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Burguer King e Betinho: o que as marcas podem aprender?

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Burger King Betinho Economia PR
Foto: Reprodução Youtube BK

Recentemente, um acontecimento ganhou destaque e mobilização social no país: o caso do jovem Roberto Farias Thomaz, que foi abandonado na trilha do Pico Paraná e precisou lutar pela vida até encontrar ajuda. Após o ocorrido, ele foi procurado pelo Burguer King para realizar uma campanha nas redes sociais divulgando um dos produtos da rede.

Mas, para além disso, a ação traz outra mensagem, que é a aproximação do “lado mais fraco”.

É simples compreender que lado é esse. Podemos imaginar um jogo de Copa do Mundo entre uma forte equipe e outra menos qualificada. Caso o telespectador não seja torcedor de nenhuma das duas seleções, ele tenderá a torcer pelo time com menos chance de vitória.

O fato é comum, uma vez que nos identificamos pela empatia e, até mesmo, um certo desejo por justiça.

A proximidade com o elo menos favorecido pode ser explorada pelas marcas, assim como fez a hamburgueria. O apoio a esse lado simboliza maior acolhimento e empatia, o que permite ser uma ampliadora de histórias – promovendo maior identificação do público com o fato e com a rede, que optou por dar um novo significado ao ocorrido. É ainda uma forma de reconhecimento a quem atravessou pelo pior cenário possível.

timing é sempre importante. A marca precisa entender de forma humana o que se passou com quem vai ser a voz da sua campanha, respeitando o tempo e o espaço para a realização da ação sem que o rosto dela seja afetado.

No caso de Betinho, a publicidade envolvendo-o apenas foi concretizada após toda a sua reabilitação. Para outras ocasiões, a decisão não pode ser diferente. É o que também promove mais tempo para o público se identificar com o “personagem principal”.

É preciso que a rede também compreenda quais são os limites e os riscos possíveis. Entender quais histórias podem ou não ser contadas nesse formato e terem esse apelo é primordial.

Em casos de desfechos positivos, como o de Betinho, vale a pena a estratégia. Porém, em situações distintas, o foco deve ser redirecionado para outros planos de ação.

Explorar esse campo requer um trabalho minucioso e preciso. Para que o resultado seja bom, o apoio ao elo mais frágil tem que haver humanização em vez de sintetização.

É necessário que a marca faça o que outras não fazem, que é olhar para rosto da publicidade com uma visão empática e não como mais uma campanha. É uma tarefa que envolve relatos, vida e futuro.

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Erlon Labatut é consultor associado à ABF – Associação Brasileira de Franchising, administrador pela UFPR e Mestre em Eng. Industrial pela UTFPR. Possui larga experiência em múltiplas áreas: mais de 50 empresas atendidas. Erlon possui mais de 20 anos de atuação no setor de negócios e varejo, sendo 14 destes dedicados totalmente ao franchising – sendo uma das maiores autoridades do setor no país. Atuou como coordenador do curso de franchising da ISAE-FGV e também como coordenador do Empretec.

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