Mulheres que empreendem em Londrina contam com um novo apoio. O Sebrae/PR lançou a “Trilha Mulheres Globais”, um programa de capacitação e posicionamento estratégico voltado às mulheres empreendedoras que desejam começar ou aumentar a exportação de seus produtos e serviços.
Realizado no Espaço Conecta, em Londrina, o evento contou com a participação de 30 mulheres da região Norte do Paraná que atuam em diversos setores como moda, comunicação, consultoria, eventos e indústria alimentícia e aconteceu na última quinta-feira (26).
O objetivo é fortalecer as mulheres no mercado internacional. Para isso, a partir de abril a instituição irá oferecer a trilha organizada em quatro etapas, com duração de 30 dias cada.
O primeiro mês será dedicado ao posicionamento internacional, o segundo ao estudo do produto e modelo de venda, o terceiro será destinado à precificação e modelo de negócio adequados ao mercado onde se deseja atuar e, no quarto mês, o foco é o acesso ao mercado e participação em rodadas de negócios internacionais.
“Em todas as fases, as empreendedoras farão entregas como parte prática da capacitação técnica. Serão oficinas e workshops coletivos, pensando em conexão e colaboração, mas também terão momentos de mentorias individuais. Tudo isso para dar respaldo e segurança para quem deseja levar as suas soluções também para o mercado externo”, explica a consultora do Sebrae/PR, Danúbia Milani.
Danúbia afirma que a intenção é que, ao final da trilha, as empreendedoras participem das rodadas de negócios da Expo Paraguay Brasil 2026. As datas oficiais do evento ainda não foram divulgadas.
“Mesmo que a pessoa não tenha no radar vender para o país vizinho, essa é uma excelente oportunidade para treinar como apresentar seus produtos e serviços para novos mercados e, ainda, testar a aceitação de um novo público”, destaca a consultora.
Liz Paludetto Rodrigues, diretora de Governança e Relações Internacionais da Prefeitura de Londrina, afirma que o Poder Público é um incentivador do encontro.
“Nossa experiência mostra que diversos outros países estão abertos a parcerias. Entender que existe uma estrutura de apoio para a capacitação técnica e burocrática é importante para quem quer começar a exportar ou quem deseja ampliar mercados. Acho interessante quando o negócio é pensado de maneira global porque, parece, que a operação local fica até mais fácil”, opina Liz.
Diferentes níveis de experiência com o mercado externo foram encontrados entre as empreendedoras que participaram do lançamento da Trilha de Mulheres Globais, em Londrina. Gracia Crescencio, diretora da Estilinho Confecções, de Alvorada do Sul, conta que a primeira exportação ocorreu após a participação da empresa de confecção infantil na Expo Paraguay Brasil, no ano passado.
“Nós temos mais de 30 anos de mercado. São quase 4 mil metros quadrados de unidade fabril, com produção de 60 mil peças mensais e vendas diretas para lojistas, a partir da nossa loja no VestSul em Maringá, ou de representantes espalhados por todo País. Mesmo assim, a gente só percebeu que era possível exportar a partir de um convite do Sebrae/PR para participar da Feira. Participamos do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), parceria da instituição com Apex, mas gostei muito da ideia de participar de um programa voltado para a liderança feminina e que, além de todas as particularidades das vendas para fora do Brasil nos prepara, também, para as reuniões, conversas e apresentação dos nossos produtos com pessoas de outros países”, conta Gracia.
Com foco no mercado da América do Sul, a influencer e artesã Erika Masaoka, da EM Handmade, também disse estar empolgada com a participação na trilha destinada às empreendedoras.
“Sempre desejei vender meus acessórios para fora e esbarrava no desafio da escala de produção, já que os produtos são fabricados de maneira manual. Há cerca de três semanas tive o meu primeiro contato com a equipe da PEIEX que me apresentou a trilha. Entendo que isso faz muito sentido para o momento e desejo que eu tenho para a marca”, aponta Erika.
A psicóloga e pesquisadora Salete Arenales, proprietária da marca Arenales Books, também afirma querer ampliar o mercado para uma solução criada por ela em 2011, fruto de uma pesquisa acadêmica.
“Na prática clínica eu percebi o desafio que era a abordagem com adolescentes. Diferente das crianças, que normalmente conseguem expressar sentimentos e situações por meio do lúdico, e o adulto que consegue elaborar na fala, o adolescente pode apresentar uma dificuldade em como organizar e expressar tudo isso. Por isso, durante o meu doutorado desenvolvi um jogo de tabuleiro que pode ser um facilitador para o profissional que, independente do país de atuação, pode enfrentar este desafio clínico”, conta.
Em 15 anos, o jogo já foi vendido para profissionais de sete países da América Latina e Europa.
“Eu entendo que ele tem um potencial enorme. Por isso, neste momento quero me dedicar mais ao empreendedorismo e, assim, colaborar com o trabalho de outros colegas e ajudar adolescentes de todo o mundo”, afirma Salete.