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Toledo recebe a elite mundial da queijaria fina em evento no Biopark

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Foto: Divulgação/Biopark

O Biopark, ecossistema de inovação localizado em Toledo, no Oeste do Paraná, realizou, nos dias 20 e 21 de março, a terceira edição do Conecta Queijo.

Mais do que um evento técnico, o encontro consolida-se como um grande centro de convergência da queijaria fina, reunindo cientistas internacionais, produtores rurais, acadêmicos, especialistas e aficionados para um debate saboroso sobre o setor. 

O evento ocorreu em um momento estratégico, uma vez que a metodologia do Programa de Queijos Finos do Biopark, que já transforma a realidade de produtores no Oeste, agora expande oficialmente sua excelência para quatro novas regiões do Paraná – Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e região metropolitana de Curitiba.

O programa é um modelo que une pesquisa científica de alto nível à viabilidade de mercado, promovendo uma nova economia baseada em alto valor agregado e padrão de exportação.

Nesta edição, o encontro propôs uma jornada que vai do campo ao coração do consumidor, discutindo desde a estruturação técnica da produção paranaense até a psicologia por trás do paladar. Um dos momentos mais aguardados foi a palestra do pesquisador Heber Rodrigues, da Universidade de Surrey, no Reino Unido.

Doutor em Ciência Sensorial, Rodrigues abordou como a psicologia cognitiva e os fatores culturais moldam a nossa percepção, revelando que o consumo de queijos pode despertar emoções profundas e memórias afetivas. 

A expertise internacional é reforçada por Maike Maziero (França), doutora em Tecnologia de Alimentos e autora do livro “O Mundo dos Queijos”, e pelo executivo Rodrigo Magalhães, que trabalha com inovação e negócios no setor de laticínios nos EUA e Europa.

Eles trouxeram a visão de mercado e a rentabilidade necessárias para a escala global. Já Irene Rubel discutiu como o produtor pode utilizar processos tecnológicos de vanguarda sem perder a essência da sabedoria tradicional. Irene é doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos e pesquisadora do CONICET, a  principal organização dedicada à promoção da Ciência e Tecnologia na Argentina.

Na parte prática, o 3o Conecta Queijo ofereceu a oportunidade única de aprender com as duas maiores autoridades do setor no país, cobrindo todo o ciclo de vida do produto.

A técnica do mestre queijeiro foi apresentada em uma oficina-laboratório comandada por Kennidy de Bortoli, mestre queijeiro do Biopark e reconhecido como o melhor queijeiro do Brasil.

Ele domina o “nascimento” do queijo, traduzindo o rigor científico da química do leite em processos que garantem produtos premiados mundialmente. Uma degustação guiada por Anderson Aguiar de Magalhães, eleito o melhor queijista do país, completa o ciclo do evento.

Mestre da maturação e da educação do paladar, Magalhães ensinou a identificar as complexas notas sensoriais que definem um queijo fino e mostrou como apreciar e valorizar o produto final.

No período da tarde, a teoria se transforma em prática com visitas técnicas e roteiros guiados à Queijaria Flor da Terra e outras unidades de queijarias familiares que já operam sob a mentoria do Biopark. Atividades práticas de fabricação, análise sensorial e demonstrações de como a queijaria de elite impulsiona o turismo rural enriqueceram a programação.

Nesta terceira edição, o Conecta Queijo elevou seu patamar ao se consolidar como um evento científico de relevância internacional. Um dos grandes diferenciais é a abertura para que instituições de ensino e pesquisadores publiquem trabalhos e resumos científicos.

“Essa chancela acadêmica permite que a produção de queijos seja discutida sob o rigor da ciência, conectando universidades e centros de pesquisa diretamente com a realidade do produtor rural”, afirmou Tiago Mendes, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark.

Com um investimento de R$ 3,8 milhões, o Biopark e o Governo do Paraná expandiram o Projeto Queijos Finos para cinco mesorregiões, transformando-o em uma política de desenvolvimento estadual.

A iniciativa oferece a pequenos e médios produtores acesso gratuito a biotecnologia de ponta, treinamentos e suporte laboratorial por três anos, visando agregar valor à produção leiteira com rigor científico. Coordenado por uma coalizão técnica que inclui o IDR-PR e universidades, o projeto busca consolidar o Paraná como o principal polo de queijos finos da América Latina. 

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