Economia de tempo e geração de novas ideias. É assim que os donos de pequenos negócios e microempreendedores individuais estão aplicando as ferramentas de Inteligência Artificial nas suas empresas.
Um levantamento feito pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) e o Google revela que o nível de familiaridade dos empreendedores com essa tecnologia cresce na mesma proporção do porte do negócio e que a falta de orientação ainda é o maior obstáculo para um incremento no uso da IA no dia a dia das empresas.
A principal finalidade do uso de IA nas médias e grandes empresas é análise de dados (67%), enquanto nas micro e pequenas empresas (MPEs) e entre os microempreendedores individuais (MEIs), a prioridade é o combo marketing e divulgação (59% e 74%, respectivamente).
Segundo a pesquisa, 99% das médias e grandes empresas dizem estar familiarizadas com plataformas de IA Generativa, como ChatGPT ou Gemini.
Esse nível de conhecimento é de 96% entre as MPEs e cai para 87% entre os MEIs. Já o uso frequente dessas ferramentas está em 35% entre médias e grandes, 15% entre as MPEs e 18% entre os microempreendedores individuais.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirma que o mundo da Inteligência Artificial é uma realidade para a qual não haverá retrocessos e inserir as pequenas empresas nessa revolução é imprescindível para assegurar que a economia do país continue crescendo de forma consistente e com inclusão.
“A inovação tecnológica é um novo paradigma para os pequenos negócios, a exemplo da sustentabilidade socioambiental. Nesse sentido, precisamos apoiar o desenvolvimento de políticas públicas que facilitem o acesso desses empreendedores. Isso passa, necessariamente, por mais orientação e acesso a crédito para que eles possam tornar viáveis esses avanços, apoio que eles podem encontrar no Sebrae”, comenta.
Segundo a pesquisa, a preocupação com segurança (35%) é a principal dificuldade apontada pelas médias e grandes empresas para a aplicação da IA nos negócios. Já para as MPE e MEI a questão da cibersegurança é um ponto de atenção apenas para 12% e 10% dos empreendedores, respectivamente.
Ainda segundo os dados do levantamento, 30% das MPE afirmam não ter “nenhuma dificuldade” com o uso de IA, enquanto o obstáculo mais citado pelos MEI é “não saber como aplicar no negócio” (23% dos microempreendedores individuais).
A pesquisa revela que os resultados práticos do uso da IA pelas empresas varia significativamente de acordo com o porte do negócio.
Para as médias e grandes corporações, o aumento de produtividade é o benefício mais apontado (42%), contra 22% nas MPE e 13% entre os microempreendedores individuais.
Já a economia de tempo é o resultado mais lembrado pelas MPE (34%), enquanto entre as médias e grandes e os MEI essa proporção cai para 25% e 24%, respectivamente.
Por último, entre os microempreendedores individuais, o benefício mais citado alcançado com o uso da IA foi a geração de novas ideias (41%), contra 22% nas MPE e 13% nas médias e grandes.
A pesquisa ouviu cerca de 5.000 empresas em setembro de 2025.