Conhecida internacionalmente pelos atrativos turísticos e pela dinâmica da tríplice fronteira, Foz do Iguaçu também vive um movimento de transformação que passa pelo crescimento de novos negócios ligados à gastronomia, ao entretenimento e ao lazer.
Nos últimos anos, bares, restaurantes e eventos culturais ampliaram as opções de consumo e experiência tanto para moradores quanto para visitantes.
Esse movimento abre espaço para iniciativas digitais voltadas à curadoria de informações sobre o que fazer na cidade. Plataformas que organizam agendas culturais, dicas gastronômicas e experiências locais ajudam a conectar público e empreendedores, além de dar visibilidade a novos estabelecimentos e eventos.
Uma dessas iniciativas é o Curta Mais, projeto criado em 2007 em Goiás pelo jornalista Marcelo Albuquerque e que iniciou um processo de expansão para outras cidades. Em Foz do Iguaçu, a operação local passou a contar com a participação do jornalista Maurício Freire, que atuou por duas décadas como repórter de televisão.
Nesta entrevista ao Economia PR Drops, ele conta como surgiu o Curta Mais Foz, explica o modelo de negócio da plataforma e comenta o potencial da cidade para iniciativas ligadas à economia criativa e ao turismo.
Quem já cobriu a cidade como jornalista enxerga ela diferente. O que você vê em Foz que quem está de fora não vê?
Maurício: Eu vejo a cidade em transformação e crescimento, mas não apenas pelas obras públicas ou mudanças no paisagismo da cidade. São os novos estabelecimentos que surgem, de segmentos como gastronomia, novos prédios residenciais e comerciais. Essa é a economia acontecendo e a cidade crescendo, é a cidade real que vai surgindo diante dos nossos olhos. E essa é a cidade se desenvolvendo para o morador, com um novo espetinho, uma nova hamburgueria, na esquina do bairro. Acredito que muitas vezes, quem está de fora enxerga apenas a Foz dos atrativos, do turismo, do comércio e relação com países vizinhos.
Como essa vivência virou um projeto? Qual foi o momento em que a ideia do CurtaMaisFoz tomou forma?
Maurício: Após minha decisão pessoal de deixar a TV surgiu o convite para ser sócio do Curta Mais em Foz. O Curta Mais é uma plataforma que surgiu em Goiás em 2007, como guia impresso com dicas da cidade. O projeto foi desenvolvido pelo jornalista Marcelo Albuquerque, que, assim como eu, também era repórter de TV e decidiu mudar de área e investir em algo em que acreditava. De lá pra cá o projeto cresceu na região de Goiânia e agora está em expansão. Foz surgiu de forma estratégica, como primeira opção para essa etapa do Curta Mais, mas faltava alguém que conhecesse a cidade e região para cuidar do conteúdo, foi quando nossos caminhos se cruzaram. Como repórter, posso dizer que conheci cada canto dessa tríplice fronteira, e foi assim que percebi demandas a serem preenchidas, como uma agenda organizada do que fazer na cidade. Foz é uma cidade que tem muita coisa pra fazer, e não só para os turistas. E pode valorizar isso foi quando o projeto se concretizou pra mim.
O que Foz tem de específico que justifica um projeto dedicado só a ela?
Maurício: O específico de Foz é que ela é uma cidade onde a diversidade se encontra. A diversidade é o que nos torna especiais. Só que tanta diversidade também deixa a informação espalhada muitas vezes, desencontrada. Quantas vezes você viu um evento, um show, um stand-up de comédia depois que ela já tinha acontecido e pensou: se eu soubesse tinha ido. E isso é real, por isso eu acredito no projeto. Mas não só isso, nós temos cada vez mais novidades na gastronomia, no lazer, na cultura e no turismo da região trinacional, e há uma necessidade de que isso possa chegar de forma organizada e fácil para a população. Esse é o espaço onde o curta mais se encaixa.
Qual é o modelo de negócio? Como o CurtaMaisFoz se sustenta?
Maurício: Somos uma plataforma digital que trabalha com informação jornalística e curadoria. Por isso, nosso modelo econômico foca em publicidade no site. Além disso, temos opções de negócios de divulgação com conteúdos exclusivos para parceiros, com aprofundamento de conteúdo, mas sempre focado em traduzir a experiência para o público. Queremos também seguir iniciativas que já estão consolidadas em Goiânia, como a realização do Festival Gastronômico e a premiação dos melhores estabelecimentos. Mas isso é um plano mais a longo prazo, à medida que a marca Curta Mais Foz for se consolidando. Já estamos com um trabalho muito consistente para isso. Há outras ideias, como a realização de eventos culturais, shows e pequenos festivais. Apostamos no mercado de Foz e acreditamos que nossa região tem espaço para muitas iniciativas.
Onde o projeto está hoje e para onde você quer levá-lo?
Maurício: O projeto está bem no início. Eu comecei a produzir conteúdos no ano passado, pra me adaptar a rotina do digital depois de 20 anos trabalhando como repórter de TV. Mas o lançamento mesmo foi antes do Carnaval. Dia a dia os acessos estão aumentando, de forma orgânica e consistente. Temos um planejamento que alinha conteúdo e crescimento, e estamos operando de maneira saudável. Nossa intenção é virar referência em Foz, ser o local que as pessoas procuram quando surge a dúvida: o que tem pra fazer em Foz? Onde posso ir hoje pra comer algo diferente? E mais importante que isso, ser autoridade neste segmento para que as pessoas possam dizer: se está no Curta Mais, é porque vale a pena. E pensando um pouco mais alto, também espero poder movimentar a cena gastronômica e cultural da cidade com a realização de eventos.
O que um jornalista com bagagem precisa mudar de mentalidade para virar empreendedor?
Maurício: Entender que o mercado é amplo e cheio de oportunidades. A comunicação é muito variada hoje em dia com tantos meios para se comunicar, então as possibilidades existem. Penso que é necessário, primeiro, entender bem no que você é bom e como pode transformar isso em um ativo pra você mesmo. Eu por exemplo, sempre gostei de buscar pautas de turismo e de valorização de Foz, então o Curta Mais coube bem em algo que eu sei que gosto de fazer e faço muito bem. É necessário entender nichos, demandas e principalmente estar disposto a arriscar. Empreender é um salto no desconhecido, você pode estar muito bem preparado, mas não há certeza. Ao mesmo tempo que isso assusta, te deixa de frente pra uma imensidão de boas possibilidades.