua importância social, todavia com custo financeiro bem distante do ideal.
• Crédito livre total: ~47% a.a. (~3,2% a.m.).
• Pessoa física: ~60% a.a. (~4% a.m.).
• Pessoa jurídica: ~25% a.a. (~1,9% a.m.).
• Crédito direcionado: ~11% a 13% a.a. (~1% a.m.)
• Rotativo do cartão: ~451% a.a. (~ 15,3% a.m.)
Esse retrato revela que, embora o consórcio tenha crescido fortemente em visibilidade e vendas, seu peso relativo ainda é menor quando a métrica correta é aplicada: apenas o crédito efetivamente disponibilizado aos contemplados.
Consórcio: crescimento real medido pela liberação
Usando a ABAC como referência, o consórcio deve ser analisado pela ótica das contemplações, e não pelo volume comercializado de cotas. Em 2025, o sistema liberou valores relevantes, com destaque para veículos leves e imóveis, que juntos representam a maior parte do crédito concedido dentro do segmento, aproximadamente R$ 83 Bilhões.
Os dados indicam liberações expressivas ao longo do ano tanto no segmento automotivo quanto no imobiliário. Na prática, isso posiciona o consórcio como um componente complementar do sistema de crédito, ainda distante do peso do financiamento bancário tradicional, mas em expansão constante.
O crescimento se explica por três fatores centrais:
• Juros elevados no crédito convencional.
• Busca por planejamento financeiro de longo prazo.
• Substituição parcial do financiamento tradicional em aquisições de veículos e imóveis.
A participação de contemplações no mercado imobiliário também vem ganhando relevância, sinalizando que o consórcio deixou de ser apenas um produto alternativo e passou a compor, de forma estrutural, um ecossistema de aquisição de bens duráveis e realização de negócios.
O crédito que sustenta o consumo
O grande protagonista do ano foi o crédito à pessoa física. Cartão de crédito, crédito pessoal, consignado e financiamento de veículos sustentaram o crescimento das concessões.
Com taxas médias elevadas nas linhas livres, o sistema manteve spreads robustos e forte rentabilidade bancária.
Esse perfil revela uma economia onde o consumo continua sendo o principal vetor de dinamismo financeiro.
Ao mesmo tempo, amplia a sensibilidade do sistema ao endividamento das famílias e ao mercado de trabalho e caracteriza o perfil tomador de crédito e não planejador do público brasileiro em geral.
Empresas mais cautelosas
O crédito corporativo cresceu, mas em ritmo inferior ao das famílias. O ambiente de juros elevados incentivou empresas a buscar fontes alternativas de financiamento, como mercado de capitais, alongamento de passivos e maior disciplina financeira. Isso contribuiu para uma expansão mais seletiva e concentrada nas companhias com melhor perfil de risco.
Habitação: estabilidade com pressão de custo
O crédito imobiliário manteve papel relevante, respondendo por uma fatia importante das liberações totais. No entanto, o custo mais alto do financiamento tradicional fez parte da demanda migrar para alternativas como consórcio imobiliário e aquisição planejada. Mesmo assim, o setor permaneceu como um dos pilares do crédito de longo prazo.
Leitura estratégica do ciclo
O cruzamento dos dados mostra que o sistema financeiro brasileiro vive uma fase de expansão moderada, com três características centrais que ajudam a entender o momento estrutural do crédito no país:
- Predominância do consumo sobre o crédito produtivo.
- Crescimento das alternativas não bancárias, como consórcios.
- Maior seletividade corporativa na concessão.
Esse conjunto indica um sistema sólido, mas fortemente dependente da dinâmica da renda das famílias.
Conclusão
O crédito em 2025 cresceu, mas mudou de perfil estrutural. A força veio do consumidor, não das empresas. O financiamento imobiliário se manteve relevante, porém pressionado pelo custo.
E o consórcio, medido pelas liberações efetivas, começa a se consolidar como uma peça complementar importante, ainda pequena em participação relativa, mas estrutural em crescimento contínuo.
O cenário aponta para uma inflexão possível nos próximos anos. Caso o ciclo de juros comece a ceder, a tendência é de retomada mais forte do crédito imobiliário e corporativo. Se permanecer restritivo, o consumo e as soluções alternativas continuarão liderando a expansão, definindo o novo eixo do crédito no Brasil.
Existe ainda um “mar de oportunidades” inexplorado pelas empresas e pessoas físicas no que diz respeito à eficiente utilização do consórcio como ferramenta financeira cuja precificação não depende do “humor” do mercado.
Quando falamos em seletividade, eficiência e custo, são pontos importantes e relevantes a serem discutidos no projeto de cada cliente.
Sobre a TOPCON Crédito e Investimentos
Fundada em setembro de 2021, a TOPCON Crédito e Investimentos nasce de uma aliança estratégica com a Breitkopf Administradora de Consórcios, com sede em Blumenau (SC) e atuação no mercado desde 1964.
Ao iniciar seu quinto ano de operação, a TOPCON Crédito e Investimentos posiciona-se com foco em atendimento customizado, consultoria individualizada e acompanhamento integral do cliente — desde o desenho do projeto até a liberação do crédito.
Essa atuação próxima e consultiva, sustentada por parceiros sólidos, reflete um dos pilares da cultura organizacional da empresa: Ajudar nossos clientes a construir patrimônio e renda através da utilização eficiente do consórcio.
Referências Bibliográficas
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BANCO CENTRAL DO BRASIL. Estatísticas monetárias e de crédito. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/
BLOOMBERG LÍNEA BRASIL. Bloomberg Línea Brasil. Disponível em: https://www.bloomberglinea.com.br/
BROADCAST. AGÊNCIA ESTADO. Broadcast: notícias e análises econômicas. Disponível em: https://www.broadcast.com.br/
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REUTERS. Reuters Brasil. Disponível em: https://www.reuters.com/