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Como a GhelPlus construiu um polo industrial no Sudoeste do PR em 35 anos

Ghelplus Economia PR
Foto: Divulgação

Fundada em 1990 no município de Ampére, a GhelPlus chegou aos 35 anos como um dos principais agentes industriais do Sudoeste do Paraná, com atuação que ultrapassa os limites da produção de utilidades domésticas. A empresa se consolidou como uma das maiores fabricantes nacionais de cubas, pias e tanques em aço inox, mantendo operações no estado e em Pernambuco, além de um centro de distribuição em São Paulo.

Ao longo de sua trajetória, a companhia investiu em modernização industrial, capacitação técnica e desenvolvimento logístico. Como resultado, impactou diretamente a economia local, contribuiu para a formação de mão de obra especializada e estimulou o surgimento de novos negócios em sua cadeia produtiva.

Neste Economia PR Drops, o diretor administrativo Vanderlei Camera compartilha a visão da empresa sobre os desafios da indústria paranaense, a evolução do comportamento do consumidor e os próximos passos do grupo — que reúne também as marcas Duranox e De Bacco.

Como a GhelPlus impactou o desenvolvimento econômico de Ampére e da microrregião Sudoeste do Paraná nestas três décadas e meia?

Vanderlei: A fundação da empresa, da qual acompanho o trabalho praticamente desde o início, foi liderada pelos acionistas e diretores, Pedro Rodrigues da Silva e Dair Sabedot. Os sócios sempre estiveram preocupados em estar atualizados nas tecnologias para construir uma empresa de padrão elevado em seus processos produtivos. Com isso, proporcionaram junto à equipe que sempre trabalhou com eles oportunidades de evolução. Essa busca constante por tecnologia e pela superação da média do mercado foi, ao longo do tempo, beneficiando a empresa, nossa cidade e a região, criando oportunidades de desenvolvimento para os profissionais. A integração de profissionais de outras regiões trouxe conhecimentos que foram compartilhados, implantando na empresa um espírito de evolução. Hoje, não apenas economicamente, mas em grau de conhecimento, a empresa proporcionou à região uma radiação de profissionais ligados à empresa ou que por ela passaram, aumentando o nível de conhecimento e originando empresas evoluídas. Muitos fornecedores foram desenvolvidos e empreendedores surgiram, capacitados pela prática e formação adquirida ao longo da trajetória da empresa.

Na sua visão, o que falta para o Paraná ser mais competitivo nacionalmente em termos industriais? O que ajudaria o setor a crescer?

Vanderlei: Atualmente, o setor produtivo percebe uma escassez de profissionais funcionais na área tecnológica, algo que impacta não só o Paraná, mas o mundo inteiro. O Estado tem feito um esforço enorme para promover a industrialização, capacitando profissionais e incentivando a modernização dos processos produtivos. Contudo, acreditamos que esses níveis de capacitação devem ser expandidos e descentralizados para alcançar todas as regiões do Estado, alcançando até as áreas mais remotas. O empresário paranaense é resiliente e tem grande ânsia de empreender e sobreviver, mesmo diante de um cenário econômico de baixa previsibilidade. O desafio está em equilibrar esse impulso com a falta de expectativas positivas no ambiente econômico. Para isso, o Estado poderia avançar, a médio e longo prazo, em um processo de mecanização, automação e implementação da vocação tecnológica. É fundamental incluir essa cultura nas grades curriculares básicas e disseminá-la via entidades interligadas em todo o Estado, fomentando o surgimento de uma nova geração de profissionais preparados para essa realidade inevitável. Além disso, adotar estratégias claras e simplificadas de estímulo à vocação tecnológica, incentivando empresas que desenvolvem ou consomem tecnologia por meio de políticas de fomento e incentivos fiscais direcionados. A abdicação responsável da arrecadação — com isenções ou reduções tributárias sobre máquinas, equipamentos e investimentos em automação e inovação — pode acelerar investimentos, construindo empresas mais competitivas, com profissionais mais qualificados e empregos com remuneração de melhor qualidade. Com produtos fabricados com mais eficiência, qualidade e inovação, o Paraná, que já possui forte vocação empreendedora, será mais forte, com um parque industrial sustentável e competitivo.

