Direto do meu caderno de anotações, inseparável e insubstituível (só quando acaba): aqui ficam as notas que antecedem a notícia, os bastidores, ideias em construção e movimentos que já dizem muito antes de ganhar o mundo.
Um recorte da cena cultural de Curitiba, da economia criativa que pulsa na cidade, com tudo que ela tem de ruído e criação.
INCONTROLÁVEL
Giovanni Caruso, nome incontornável e incontrolável da música, prepara uma surpresa aos fãs. Recentemente, o músico teve acesso a trabalhos que estavam sob curadoria de um selo antigo já extinto, material que ele acreditava ter se perdido.
Ainda sob forte emoção e sem formato definido, o projeto nasce da vontade latente de revisitar e documentar momentos-chave de sua trajetória. Uma continuidade natural do trabalho iniciado no livro “A parte de mim que sonha” (Editora Madame Psicose), que reúne praticamente todas as músicas assinadas por Giovanni (acredito eu), além de crônicas sobre sua vivência no mundo e até um relato muito visceral da conturbada saída dele dos Faichecleres, em 2007.
Imperdível.
MUITO ALÉM DA POLENTA

Lucas Schafa, músico e produtor cultural responsável por eventos como Salines Sunset Soul Blues Festival e Raízes Culturais está, de novo, inventando moda. Ou melhor, inventando um novo jeito de comer bem e celebrar deliciosas tradições curitibanas.
Ele arregaçou as mangas e está botando de pé um festival gastronômico em uma das áreas mais vivas da gastronomia curitibana – e mais esquecidas pelo poder público. Será um mês de comilança e surpresas. Ainda este ano.
SAI O COWORKING, ENTRA A ARTE

Fazer arte é mais importante do que trabalhar. Quem diz é o mercado imobiliário. Segundo Ismael Zanardini, um dos arquitetos responsáveis pelo TAUÁ, novo empreendimento no Ahú, a equipe da Dreamis Incorporadora pesquisou, analisou e concluiu que as pessoas já não procuram condomínios com áreas comuns voltadas ao trabalho remoto (os chamados “coworkings”, tão comuns nos empreendimentos dos últimos cinco anos), mas sim espaços pensados para hobbies e atividades relaxantes.
Esse movimento vai ao encontro de uma percepção já apontada pela designer de interiores especializada em casas de férias, Priscila Poli, em entrevistas recentes. Ela batizou a tendência de “hygge brasileiro” — inspirado no conceito dinamarquês de “hygge”, que valoriza conforto, aconchego e bem-estar, reinterpretado para a realidade brasileira.
No TAUÁ, essa tendência se materializa em espaços como o “Ateliê de Arte e Criatividade”, que contará com maquinário para aulas de cerâmica e estrutura para outras práticas manuais e artísticas. O empreendimento, com inauguração prevista para o início de 2027, reflete as transformações do “novo morar”, em que o bem-estar é inegociável.
DADOS

Ainda sobre mais diversão e menos trabalho, a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostra que 62% dos compradores de alto padrão consideram as áreas de lazer como fator principal de decisão.
E segundo o Global Wellness Institute, o mercado imobiliário voltado para o bem estar já supera US$ 580 bilhões no mundo, com crescimento anual acima de 15%. O impacto é direto no valor dos imóveis: empreendimentos com foco em bem-estar podem alcançar prêmios de 10% a 25% em relação aos modelos tradicionais, segundo a entidade.
A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

Com a proposta alinhada aos novos modos de consumo da música, os curitibanos do Anacrônica estão de volta à cena. Na verdade, nunca saíram. Foi a vida que seguiu por outros caminhos: muitos se tornaram pais, todos se dividiram em projetos paralelos, até que a necessidade de lançar novidades juntos gritou.
A recém-lançada “Peito”, parceria com Paulo de Nadal, do Mordida, quebra um jejum de quase dez anos sem inéditas do quarteto e é “o empurrão que faltava (e agora não falta mais)” (como diria Charme Chulo) para o que vem por aí.
E vem mesmo: o grupo prepara o lançamento de quatro músicas ainda este ano, com a próxima já marcada para maio.
A conferir. No volume máximo.
FRASES
“É enquanto se constrói o futuro que se faz o presente”

Ety Forte Carneiro, diretora do Hospital Pequeno Príncipe, sobre a construção do que virá a ser o maior complexo hospitalar para crianças do Brasil.
“Nem tudo que dizem é verdade. Mas pode ser que seja verdade tudo que dizem”

Efigênia Rolim, multiartista que partiu aos 94 anos, às vésperas dos 333 anos de Curitiba — cidade que adotou como lar, e onde se tornou a “Rainha do Papel de Bala”, personagem marcante da cultura popular curitibana.