A história dos paranaenses que lutaram na Segunda Guerra Mundial ganhou uma nova forma de ser contada em Curitiba. Uma iniciativa da startup RIP, social tech residente da HOTMILK, ecossistema de Inovação da PUCPR, transformou o memorial dedicado aos expedicionários paranaenses em um portal digital de memória coletiva.
O projeto instalou QR Codes ao lado dos nomes gravados na lápide do monumento localizado na Praça do Expedicionário, permitindo que visitantes acessem, pelo celular, informações sobre os 28 soldados do Paraná que morreram em combate durante a Segunda Guerra Mundial.
A instalação foi concluída no dia 20 de fevereiro, poucos dias antes da celebração da tomada de Monte Castelo, uma das batalhas mais emblemáticas da participação brasileira na guerra, protagonizada pela Força Expedicionária Brasileira.
A iniciativa faz parte do projeto Lembrança Viva, que busca reconstruir o perfil humano desses combatentes, resgatando histórias pessoais, origens, sonhos e os laços que deixaram para trás.
A proposta é ir além do registro histórico e aproximar as novas gerações da trajetória desses jovens que, há 80 anos, partiram do Paraná para a guerra.
Segundo Giancarlo Mina, CEO da startup RIP no Brasil, a ideia nasceu justamente da ausência de contexto histórico nos memoriais físicos.
“Quando visitamos um monumento com nomes gravados, muitas vezes não sabemos quem eram aquelas pessoas. O projeto Lembrança Viva nasce para transformar esses nomes em histórias. Queremos mostrar quem eram esses jovens, quais eram seus sonhos, suas famílias e o que representaram para a história”, afirma.
Cada QR Code direciona para uma ficha inicial com informações militares do soldado. A próxima etapa do projeto prevê a criação de memoriais digitais completos para cada um dos 28 combatentes, com linhas do tempo interativas, fotos restauradas, documentos históricos e relatos de familiares.
A proposta inclui ainda a produção de uma websérie documental, um e-book sobre a história dos expedicionários e um ciclo de palestras em escolas e espaços públicos sobre memória histórica e cidadania.
A RIP foi fundada em 2024, na Itália, a partir de uma experiência pessoal vivida anos antes pelo empreendedor Daniele Ghigo. Em 2017, após a morte do cunhado, ele recebeu da família a missão de reunir lembranças sobre a vida do familiar, entrando em contato diretamente com amigos e conhecidos para coletar relatos, fotos, vídeos e documentos guardados em arquivos pessoais e HDs.
O processo manual de reconstrução dessa memória, ao mesmo tempo doloroso e significativo, acabou inspirando, anos depois, a criação do aplicativo de memorial digital interativo, pensado para facilitar a preservação e o compartilhamento de histórias de pessoas que já partiram.
Para Marcelo Moura, diretor da HOTMILK, o projeto demonstra como a inovação pode gerar impacto cultural e social.
“Iniciativas como essa mostram o potencial das startups em aplicar tecnologia para preservar a memória coletiva e gerar impacto social. A Hotmilk incentiva soluções que conectem inovação, educação e sociedade, e o projeto da RIP é um exemplo claro de como a tecnologia pode transformar a forma como contamos e preservamos histórias”, destaca.
A expectativa dos criadores é que o modelo possa ser replicado em outros contextos históricos no Brasil, como memoriais de imigração, fundação de cidades ou personagens que marcaram o desenvolvimento de comunidades.
“Queremos que cada nome em um memorial possa revelar uma história. A tecnologia é o meio para manter viva a memória de pessoas que ajudaram a construir a sociedade que temos hoje”, conclui Giancarlo.
O projeto segue agora em fase de captação de recursos para aprofundar a pesquisa histórica e ampliar o acervo digital sobre os expedicionários paranaenses.