Concorrer com marcas como Tramontina exige um nível de excelência que nem sempre é percebido pelo consumidor final. O que garante a sustentabilidade dessa disputa no longo prazo?

Vanderlei: As atenções da empresa sempre foram voltadas para dentro dela, focando no desenvolvimento de competências internas, na excelência produtiva e, principalmente, em atender nossos clientes — varejistas, distribuidores e consumidores — com dedicação, inovação e confiabilidade. A GhelPlus, com suas marcas GhelPlus, Duranox e De Bacco, trabalha para entregar produtos com qualidade, sofisticação e desempenho. Esse compromisso com a entrega é o que sustenta a empresa no mercado. Mais do que se preocupar apenas com a concorrência, o foco sempre foi desenvolver soluções que gerem valor ao mercado. Para os nossos clientes varejistas e distribuidores, a empresa sempre teve a preocupação extrema de dar segurança — seja na consistência dos processos, na estrutura de vendas, na entrega, no suporte técnico ou no atendimento ao consumidor.

O que o consumidor brasileiro valoriza hoje nesse tipo de produto — e o que mudou nos últimos anos em termos de comportamento e exigência?

Vanderlei: O ambiente doméstico das pessoas passou a ser visto como um espaço de bem-estar, conforto e bons momentos. A empresa, atenta a essa mudança, tem desenvolvido suas linhas de produtos com o objetivo de proporcionar ao consumidor um lar mais funcional e agradável — de modo que cada pessoa que adquire um produto de nossas marcas sinta que este produto agregou melhoria de vida em seus lares. Hoje, o consumidor valoriza muito mais do que a utilidade: ele busca sofisticação, desempenho, design e funcionalidade. Por isso, nossa atuação é guiada por esse entendimento — acompanhando tendências, ouvindo o mercado e inovando constantemente para oferecer produtos que se conectem aos desejos e expectativas de quem compra.

O que esperar do futuro da indústria paranaense?

Vanderlei: Falar do futuro no Brasil, mesmo regionalmente, é sempre um desafio. O ambiente ainda é impactado por inseguranças políticas, econômicas, jurídicas, tributárias e trabalhistas, que comprometem a previsibilidade necessária ao investimento de longo prazo. Enquanto essas incertezas permanecerem, a única convicção que se pode ter é a de que cabe empreender tendo que tomar decisões a cada momento. O Paraná tem uma população trabalhadora, resiliente e empreendedora. Se os elementos externos permitirem um ambiente mais estável, esse potencial certamente será catalisado. Já se percebe, em diversas regiões do Estado, o surgimento de ecossistemas produtivos baseados em tecnologia e inovação, com empresas nascendo fora dos grandes centros e se tornando referência. Isso se traduz em produtos de maior valor agregado, profissionais mais preparados e uma economia estadual mais forte.

Quais as próximas metas e passos da empresa?

Vanderlei: Os anseios da empresa, que refletem os de seus sócios e diretores, são bastante elevados. No entanto, o cenário instável anteriormente referido ainda inspira cautela, exigindo atenção para que a empresa mantenha sua estabilidade e avance com responsabilidade em seus processos de modernização. Os próximos passos continuam no sentido de desenvolver a capacitação de pessoas, aprimorar processos, fortalecer parcerias internacionais, realizar investimentos em tecnologia e ampliar a linha de produtos, garantindo a continuidade dessa trajetória de sucesso. A empresa buscará manter-se bem estruturada e socialmente responsável, assegurando oportunidades e renda aos colaboradores, além de promover a prosperidade da comunidade e de todos os seus parceiros.

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