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Demanda por imóveis maiores cresce após boom de compactos

imóveis compactos Economia PR
Foto: Julia da Costa

Após anos de predominância de apartamentos compactos, o mercado imobiliário de Curitiba começa a registrar uma mudança no comportamento da demanda. Mesmo com famílias menores, cresce o interesse por imóveis mais amplos, movimento que já influencia o perfil dos lançamentos e as estratégias das incorporadoras na capital paranaense.

Durante a última década, o setor foi marcado por uma lógica de compactação, com redução das áreas privativas para viabilizar preços mais acessíveis, acelerar vendas e responder ao adensamento urbano. O resultado foi a multiplicação de apartamentos menores, especialmente em regiões centrais.

Um levantamento da Brain Inteligência Estratégica mostra que, entre 2015 e 2024, as vendas de imóveis compactos e supercompactos cresceram 210% em Curitiba. Ao mesmo tempo, a oferta de novos empreendimentos com metragens mais amplas, especialmente de dois e três quartos, tornou-se mais limitada.

Esse descompasso começa a ganhar relevância em um contexto de mudança no perfil do consumidor imobiliário, que passa a buscar moradias capazes de cumprir múltiplas funções e oferecer maior qualidade de vida.

A preferência por imóveis com dois dormitórios, por exemplo, saltou de 37% em 2023 para 50% em 2025, segundo a mais recente edição do Radar Imobiliário do Grupo OLX, analisada pela DataZAP.

Ainda assim, a oferta de apartamentos novos com metragens próximas de 100 metros quadrados segue restrita, com boa parte desse estoque concentrada em imóveis construídos até a década de 1990.

Há 15 anos atuando em Curitiba, o incorporador Luiz Antoniutti, sócio e diretor da AGL, acompanhou de perto as transformações do setor.

Segundo ele, a escassez de novos empreendimentos com apartamentos de dois e três quartos com tipologias mais espaçosas, percepção confirmada por estudo da Datastore contratado pela incorporadora, evidencia uma lacuna relevante no mercado.

“O cenário representa uma inflexão importante na forma de pensar o desenvolvimento imobiliário da cidade. Ao resgatar tipologias mais generosas e combiná-las com soluções contemporâneas, o empreendimento materializa a nossa visão de projetos que fazem sentido hoje, mas que também permanecem relevantes ao longo do tempo”, afirma.

Parte do mercado já começa a reagir a esse novo perfil de demanda. Em Curitiba, iniciativas recentes indicam uma tentativa de reequilibrar a oferta, com projetos que voltam a apostar em plantas mais amplas, sem abrir mão de soluções tecnológicas e de eficiência.

É nesse contexto que a AGL prepara o lançamento do residencial IZAR, no bairro Bigorrilho. Com 18 unidades, o empreendimento aposta em apartamentos de 94 m², com duas suítes, e unidades de 125 m², com plantas flexíveis que permitem diferentes configurações internas, de duas a três suítes.

Segundo o gerente de Incorporações Imobiliárias da AGL, Lucas Poletto, o projeto parte da leitura de que, embora as famílias tenham diminuído de tamanho, a expectativa por conforto e funcionalidade cresceu.

“O IZAR nasce da percepção de que as famílias estão menores, mas não querem morar em espaços comprimidos. Nos últimos anos, vimos uma redução contínua das áreas privativas como estratégia de mercado. Aqui, fazemos o movimento oposto: resgatamos um padrão mais confortável, aliado a soluções contemporâneas de tecnologia e eficiência”, explica.

A proposta arquitetônica, assinada por Gonzalo Serra, prioriza integração com o entorno urbano, com uso de grandes planos de vidro e soluções estruturais que reduzem a quantidade de pilares e ampliam a sensação de espaço interno.

Com lançamento previsto para abril de 2026, o empreendimento reflete um movimento mais amplo do mercado: a revalorização de metragens maiores em um cenário ainda marcado pela predominância de imóveis compactos.

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