Nos últimos anos, o Sul do Brasil tem enfrentado extremos climáticos cada vez mais frequentes. O Paraná alterna períodos de estiagem severa com chuvas intensas que sobrecarregam sistemas urbanos. Santa Catarina e Rio Grande do Sul vivem episódios recorrentes de enchentes, seguidos por dificuldades de abastecimento.
Em comum, um ponto: a água deixou de ser um recurso invisível na rotina dos condomínios e passou a ocupar o centro das decisões administrativas.
É nesse cenário que o Grupo Eko anuncia a criação da H2Eko, nova empresa dedicada à reutilização inteligente da água em empreendimentos residenciais e comerciais da região Sul do Brasil.
A operação nasce com a missão de comercializar com exclusividade, no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, um equipamento capaz de tratar e reaproveitar tanto a água da chuva quanto a chamada água cinza, proveniente de chuveiros, pias e máquinas de lavar, uma Estação de Tratamento de Água Cinza (ETAC).
A tecnologia já aplicada em condomínios de outras regiões do país demonstra impacto direto na redução de custos e no uso consciente do recurso hídrico.
Em um dos empreendimentos onde o sistema foi implantado, a economia mensal na conta de água ultrapassou R$ 3 mil, representando cerca de R$ 40 mil por ano. Em outro caso, após investimento inicial na instalação do sistema, a conta de água, que era superior a R$ 4 mil mensais, foi praticamente zerada.
O diferencial do equipamento está no tratamento estruturado da água cinza. Diferente da simples captação de água da chuva, o sistema realiza uma sequência de filtragens físicas e químicas. A água passa por filtro primário, mídias filtrantes com gramatura adequada para retenção de resíduos, filtros de zeólita e carvão ativado, além de clorador orgânico que completa o processo de descontaminação.
O resultado é uma água própria para usos não potáveis, como irrigação de jardins, lavagem de garagens, calçadas e áreas comuns, preservando a água tratada para consumo humano. Na prática, a ETAC atua como uma estação compacta integrada ao condomínio, permitindo que a água que seria descartada retorne ao ciclo de uso interno.
A instalação pode ser adaptada a diferentes perfis de empreendimento. A água de sabão dos apartamentos é captada por gravidade, direcionada a uma estação compacta de tratamento e armazenada em reservatório específico para reuso. A operação inclui sinalização adequada nas torneiras e pontos de irrigação, reforçando que se trata de água não potável, mas reutilizada de forma segura.
Do ponto de vista técnico, há critérios importantes na operação do sistema. A água cinza, mesmo tratada, possui maior potencial de geração de micro-organismos quando armazenada por longos períodos, razão pela qual o projeto orienta reservatórios menores e uso frequente, evitando deterioração da qualidade.
Já a água da chuva pode ser armazenada em cisternas maiores, desde que mantida separada do volume principal de água cinza, preservando estabilidade e reduzindo risco de contaminação cruzada.
Para o Grupo Eko, a criação da H2Eko representa um movimento estratégico de expansão alinhado ao seu histórico de atuação em sustentabilidade urbana. Conhecida pela gestão de resíduos e soluções ambientais voltadas a condomínios, a empresa amplia agora sua presença no ciclo dos recursos naturais.
“Essa tecnologia conecta propósito ambiental com resultado financeiro real para os condomínios. Não estamos falando apenas de sustentabilidade como discurso, mas de eficiência operacional, redução de custo e uso inteligente de um recurso cada vez mais estratégico: a água”, afirma Roberto Lopes, cofundador do Grupo Eko.
A nova empresa nasce dentro da área de Novos Negócios do grupo, estrutura criada para desenvolver soluções convergentes com o universo ambiental já atendido.
“A decisão de atuar na reutilização da água combina coerência estratégica e oportunidade de mercado. A economia hídrica deixou de ser discurso e tornou-se necessidade financeira. Em muitos condomínios, a tarifa de esgoto é proporcional ao consumo de água. Ao reduzir a demanda por água tratada para atividades não potáveis, o impacto aparece diretamente na conta mensal”, explica Lopes.
A H2Eko atuará com dois modelos comerciais: venda direta do equipamento ou formato de implantação estruturada, permitindo ao condomínio aderir ao sistema sem investimento inicial elevado, mediante modelo contratual específico.
A expectativa é iniciar as primeiras implantações no Sul ainda neste ciclo, consolidando cases regionais que comprovem economia real e eficiência operacional.
Em um momento em que o Paraná discute segurança hídrica, planejamento urbano e adaptação às mudanças climáticas, a proposta da H2Eko não é apenas tecnológica, trata-se de transformar desperdício em recurso e custo fixo em gestão estratégica.