Economia PR - Pressão fiscal coloca CFOs do PR em alerta para 2026

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Pressão fiscal coloca CFOs do PR em alerta para 2026

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Foto: Fredi Fotos / Divulgação IBEF-PR

Em um ambiente reservado e cada vez mais estratégico para a tomada de decisões, executivos financeiros de algumas das principais empresas do Estado se reuniram no último dia 17 de março, em Curitiba, para discutir os rumos da economia global e os impactos diretos no planejamento corporativo.

O encontro integrou mais uma edição do Business Round Table (BRT), promovido pelo IBEF-PR, reunindo cerca de 25 CFOs em um formato fechado, voltado à troca de percepções de alto nível.

Realizado no NH Hotel, o evento teve como convidado principal Roberto Padovani, que conduziu uma análise ampla sobre o cenário macroeconômico e as perspectivas para 2026. Com mais de três décadas de experiência e passagem pelo Ministério da Fazenda durante o Plano Real, o economista-chefe do Banco BV trouxe uma leitura direta: mais do que negativo, o cenário atual é essencialmente incerto.

A avaliação parte de um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas crescentes, especialmente na relação entre Estados Unidos e China.

Segundo a análise apresentada, há um movimento estratégico dos norte-americanos para conter o avanço econômico chinês, inclusive por meio da influência em regiões produtoras de energia, o que amplia a imprevisibilidade global.

Ao mesmo tempo, países como Índia e a própria China surgem como polos relevantes de crescimento, enquanto o mundo passa a conviver com uma dinâmica menos previsível e mais sensível a choques externos.

Nesse ambiente de instabilidade, o Brasil aparece, paradoxalmente, como um ponto de relativa estabilidade. A ausência de conflitos, a relevância no comércio internacional e a posição como produtor de commodities, especialmente petróleo, ajudam a sustentar a percepção externa de que o país segue como destino atrativo para investimentos.

A leitura apresentada aponta que o Brasil continua sendo visto como um mercado seguro e, em muitos casos, subvalorizado, além de ter avançado em reformas estruturais importantes na última década, com destaque para a tributária, cujos efeitos positivos tendem a se consolidar no longo prazo.

Na avaliação do presidente do IBEF-PR, Carlos Peres, encontros como o Business Round Table ganham ainda mais relevância em momentos de maior complexidade econômica.

“Vivemos um momento em que a incerteza deixou de ser pontual e passou a fazer parte do ambiente de negócios. O BRT permite justamente isso: colocar na mesma mesa executivos que estão tomando decisões relevantes e criar um espaço de reflexão estratégica, com base em diferentes visões e experiências. Esse tipo de iniciativa fortalece a comunidade financeira do Paraná e contribui diretamente para decisões mais qualificadas dentro das empresas”, explicou o presidente.

Se o cenário externo abre oportunidades, o ambiente doméstico impõe cautela. A manutenção de juros elevados, com a taxa básica em patamares próximos a 15%, foi apontada como um fator de pressão relevante sobre a atividade econômica.

O impacto já é percebido tanto na redução do consumo das famílias quanto no aumento do endividamento e da inadimplência. Do lado das empresas, o custo do crédito mais alto e a postura mais conservadora dos bancos têm contribuído para um ambiente de maior restrição financeira, refletido no crescimento de pedidos de recuperação judicial.

A análise também destacou que, embora o país não esteja em uma situação de colapso econômico, há um claro estresse fiscal em curso. Os compromissos assumidos pelo governo exigem ajustes ao longo do tempo, sob risco de ampliar as incertezas já presentes no ambiente de negócios.

Esse quadro se soma a desafios políticos, especialmente na relação do Executivo com o Congresso, apontada como um fator que pode dificultar a condução de agendas estruturais e impactar a confiança.

O debate avançou ainda sobre o impacto de crises institucionais recentes, como o caso envolvendo o Banco Master. A avaliação predominante é de que, apesar do ruído político, o efeito econômico tende a ser limitado quando comparado a eventos mais disruptivos da história recente, como a Operação Lava Jato.

Por outro lado, a reação da sociedade a episódios dessa natureza foi interpretada como um sinal positivo para o investidor estrangeiro, indicando maior intolerância à corrupção e um certo grau de maturidade institucional.

Ao longo da manhã, entre a palestra e as discussões em mesa redonda, o que se consolidou foi um diagnóstico compartilhado entre os participantes: o Brasil atravessa um momento em que a economia apresenta sinais de resiliência, mas convive com pressões financeiras relevantes e um ambiente global imprevisível, combinação que exige decisões mais estratégicas e criteriosas por parte das lideranças financeiras.

“É um privilégio participar de um ambiente como esse, com executivos experientes e uma troca realmente qualificada. O que fica claro, a partir da análise apresentada, é que o nível de incerteza aumentou e isso exige um papel ainda mais estratégico do CFO. O painel trouxe provocações importantes sobre o cenário político e econômico, que impactam diretamente nossas decisões. Hoje, mais do que nunca, é preciso ter disciplina, leitura de cenário e assertividade para navegar esse ambiente com segurança”, afirma Cláudio Silva, diretor financeiro da SLB OneSubsea.

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