Pesquisar

Dinheiro e autonomia: por que esse ainda é um desafio para muitas mulheres?

dinheiro mulheres autonomia
Foto: Divulgação

Empreender, para muitas mulheres, começa como um desejo de autonomia. Para Patrícia Baudy, fundadora da Confidence Semijoias, foi também um caminho de autoconhecimento, disciplina financeira e transformação coletiva.

Sua trajetória revela que lidar bem com o dinheiro não é apenas uma questão de números, mas de postura, clareza e propósito.

Movida pela vontade de ser dona do próprio negócio e transformar a vida de outras mulheres, Patrícia enxergou nas semijoias muito mais do que acessórios. Elas se tornaram símbolos de autoestima, expressão pessoal e independência.

“Eu sempre acreditei que o dinheiro seria consequência do valor que eu entregava”, afirma. Essa visão guiou cada etapa do seu crescimento.

Fundada há 14 anos, em Curitiba, a Confidence nasceu de um investimento inicial de R$ 5 mil e, hoje, alcança um faturamento anual de R$ 10,5 milhões.

Desde 2014, a marca opera com um modelo de revenda por consignação, criando oportunidades para mulheres que desejam empreender, muitas vezes sem capital inicial. Mas, junto com a chance de vender, vem um desafio recorrente: aprender a se organizar financeiramente e, principalmente, aprender a cobrar.

Dinheiro, cultura e culpa: os obstáculos invisíveis

Patrícia observa que muitas mulheres chegam ao empreendedorismo sem noção clara do quanto ganham ou gastam. Há dificuldade em precificar, cobrar clientes e separar as finanças pessoais das empresariais.

“Para aprender a vender, é preciso aprender a cobrar”, diz.

No consignado, esse ponto costuma ser um gargalo e também um reflexo de barreiras culturais.

Não é raro que mulheres sem independência financeira ainda escondam gastos dos parceiros ou prefiram pagar em dinheiro. A relação com o dinheiro, muitas vezes, vem atravessada por culpa, medo e insegurança. Superar isso exige educação financeira, mas também mudança de mentalidade.

Controle, reinvestimento e visão de longo prazo

Desde o início, Patrícia adotou uma postura estratégica. Durante anos, viveu com o básico para reinvestir tudo no negócio, ciente de que o ciclo financeiro do consignado é mais longo.

“O dinheiro demora para entrar em caixa. É preciso paciência e planejamento”, explica.

Hoje, as finanças da Confidence são tratadas como um pilar estratégico, sustentadas por três frentes:
sustentabilidade e consistência, com foco em lucro real; segurança e planejamento, com controle de fluxo de caixa, DRE (Demostrativo Real de Lucro) e reservas financeiras; e um modelo financeiro que transforma renda em oportunidade, garantindo crescimento também para revendedoras e pontos de venda.

A análise trimestral e anual dos demonstrativos financeiros permite decisões mais conscientes e evita que o crescimento seja apenas aparente.

“Faturar muito não significa ganhar bem”, reforça.

A marca curitibana vem ganhando expansão nacional, em 2025 lançou um novo formato de franquia na Feira do Empreendedor Sebrae, o Quiosque Confidence. Resultado da visão que integra rentabilidade e propósito.

Separar, organizar, fortalecer

Entre os aprendizados mais importantes da sua trajetória estão separar as contas pessoais das empresariais, definir um pró-labore com rigor e criar reservas financeiras para enfrentar imprevistos.

Roubos, extravios e prejuízos fazem parte da realidade de quem empreende e o preparo emocional é tão importante quanto o financeiro.

“Empreender é se preparar para o inesperado”, diz Patrícia.

Frustração existe, mas não pode paralisar. A atitude prática diante das dificuldades é o que mantém o negócio vivo.

Investir em pessoas também é estratégia financeira

Na Confidence, investir em gente é parte do modelo de crescimento. A empresa subsidia estudos, três graduações e uma pós-graduação, paga integralmente o plano de saúde dos colaboradores e acredita que desenvolvimento humano gera inovação.

Hoje, são 48 colaboradores diretos, 32 representantes comerciais, 420 revendedoras e 4.200 pontos de venda em 14 estados brasileiros.

“Quando você investe em quem caminha com você, o retorno vem em forma de inovação, comprometimento e impacto social”, afirma.

Cinco lições financeiras para mulheres que estão começando

A experiência de Patrícia Baudy se traduz em aprendizados valiosos para quem deseja uma relação mais saudável com o dinheiro:

  1. Separe o dinheiro pessoal do dinheiro do negócio, mesmo que ele seja pequeno.
  2. Não é sobre quanto você ganha, mas sobre como administra.
  3. Conheça seu custo de vida antes de querer ganhar mais.
  4. Nunca dependa de uma única fonte de renda.
  5. Comece a guardar dinheiro antes de sobrar.

Mais do que fórmulas prontas, essas lições apontam para um caminho de autonomia consciente. Um percurso em que o dinheiro deixa de ser tabu e passa a ser ferramenta de liberdade.

Como resume Patrícia: 

“Quando uma mulher vence, ela abre portas para muitas outras.”

Compartilhe

Leia também

ALI Produtividade Economia PR

ALI Produtividade abre 750 vagas para pequenas indústrias paranaenses

Mercosul-UE Fusões Economia PR

Acordo Mercosul-UE deve impulsionar fusões e aquisições no Brasil

UNICEF Parquetec Economia PR

UNICEF e Itaipu Parquetec firmam parceria inédita de inovação