Poucas empresas brasileiras alcançam maturidade corporativa sem perder o espírito fundador que as moveu no dia em que surgiram. No setor de tecnologia, onde modismos e pressões de crescimento costumam atropelar valores, o DB1 Group chega aos 25 anos em 2025 com um feito incomum: tornou-se um grupo com mais de 800 colaboradores, presença internacional, produtos líderes de mercado e receita superior a R$ 200 milhões, sem abrir mão dos mesmos princípios que guiaram seu início em 2000, em Maringá, no interior do Paraná.
Ao longo de um quarto de século, a empresa não precisou reinventar quem era para escalar. Ela amadureceu sem se corromper, como define Ilson Rezende, fundador e CEO do grupo.
“Crescemos sem jamais deixar de ser quem somos, porque só faz sentido crescer preservando princípios, para que possamos durar gerações. Afinal a DB1 está sendo construída para durar”, afirma.
A afirmação não é retórica nem peça de marketing corporativo. A DB1 paga o preço, mas colhe resultados de uma gestão onde a cultura é mais sagrada que o lucro . Dentro da empresa, é comum ouvir que “é permitido perder 1 milhão dentro da cultura, mas não ganhar 1 milhão fora dela”.
Não se trata de permissividade, mas de coerência: em um caso real, um colaborador que gerou prejuízo milionário continuou na empresa e trabalhou junto com outras pessoas para resolver a situação.
Desde o princípio da sua fundação, Ilson tem como premissa que a cultura não é um manual, um slogan ou a foto sua parede do escritório. É um sistema de gestão blindado contra o ego e pessoas que querem mudar a empresa para o próprio jeito de gerir .
O código cultural do grupo está sintetizado em pilares como Locus of Control (responsabilidade por tudo que acontece a sua volta. Não é suficiente fazer só a sua parte), Energy (energia para fazer a jornada acontecer), Team Spirit (espírito de time, onde todos se importam com o outro para cumprir a missão), Be Fair (ser justo em tudo o que faz), Do Right, Don’t Hide (fazer o certo quando tem pessoas vendo e quando não tem), entre outros.
“Não são orientações motivacionais, mas sim mecanismos, governança e decisão, que permite a empresa a ter poucos processos e alta agilidade. Porque não adianta seguir processos e não resolver o problema, ou você nunca ficou com raiva de abrir um chamado com um problema e o atendente dizer que tem 3 dias úteis para resolver e você ficou indignado, porque os valores da empresa diziam “atender bem o cliente”? Acreditamos que o jogo corporativo do futuro é sobre caráter, honra e princípios”, destaca Ilson.
Esse modelo permite algo raro no setor de tecnologia: a Rosalina Ponciano, conhecida como dona Rosa, colaboradora que faz o café na sede, pode cobrar o presidente, se ele estiver fazendo algo incoerente com a cultura. Feedback não é vertical. É moral.
O grupo que começou como software house tornou-se um ecossistema de empresas de tecnologia, com presença em Latam e EUA, clientes em 19 países e soluções líderes como ANYMARKET, Predize, Koncili, Mixtra, Consignet e My Kids.
A expansão exigiu governança, formação de lideranças internas (hoje, a maior parte delas cresceu dentro da casa), e consistência. Atualmente, o grupo mantém média de crescimento de 25% ao ano, ficando acima da “regra dos 40”, indicador global que mede saúde financeira e ritmo de expansão, alcançando um faturamento de R$ 200 milhões e capital ainda integralmente dos fundadores
Ainda assim, o grupo não mede relevância apenas por faturamento. Seus números incluem indicadores que não aparecem nos balanços convencionais: 16 anos consecutivos de certificação GPTW, investimento mínimo de 1% em inovação contínua, e a criação de um escritório em um parque privado o Lumino Parque Park, com conceito de escritório do futuro na visão da DB1, destinado à preservação de área nativa em conjunto com o ambiente de trabalho, porque, para a empresa, legado não se resume a software ou tecnologia.
“Porque não basta fazer, temos que nos orgulhar de como estamos fazendo e dividir prosperidade com as pessoas”, pontua.
A tecnologia não é ponto de partida nem de chegada: é meio. O princípio fundador sempre foi “fazer tecnologia que transforma realidades e vidas”. Por isso, a empresa não assume projetos que não carreguem propósito alinhado, mesmo que sejam lucrativos.
“Estamos construindo um nome que vai durar gerações, representando indivíduos extraordinários, com talento, alto desempenho e engajamento nas missões que lhes são confiadas. Essa é a nossa visão”, conclui Rezende.
Nos próximos anos, o grupo projeta expansão internacional, novos produtos, com uma diretriz clara: crescer com consistência, não com pressa.