Abrir o portão pelo celular, liberar visitantes com reconhecimento facial e acompanhar entregas em tempo real já fazem parte da rotina em muitos condomínios brasileiros.
A digitalização desses espaços vem ganhando força e acompanha o avanço da transformação digital no país: segundo a IDC, os investimentos em tecnologia na América Latina devem crescer mais de 10% ao ano, impulsionados principalmente por soluções ligadas à automação e inteligência de dados.
No ambiente condominial, esse movimento reflete uma mudança estrutural. Antes baseada em processos manuais e presença física constante, a gestão evolui para um modelo conectado, sustentado por tecnologias como fibra óptica dedicada, videovigilância inteligente e sistemas integrados. O impacto é direto na segurança, que deixa de ser apenas reativa e passa a atuar de forma preventiva.
“Hoje, o morador resolve praticamente tudo pelo smartphone, desde autorizar um visitante até acompanhar uma entrega. Isso reduz atritos no dia a dia e traz mais autonomia, ao mesmo tempo em que aumenta o controle e a rastreabilidade para a administração”, afirma Pedro Reinaldo, CEO da LOViZ.
Além da praticidade, os ganhos operacionais também chamam atenção. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), soluções de portaria remota podem reduzir custos condominiais em até 30% quando comparadas a modelos tradicionais, ao mesmo tempo em que aumentam o nível de controle e registro de acessos.
Na prática, os impactos já são percebidos na rotina. Visitantes entram com autorização prévia e registrada, entregas seguem fluxos organizados e prestadores têm acessos limitados por horário e finalidade. O resultado é menos interrupção para moradores e maior previsibilidade para a gestão.
A digitalização também começa a influenciar diretamente o valor dos empreendimentos. Segundo levantamento da Deloitte, mais de 60% dos consumidores já consideram tecnologia e conectividade fatores relevantes na decisão de compra de imóveis, especialmente em grandes centros urbanos.
“O consumidor mudou. Ele espera do condomínio a mesma facilidade que encontra em aplicativos de banco, transporte ou streaming. Empreendimentos que oferecem essa experiência saem na frente, tanto em percepção de valor quanto em atratividade”, destaca Pedro.
Outro ponto relevante é a gestão baseada em dados. Com a digitalização dos acessos e serviços, síndicos passam a contar com informações estratégicas sobre circulação, consumo e segurança. Isso permite decisões mais assertivas e pode reduzir falhas operacionais e custos extras — um fator crítico em um país que conta com mais de 420 mil condomínios, segundo dados do IBGE.
Apesar dos avanços, a adoção dessas tecnologias ainda enfrenta desafios, especialmente em condomínios de médio e pequeno porte. Barreiras culturais, limitações de infraestrutura e dúvidas sobre o retorno do investimento ainda fazem parte do cenário.
Ainda assim, o mercado aponta para modelos mais flexíveis e escaláveis como caminho para acelerar essa transformação.
Para o setor imobiliário, a tendência é clara: a segurança do futuro está menos ligada à presença física e mais à integração de sistemas inteligentes e conectados em tempo real. Mais do que um diferencial, a infraestrutura digital passa a ser um elemento central na experiência de morar.