O setor de hospitalidade global está diante de um novo paradigma onde o luxo foi redefinido. Se em décadas passadas o diferencial competitivo estava em grandes áreas comuns ou mimos no frigobar, o viajante contemporâneo está cada vez mais sobrecarregado e atento à saúde mental e passou a eleger o hotel pela qualidade do descanso que ele proporciona.
Esse movimento não é apenas uma percepção de mercado, mas é sustentado por dados que acendem um alerta para os gestores: um estudo da Sleep Foundation aponta que 80% das pessoas sentem dificuldade para dormir em camas estranhas, perdendo em média 58 minutos de sono por noite devido ao estado de alerta do cérebro em ambientes novos.
Esse fenômeno, conhecido no setor como “efeito da primeira noite”, tem transformado a forma como hotéis de categoria econômica planejam sua entrega. A privação de quase uma hora de sono impacta diretamente o humor e a performance, um risco que o viajante moderno, seja ele corporativo ou de lazer, não quer mais correr.
Em Curitiba, esse novo comportamento tem moldado as operações do Bleev, hotel-modelo da rede HCC Hospitality para o segmento econômico, que se posiciona como um porto seguro para quem enfrenta maratonas de reuniões ou grandes eventos na capital paranaense.
A gerente geral do Bleev Curitiba, Carolina Sniecikoski, observa que a escolha da hospedagem hoje passa por um filtro de bem-estar mais rigoroso.
“O hóspede atual é pragmático e entende que o hotel é um elo fundamental de sua produtividade. A satisfação do cliente em 2026 está profundamente atrelada ao impacto emocional de acordar descansado após uma viagem exaustiva. O verdadeiro diferencial não está mais no supérfluo, mas em garantir que o silêncio, o controle da temperatura e a qualidade do enxoval atuem de forma regeneradora”, explica Carolina.
Para mitigar os efeitos da estranheza do ambiente, especialistas e gestores do setor têm reforçado a importância da higiene do sono dentro dos quartos.
Manter uma rotina de horários próxima à de casa, garantir o uso eficiente de cortinas blackout para sinalizar o repouso ao cérebro e oferecer poucos estímulos visuais são estratégias que ajudam a baixar a ansiedade e “enganar” o cérebro em novas localidades.
Ao colocar o sono no centro da estratégia, a hotelaria econômica deixa de ser um mero fornecedor de leitos para se tornar um facilitador da saúde do viajante.
“Em um mundo cada vez mais acelerado, a maior entrega que um hotel pode fazer é, ironicamente, garantir que o seu hóspede consiga desligar-se completamente do mundo exterior para começar o dia seguinte com sua capacidade máxima restaurada”, garante a gerente.