Economia PR - Cidades inteligentes: estamos olhando os dados certos

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Cidades inteligentes: estamos olhando os dados certos

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Foto: Divulgação

Por Pierre Damasio, gerente comercial da Mapzer

Nos últimos anos, falar em cidades inteligentes deixou de ser um exercício de futuro para se tornar uma necessidade prática. Com centros urbanos cada vez mais complexos, cresce também a pressão por serviços públicos mais eficientes, respostas mais rápidas e uso mais responsável dos recursos.

Mas, no meio de tantas tecnologias e soluções, existe uma pergunta que ainda precisa ser feita com mais frequência: estamos olhando para os dados certos para tomar decisões sobre as cidades?

A discussão ganhou força durante o Smart City Expo Curitiba 2026, considerado o maior evento de cidades inteligentes das Américas, que reuniu gestores públicos, especialistas e empresas para debater caminhos possíveis para cidades mais eficientes e conectadas. Em comum, um ponto apareceu de forma recorrente: não existe cidade inteligente sem uma base sólida de informação.

Até então, a gestão urbana no Brasil vem sendo guiada por demandas pontuais, como reclamações de moradores, vistorias manuais e ações emergenciais. Esse modelo ainda é importante, mas tem limites visíveis, começando pelo fato de que tende a priorizar o problema que aparece primeiro, e não necessariamente o que mais impacta o cotidiano dos cidadãos.

Quando a cidade passa a ser observada de forma estruturada, com dados organizados e atualizados, essa lógica começa a mudar. Problemas deixam de ser invisíveis, padrões começam a aparecer e o planejamento ganha espaço sobre a urgência.

É nesse ponto que a tecnologia orientada por dados faz diferença. Hoje, já é possível mapear de forma contínua o que acontece nas ruas, desde falhas de iluminação e descarte irregular de resíduos até fios soltos, obstáculos em calçadas e situações que impactam diretamente a segurança e a mobilidade urbana.

Para além de identificar ocorrências isoladas, esse tipo de monitoramento permite entender o comportamento da cidade ao longo do tempo.

Isso não significa, em nenhum momento, substituir o trabalho das equipes públicas ou oferecer uma solução pronta. Pelo contrário: o papel da tecnologia é ampliar a capacidade de leitura da cidade, oferecendo insumos para que o gestor tome decisões melhores, com mais precisão e transparência.

Na prática, trabalhar com dados permite priorizar o que realmente importa, direcionar equipes com mais eficiência e evitar que pequenos problemas se tornem grandes prejuízos. Também contribui para uma gestão mais preventiva, algo essencial em um cenário de recursos limitados e demandas crescentes.

O ponto mais importante é o impacto direto na vida do cidadão. Quando a gestão pública atua com base em dados, a resposta tende a ser mais rápida, os serviços mais organizados e a percepção de cuidado com a cidade se torna mais evidente. Estamos falando de qualidade de vida para além da infraestrutura.

Esse movimento também amplia o papel das cidades no uso estratégico da tecnologia. Isso ultrapassa a simples adoção de novas ferramentas, porque trata-se de construir uma cultura orientada por informação, onde decisões são justificadas, acompanhadas e ajustadas com base em evidências.

Na Mapzer, temos acompanhado de perto essa transformação ao atuar com prefeituras de mais de 200 cidades em diferentes regiões do país. Só em 2025, nossa tecnologia mapeou mais de 2,3 milhões de ocorrências em apenas 20 municípios.

O que vemos na prática é que a gestão evolui quando o gestor passa a ter uma visão mais clara e contínua do território, porque a tecnologia não resolve sozinha, mas muda a forma como os problemas são enxergados e enfrentados. 

Eventos como o Smart City Expo Curitiba reforçam que esse caminho não é individual. Cidades inteligentes se constroem com colaboração, principalmente entre poder público, empresas e sociedade, e com uma compreensão cada vez mais profunda de que dados não são só números, mas ferramentas para cuidar melhor das pessoas.

No fim, a cidade inteligente não é a que tem mais tecnologia, mas a que tem mais informações e consegue usá-las de forma bem direcionada e qualificada. Esse talvez seja o passo mais importante para transformar a gestão urbana em algo mais eficiente, mais humano e mais conectado com a realidade de quem vive nela.

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