A conectividade é hoje uma das principais engrenagens do desenvolvimento econômico. No Brasil, o avanço das redes móveis e fixas tem sido determinante para impulsionar produtividade, atrair investimentos e reduzir desigualdades regionais. Nesse cenário, a frequência de 700 MHz assume papel essencial para garantir que a transformação digital chegue a todas as regiões do país de forma ampla, estável e acessível.
Usada para ampliar o alcance do 4G e viabilizar o 5G em áreas mais distantes, essa faixa oferece maior cobertura e melhor penetração de sinal em ambientes internos.
Segundo a Anatel, sua utilização pode reduzir em até 30% o custo de implantação das redes, tornando mais viável levar conectividade a locais onde outras frequências exigiriam mais antenas e investimento. Esse é o tipo de eficiência operacional especialmente importante para um país que tem a inclusão digital como um desafio ainda expressivo.
De acordo com a PNAD Contínua TIC 2024 (IBGE), 93,6% dos domicílios brasileiros utilizavam internet no ano passado, o equivalente a 74,9 milhões de lares.
Apesar do avanço, ainda há 6,4% sem acesso. Nas áreas rurais, a diferença permanece significativa: 84,8% dos domicílios tinham conexão, ante 94,7% nas zonas urbanas – uma diferença de cerca de 9 pontos percentuais. Os números evidenciam o potencial do 700 MHz para reduzir desigualdades regionais e conectar áreas que ainda permanecem à margem da economia digital.
A discussão em torno da faixa deve ganhar força nos próximos meses, já que o setor aguarda os próximos passos regulatórios relacionados ao uso do 700 MHz.
Entre as expectativas estão iniciativas que possam ampliar a cobertura 4G e fortalecer a conectividade em localidades menores e em rodovias, bem como ampliar oportunidades para provedores regionais. Essas definições podem abrir espaço para novos compromissos de cobertura e critérios que integrem objetivos técnicos, sociais e ambientais – sempre com foco em aumentar o alcance da conectividade e promover práticas mais sustentáveis no setor.
De acordo com a GSMA, cada aumento de 10% na penetração da banda larga móvel pode elevar o PIB per capita em até 1,5% em economias emergentes.
Ou seja, investir em conectividade é investir em crescimento econômico. E com o 700 MHz, tecnologias como Internet das Coisas (IoT), telemetria e automação se tornam mais acessíveis, viabilizando soluções práticas para empresas, hospitais, indústrias, agronegócio, logística e serviços públicos.
Em um hospital, por exemplo, a conectividade estável pode garantir o funcionamento de sistemas críticos, prontuários digitais e telemedicina. Para empresas, a faixa pode ampliar eficiência operacional, melhorar comunicação entre filiais e viabilizar automação. No campo, permite monitoramento remoto de lavouras e máquinas, reduzindo custos e aumentando produtividade.
Para o Paraná, o impacto também é relevante. O estado foi o que mais avançou na conectividade rural entre 2023 e 2024, segundo dados da Anatel, saltando de 51,7% para 62,2% de cobertura – o maior crescimento do país. Ainda assim, existem regiões agrícolas e rodovias com baixa cobertura.
O uso mais amplo do 700 MHz tem potencial para preencher esses vazios, impulsionando a economia do campo, a digitalização de pequenas cidades e a integração logística que beneficia diretamente empresas, transportadoras e cadeias essenciais de suprimentos.
Na educação, o avanço também é significativo.
Recentemente, foram instalados 608 km de rede óptica para atender mais 46 escolas estaduais do Paraná – o que significa uma média de 13,2 km de infraestrutura construída por unidade.
Cerca de 90% dessa rede foi instalada em áreas rurais, em trechos com postes de menor capacidade e vegetação densa, o que exigiu engenharia de alta complexidade. O resultado é mais do que conectividade: é a criação de uma base digital que fortalece a aprendizagem, aproxima comunidades e amplia as oportunidades para alunos e professores.
Mais do que uma questão técnica, a faixa de 700 MHz é uma oportunidade de transformar conectividade em desenvolvimento.
Ela permite levar acesso de qualidade a quem ainda está desconectado, fortalecer negócios locais e assegurar que serviços essenciais – como saúde, educação, segurança e logística – funcionem com mais eficiência.
Conectar o Brasil é impulsionar seu crescimento, e o 700 MHz é uma das chaves para garantir que essa rede chegue a todos, com eficiência, inovação e propósito.