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Como proteger sua marca em um ano de Copa, eleições e distrações

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Foto: Divulgação


Na coluna anterior, falei sobre 2026 como um ano de distrações coletivas.

Carnaval.
Copa do Mundo.
Eleições nacionais.
Feriados prolongados.
Oscilações emocionais e econômicas.

Expliquei por que esse ambiente encarece atenção, fragmenta foco e testa a maturidade institucional das marcas.

Agora, o ponto prático:

como proteger sua marca — e fortalecer reputação — quando o país inteiro muda de assunto a cada semana?

O erro mais comum: reagir ao calendário


Em anos como 2026, empresas tendem a cometer três erros:

1. Oportunismo excessivo – entram em todo hype, comentam todo tema e ajustam discurso conforme a pauta do momento.
2. Silêncio estratégico mal interpretado – confundem prudência com ausência e somem do radar.
3. Polarização improvisada – tomam posições sem método, pressionadas pelo ambiente externo.

O problema não é participar do contexto.
O problema é deixar o contexto definir sua identidade.

Reputação não é campanha. É infraestrutura.

Em períodos de grandes eventos esportivos e ciclos eleitorais, a disputa por atenção aumenta e o ambiente informacional se torna instável.

Marcas que dependem exclusivamente de mídia paga sentem impacto direto:
– CPM mais caro
– Mensagens diluídas
– Conversão menos previsível

Se reputação é tratada como ação pontual, ela sofre junto com o ruído.

Mas quando reputação é construída como infraestrutura, ela funciona como amortecedor.

E amortecedor é ativo estratégico.

O método para 2026: Direção, Ritmo e Proteção

Se 2026 é um teste de maturidade, ele exige método.

Direção: mensagens-mãe inegociáveis

Toda marca precisa definir de forma clara:

– Quais são as três mensagens estruturantes que não mudam ao longo do ano?
– Qual território ela ocupa — independentemente de Copa ou eleição?
– Que valores são estratégicos, e não oportunistas?

Se a sua narrativa muda a cada evento, o mercado percebe fragilidade.

Coerência gera confiança.

Ritmo: constância mínima não negociável

Em ano de distração coletiva, consistência é diferencial competitivo.

Não se trata de volume.
Trata-se de cadência.

Marcas maduras mantêm:
– Presença institucional regular
– Porta-vozes preparados
– Conteúdo alinhado à estratégia central

Enquanto o ambiente oscila, elas mantêm linha reta.

Proteção: governança de posicionamento

Ano eleitoral amplia sensibilidade.

Isso exige:
– Protocolos de posicionamento
– Alinhamento interno
– Critérios claros sobre quando se posicionar — e quando não

Improvisação em ambiente polarizado custa caro.

Reputação não tolera amadorismo.

A diferença entre marcas barulhentas e marcas sólidas

Marcas barulhentas competem por atenção momentânea.

Marcas sólidas competem por significado duradouro.

Em 2026, veremos as duas estratégias em ação.

Algumas marcas crescerão em engajamento pontual.
Outras crescerão em confiança.


E confiança é o que sustenta margem, valuation e longevidade.

O verdadeiro teste

A pergunta que 2026 impõe não é:

“Você vai participar da Copa?”
“Você vai comentar as eleições?”

A pergunta é:

Sua identidade sobrevive a elas?

Se sua marca depende do calendário para existir, ela é refém do ambiente.

Se sua marca mantém coerência em meio ao ruído, ela constrói autoridade.

E autoridade é o ativo que atravessa ciclos.

Conclusão

Carnaval foi o início do teste.

A Copa e as eleições serão a prova.

Mas o resultado final será definido pela disciplina invisível — aquela que mantém narrativa, posicionamento e reputação mesmo quando o país está distraído.

2026 não será o ano de quem grita mais alto.

Será o ano de quem sustenta direção.

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Leonardo Fagundes é estrategista de comunicação e reputação, especialista em posicionamento de marcas, líderes e narrativas. CEO da Apex Comunicação (APX), integra Inteligência Artificial ao PR para construir autoridade real e resultados consistentes. Assina análises sobre branding, narrativas corporativas e influência estratégica, conectando negócios, imagem pública e comunicação de alto impacto.

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