O varejo brasileiro revela diferenças importantes no comportamento digital de homens e mulheres. Dados recentes de buscas no Google mostram que, ao interagir com o termo “comprar no varejo”, as mulheres representam 84,7% do interesse, contra apenas 15,3% dos homens.
Já no termo “vender no varejo”, o cenário se inverte: 62,9% das interações são feitas por homens, enquanto 37,1% partem do público feminino. O resultado reforça uma divisão clara sobre como cada grupo utiliza a internet quando o assunto é consumo e negócios.
O interesse feminino nas buscas relacionadas a compras no varejo dialoga diretamente com dados de consumo no Brasil. Segundo levantamento da Nielsen, as mulheres são responsáveis por 96% das compras nos lares brasileiros, o que ajuda a explicar a maior presença delas em pesquisas ligadas à aquisição de produtos.
Esse cenário também está ligado a características recorrentes do comportamento do consumidor feminino, como:
- maior tendência a pesquisar antes de comprar;
- atenção à qualidade e ao custo-benefício;
- influência nas decisões familiares;
- preocupação com utilidade e durabilidade dos produtos.
Nos últimos anos, as mulheres também passaram a ocupar novos espaços dentro do varejo brasileiro. Um exemplo é o setor esportivo, historicamente associado ao público masculino.
Dados da Centauro mostram que elas vêm se tornando clientes cada vez mais relevantes nesse segmento, não apenas comprando para consumo próprio, mas também investindo em itens mais caros.
Se o público feminino lidera o consumo, os homens demonstram maior interesse em atuar na venda e na estruturação de negócios. Inclusive, o Monitor Global de Empreendedorismo (GEM), de 2024, mostrou que 53,2% dos empreendedores do país são homens.
O estudo também indica que mais de 70% deles são motivados por objetivos como construir riqueza, fazer a diferença no mundo e garantir sustento em um cenário de escassez de empregos. Assim, esses fatores ajudam a explicar a presença masculina nas buscas relacionadas a comercialização e atuação profissional no varejo.
Na prática, a atuação masculina se concentra em diferentes frentes. O levantamento aponta que oito segmentos distintos concentram mais de 80% dos negócios liderados por homens. Nesse sentido, os destaques são o comércio varejista e os serviços de manutenção e reparação de veículos.
Além disso, dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) mostram que 40,3% dos revendedores autônomos já são homens, indicando diversificação da presença masculina e maior inserção em modelos de venda direta.
No cenário estadual, o Paraná vem se destacando no desempenho do comércio varejista. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que as vendas no Estado cresceram 2,6% no acumulado de 2025 até agosto, acima da média nacional de 1,6% no mesmo período.
Nos últimos 12 meses, o avanço também foi de 2,6%, superando o índice brasileiro de 2,2%. Segmentos como eletrodomésticos, móveis e eletrodomésticos e tecidos, vestuário e calçados estão entre os principais responsáveis pelo resultado positivo.
O bom momento também se reflete no faturamento. De janeiro a agosto, a receita nominal do varejo paranaense avançou 8,4%, acima da média nacional de 7,2%. Em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento foi de 5%, mais que o dobro do registrado no País.
Os números reforçam a força do comércio local e mostram como o Estado acompanha e, em alguns momentos, supera a expansão do varejo brasileiro em meio ao avanço da digitalização e das novas dinâmicas de consumo.
O avanço do comércio eletrônico fortalece tanto o consumo quanto as oportunidades de venda. O varejo brasileiro registrou crescimento de 10,5% no último ano, atingindo faturamento de R$ 204,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).
Ao mesmo tempo, a digitalização amplia o acesso ao empreendedorismo e às operações comerciais. O uso de internet, notebook e computador se mantém como base para pesquisa, comparação de preços, gestão de pedidos e organização de negócios, conectando consumidores e vendedores no ambiente online.
A diferença de gênero nas buscas revela que o varejo funciona como um ecossistema complementar: mulheres lideram a jornada de compra e influenciam decisões de consumo, enquanto homens ampliam presença na venda e na criação de negócios.
Esse movimento reflete transformações no perfil do consumidor e na estrutura do varejo brasileiro, cada vez mais digital. Com a expansão do comércio eletrônico e o fortalecimento do acesso à tecnologia, as fronteiras entre consumo e empreendedorismo se tornam mais dinâmicas, abrindo espaço para novos perfis de atuação no setor.