A instabilidade do clima de Curitiba já faz parte do folclore popular. Ao mesmo tempo em que a cidade vive um boom imobiliário, surge a necessidade de projetos arquitetônicos inovadores adequados às demandas de sustentabilidade e às mudanças climáticas.
O OÁS, que será o edifício mais alto de Curitiba, construído pela Thá Engenharia, consolida no mercado paranaense um novo conceito de construção sustentável: as fachadas ventiladas.
O empreendimento de 50 andares contará com 7 mil metros quadrados de fachadas ventiladas, técnica que alia durabilidade, sustentabilidade e conforto térmico. Diferente dos revestimentos tradicionais aderidos, que podem sofrer com a ação do tempo, variações de temperatura e risco de fadiga, a fachada ventilada é mais maleável para absorver as movimentações naturais da estrutura do edifício.
A solução contribui também para o conforto acústico, já que o afastamento entre as placas funciona como um colchão de ar que reduz os ruídos externos e proporciona maior bem-estar aos moradores. O design também corta o efeito cascata da água da chuva e protege as paredes contra as intempéries.
“Esse modelo foi escolhido após estudos que levaram em consideração não só a instabilidade climática de Curitiba, mas também a altura do edifício. Essas características exigem soluções inovadoras, sustentáveis e seguras, capazes de garantir a durabilidade e a eficiência do edifício”, destacou Willian Canfield, engenheiro na Thá.
A fachada ventilada é composta por um revestimento de porcelanato instalado de forma destacada da parede, com o uso de uma estrutura auxiliar, criando uma câmara de ar contínua entre o material e a estrutura. Esse espaço, que pode variar de cinco a 180 milímetros, promove o chamado efeito chaminé e será imperceptível aos moradores.
“O ar frio entra pela base da fachada, aquece à medida que sobe e sai pela parte superior, mantendo o ambiente interno mais fresco nos dias quentes. Essa circulação faz o edifício ‘respirar’, reduzindo o acúmulo de calor nas paredes e diminuindo a necessidade de uso de ar-condicionado”, explicou Paloma Bezerra, engenheira e consultora da obra.
O engenheiro Willian explica ainda que, ao impedir a transferência direta de calor para as paredes, esse design contribui para a circulação do ar nos dias mais quentes diminuindo a temperatura interna em até 10°C.
“Nas fachadas convencionais, o que ocorre é o efeito inverso, as paredes acumulam calor durante o dia e, quando a temperatura externa cai à noite, esse calor é liberado para dentro do edifício, gerando desconforto e aumento da carga térmica interna”, afirmou.
Além de diminuir o consumo de energia elétrica, por toda a vida útil do empreendimento, o projeto elimina o uso de grandes volumes de argamassa e gera menos resíduos de obra, diminuindo o impacto ambiental e reduzindo o tempo de execução da obra.
Com previsão de entrega para 2027, o edifício está localizado na esquina das ruas Padre Anchieta e Jerônimo Durski, no bairro Campina do Siqueira, o OÁS, um empreendimento da GT Building, que terá 50 andares com 60 unidades habitacionais.
As áreas comuns ocuparão os últimos três andares, com piscina panorâmica, sauna, espelho d’água e um mirante em balanço com piso de vidro no 48º pavimento, que permitirá observar a cidade em 360°.