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Cinco sinais de que a empresa fatura, mas pode não dar lucro

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Foto: Divulgação

Aumento das vendas, dinheiro na conta e pagamentos em dia podem passar a sensação de que uma empresa é lucrativa. Sem controles financeiros adequados, porém, o negócio pode perder margem, acumular dívidas ou consumir recursos sem que o proprietário perceba.

Segundo o economista e consultor empresarial Paulo Dias Fernandes, da PD Consultoria, faturamento, lucro e caixa são informações diferentes.

Faturamento, lucro e caixa

O faturamento corresponde ao valor total das vendas. O lucro é o resultado que permanece depois da retirada de impostos, custos e despesas. O caixa mostra quanto dinheiro está disponível em determinado momento.

“Quando o empresário acompanha apenas o saldo bancário, ele enxerga uma fotografia daquele dia, mas não necessariamente a saúde financeira da empresa. O dinheiro disponível pode ter vindo de um empréstimo, de um aporte dos sócios ou da antecipação de recebíveis”, explica Fernandes.

Cinco sinais de gestão no escuro

  1. Saldo bancário como único indicador. Ocorre quando o saldo é a única referência para decidir compras, investimentos e retiradas.
  2. Desconhecer a margem de contribuição. O cálculo revela quanto sobra de cada venda para pagar a estrutura do negócio.
  3. Desconhecer o ponto de equilíbrio. É o volume mínimo de vendas necessário para cobrir todos os custos e despesas. Sem essa informação, as metas podem ser definidas apenas pela intuição, sem indicar se a operação produz resultado.
  4. Faturamento em alta e caixa apertado. A situação pode indicar preços mal calculados, aumento excessivo das despesas, prazos longos para receber dos clientes ou necessidade crescente de capital de giro. Nesse cenário, vender mais pode ampliar o problema.
  5. Mistura entre contas pessoais e empresariais. Quando despesas particulares são pagas pela empresa ou os sócios fazem retiradas sem critérios, fica difícil saber quanto o negócio custa, qual é o lucro e quanto pode ser retirado com segurança.

O que analisar

Para compreender a situação financeira, o empresário precisa analisar o fluxo de caixa, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e as obrigações da empresa. Esses dados mostram se a operação tem lucro, se há recursos para os próximos compromissos e onde estão os principais desperdícios.

“Não é necessário esperar uma crise para organizar os números. Quanto mais cedo o empresário transforma as movimentações financeiras em informações confiáveis, maior é a possibilidade de corrigir a rota e tomar decisões seguras”, afirma Fernandes.

Primeiros passos

Segundo o consultor, o primeiro passo é separar completamente as contas pessoais e empresariais. Também é preciso revisar receitas e despesas, classificar os custos e calcular a margem dos principais produtos ou serviços.

Outras medidas são projetar as entradas e saídas dos próximos meses e estabelecer uma retirada definida para os sócios.

“O número não decide pelo empresário. Ele revela situações que podem permanecer escondidas quando a gestão depende apenas da percepção, do saldo bancário ou do volume de vendas. Administrar com clareza é saber não apenas quanto a empresa vende, mas quanto ela realmente ganha”, afirma Fernandes.

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