O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia tem potencial para impulsionar as atividades de fusões e aquisições (M&A) no Brasil e atuar como um catalisador estrutural para a atração de investimentos internacionais, criando um ambiente favorável para o aumento de players europeus no mercado brasileiro, principalmente a partir de aquisições estratégicas e joint ventures.
A avaliação é da Redirection International, empresa especializada em assessoria de fusões e aquisições cross-border.
Segundo o economista e sócio da Redirection International, Adam Patterson, o tratado deve estimular a integração de cadeias de valor, posicionando o Brasil como um hub industrial e produtivo, com ganhos estruturais, a médio e longo prazo.
“O acordo reduz as incertezas regulatórias, que são um elemento fundamental para as transações de M&A, e traz previsibilidade jurídica, melhorando a atratividade dos ativos brasileiros frente a outros mercados emergentes.”, explica.
A União Europeia já figura como a segunda maior parceira comercial do Brasil e é, atualmente, o maior investidor estrangeiro, concentrando cerca de metade do estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no país.
No ano passado as transações cross-border envolvendo empresas europeias e brasileiras – contemplando as operações de entrada e saída apenas dos principais países europeus do bloco – chegaram a R$36,6 bilhões, totalizando 126 operações de M&A, segundo informações da Transactional Track Record (TTR).
“Enxergamos o acordo Mercosul–União Europeia como um vetor estruturalmente positivo para o ambiente econômico e de investimentos no Brasil. Embora os impactos macroeconômicos estimados – cerca de 1% do PIB ao longo dos próximos 20 anos – sejam graduais, o tratado cria um pilar adicional relevante de previsibilidade, integração e segurança jurídica para o dealmaking entre os dois blocos”, destaca Patterson. “A materialização deste potencial dependerá da execução, mas vemos uma possibilidade clara claro de aumento do dinamismo em M&A cross-border”, complementa.
Ele lembra que o acordo sinaliza uma aposta na abertura comercial, na previsibilidade regulatória e no comércio como vetores de crescimento econômico sustentável, ao combinar a liberalização comercial com mecanismos de salvaguarda e compromissos relevantes em áreas como sustentabilidade, inovação, saúde, geração de empregos e agricultura familiar.
“A expectativa é de que o acordo contribua para o fortalecimento do ambiente de investimentos e impulsione, de forma gradual e estrutural, a atividade de M&A, com impactos mais evidentes em setores como automotivo e autopeças, máquinas e equipamentos, farmacêutico, cosméticos, além de serviços financeiros, telecomunicações e logística”, conclui Patterson.