Economia PR - RecrutaTech 10 anos: da comunidade aos novos desafios impostos pela IA

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RecrutaTech 10 anos: da comunidade aos novos desafios impostos pela IA

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Foto: magnific

Neste sábado o Sebrae/PR recebeu a edição de 10 anos do RecrutaTech.

Foram três salas com palestras rodando simultaneamente, dezoito nomes no palco, um dia inteiro dividido entre a Sala Principal, a Sala Carreira e a Sala Técnica.

Para quem esteve lá, mas não conhecia a marca pode ter parecido um evento grande de tecnologia. Para quem acompanha o RecrutaTech há mais tempo, o sábado foi só a ponta visível de uma comunidade que roda o ano inteiro.

Por trás do evento tem encontro mensal, tem podcast, tem o portal de vagas Carreira TI, canal de Eventos Tech no WhatsApp funcionando toda semana, tem apoio a meetups e outros modelos de eventos.

A festa de aniversário só existiu porque essa estrutura já estava de pé muito antes dela. Nenhuma comunidade aguenta dez anos vivendo de um pico de público em setembro. Ela sobrevive porque alguém sustenta ela nos outros onze meses, quando ninguém está olhando.

Fui a quatro palestras e queria contar o que vi por lá

João Bosco Seixas, que hoje é Diretor de Engenharia no Nubank, abriu falando sobre tornar o fluxo de desenvolvimento com IA mais determinístico.

Na sequência veio Aline Borges, fundadora da Mafagrafos, contando como saiu da carreira de desenvolvedora para criar o próprio SaaS, uma história de Founder-Led Growth que prendeu a plateia.

Elemar Júnior, da eximia.co, trouxe o framework 10-80-10 para pensar carreira e trabalho em tempos de IA.

E fechei o dia conhecendo o Ahirton Lopes, doutor em Engenharia Elétrica, professor de MBA e Senior Manager na Accenture, um presente da patrocinadora FIAP, numa palestra que resumiu bem o incômodo do momento: seu código compila, seu contexto nem sempre.

As três palestras mais técnicas chegaram, cada uma pelo seu caminho, na mesma conclusão. A IA não conserta processo ruim. Ela só acelera o que já existe. O que já era bom fica melhor, mais rápido. O que já era bagunça vira caos em muito menos tempo.

Um ponto que me marcou foi a ideia de pensar antes de criar o prompt, algo que já tenho visto na Comunidade IA com Critério, que tive o prazer de desenhar com a Dataplai. Antes de pedir código pronto pro agente, vale parar, desenhar a estratégia, pensar a arquitetura, escrever a especificação do que precisa existir.

O agente não tem aquele feeling que os desenvolvedores aprendem depois de anos vendo sistema quebrar de madrugada, então esse julgamento precisa entrar antes do prompt, não depois do resultado pronto.

Outra coisa que ficou clara: agentes são ótimos para ler código e incríveis para criar coisa nova, mas são péssimos pra seguir regra à risca. Cálculo, limite, alçada de decisão, tudo isso precisa estar escrito no código, nunca só no texto do prompt.

O prompt pede. Quem garante é o código.

A revisão também não pode ficar só pro fim do processo. Dá pra rodar linter e checagem automática a cada edição, e o ideal é que quem constrói nunca seja a mesma pessoa, ou o mesmo agente, que revisa depois. Dois papéis separados evitam que o erro passe batido.

Tem também aquele hábito de encher o modelo de contexto achando que isso deixa ele mais esperto. Não deixa. Deixa mais confuso. Contexto menor e bem escolhido rende resultado bem melhor do que uma janela lotada de informação que não serve pra nada.

E teve uma demonstração de segurança que ainda está na minha cabeça. Com um prompt simples, um agente mal configurado deu 100% de desconto em um pedido e chegou a vazar dado de cliente.

Proteção de verdade não pode morar só no texto do prompt. Regra de negócio e controle de acesso são coisa de arquitetura, não de instrução em linguagem natural escrita na hora.

No fim das contas, a responsabilidade continua sendo de quem desenvolve, de quem usa. Não é da IA que gera o código.

E acho que isso conversa direto com o que o próprio RecrutaTech representa. A ferramenta ficou mais rápida e mais barata para todo mundo ao mesmo tempo, então ela deixou de ser diferencial.

O que separa quem entrega bem de quem não entrega é processo, é critério, é ter com quem trocar esse critério antes de errar sozinho. Depois de dez anos, essa comunidade é o que o RecrutaTech realmente deixou instalado em Curitiba, mais do que qualquer palestra, por mais incrível que tenha sido.

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Adriana Walter é CEO da HeadRocks, consultoria especializada em design estratégico de comunidades para empresas B2B e de tecnologia. Atua no desenho de estratégias de relacionamento com clientes e stakeholders, com foco em como comunidades bem estruturadas impactam métricas de aquisição, CAC, retenção e crescimento sustentável. Como colunista do Economia PR, escreve sobre o uso estratégico de comunidades como alavanca de eficiência comercial e vantagem competitiva.

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