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FIDCs e a nova lógica financeira das empresas do agro

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FIDC Catálise Agro Economia PR
Foto: JFilms

Por Bruno Lage, administrador com MBA em Finanças (FGV); atuou em grandes bancos e family offices. Em 2015, cofundou a Catálise Estruturação e Gestão de Fundos com Marcelo Aoki.

Durante muito tempo, a área financeira de muitas empresas do agronegócio foi tratada apenas como uma função operacional: garantir capital de giro e negociar crédito bancário. Esse cenário começa a mudar à medida que instrumentos do mercado de capitais ganham espaço no financiamento do setor.

Acompanhei recentemente um caso que ilustra bem essa transformação. Um grupo de concessionárias de máquinas agrícolas decidiu estruturar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) próprio para reorganizar sua estrutura de crédito.

Em dois anos, a operação registrou rentabilidade de 70,84%, equivalente a cerca de 270% do CDI, enquanto o patrimônio líquido evoluiu de R$ 17 milhões para R$ 112 milhões, entre aportes e rentabilidade acumulada. A estrutura também gerou cerca de R$ 21 milhões em eficiência financeira recorrente.

Mais importante que os números foi a mudança de lógica. Ao estruturar o fundo, o grupo deixou de tratar o crédito apenas como necessidade operacional e passou a enxergá-lo como uma alavanca de resultado.

O que antes era custo financeiro, ligado à antecipação de recebíveis ou ao financiamento bancário, passou a gerar retorno dentro do próprio ecossistema da empresa.

Esse movimento ocorre em paralelo à expansão do financiamento do agro via mercado de capitais. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que o patrimônio líquido dos FIAGRO passou de R$ 14,7 bilhões em março de 2023 para R$ 44,7 bilhões em março de 2025, crescimento de 204% em dois anos.

Ao mesmo tempo, o setor segue ampliando sua presença global. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, desde 2023 o Brasil abriu 525 novos mercados internacionais, gerando cerca de US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, enquanto a safra 2024/2025 alcançou 352,2 milhões de toneladas de grãos, alta de 17%.

Na prática, empresas com grande volume de vendas a prazo começam a perceber que o crédito pode ser mais do que um custo inevitável. Quando bem estruturada, a engenharia financeira pode se transformar em um instrumento de eficiência, autonomia e geração de valor dentro do próprio negócio.

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Somos a maior gestora independente de Fundos Estruturados do Sul do Brasil. Desde 2015, desenvolvemos e implementamos soluções inovadoras e descomplicadas na estruturação de fundos para democratizar a oferta de crédito no Brasil. Utilizando os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) por meio de uma abordagem personalizada e eficiente, atendemos às necessidades de empresas de médio e grande portes, proporcionando eficiência financeira, geração de caixa, crédito e maior competitividade no mercado de atuação

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