O preço médio do óleo diesel no Brasil atingiu a marca histórica de R$ 7,22 nesta sexta-feira (20), segundo levantamento da ANP.
A disparada, impulsionada pelo agravamento do conflito entre EUA e Irã, que comprometeu o fluxo no Estreito de Ormuz e fez o petróleo Brent ultrapassar os US$ 115 na última semana, acende um alerta direto sobre o custo logístico no país e intensifica a pressão sobre empresas de transporte, que já operam com margens apertadas.
Para transportadoras com atuação nacional, o impacto é imediato e afeta diretamente a sustentabilidade da operação. É o caso da Buzin Transportes, transportadora gaúcha no mercado há 60 anos e que conta com uma frota de 600 caminhões e realiza fretes em todo o Brasil.
Segundo Leonardo Buzin, CEO da empresa, a alta do diesel compromete não apenas os custos, mas a capacidade de planejamento.
“O combustível é um dos principais custos da operação, representava 30% do custo do frete. No cenário atual ele já consome de 35% a 40% do valor total. Quando temos uma alta dessa magnitude, a pressão no caixa é quase instantânea e afeta diretamente nossa previsibilidade. Em muitos casos, não conseguimos repassar esse aumento na mesma velocidade, o que corrói a margem”, afirma.
O efeito cascata também atinge toda a cadeia: contratos fechados anteriormente perdem rentabilidade, negociações com embarcadores ficam mais tensas e o capital de giro passa a ser consumido mais rapidamente.
Em um cenário de juros elevados, recorrer a crédito tradicional para equilibrar o caixa se torna ainda mais caro, ampliando o desafio financeiro das empresas.
Diante desse contexto, cresce a busca por alternativas que permitam maior controle sobre o fluxo de caixa e independência financeira. Entre elas, ganham espaço os chamados “Mini Bancos”, estruturas que permitem às empresas operarem sua própria lógica de crédito, financiando parceiros, antecipando recebíveis e otimizando o capital de giro de forma mais estratégica.
Segundo Thiago Eik, fundador da Bankme, o modelo surge como uma evolução em relação a instrumentos tradicionais, como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
“O FIDC é uma estrutura mais robusta, com maior complexidade regulatória, custos de implementação elevados e menor flexibilidade operacional. Já o Mini Banco permite que a própria empresa tenha mais autonomia e agilidade na gestão do crédito, adaptando às condições conforme a dinâmica do seu negócio”, explica.
Na prática, enquanto o FIDC costuma ser mais indicado para operações estruturadas e de maior escala, os Mini Bancos se destacam pela capacidade de resposta rápida em cenários voláteis nas médias empresas como o atual, marcado pela disparada do diesel.
“Em momentos de pressão como esse, ter controle sobre a própria liquidez deixa de ser uma vantagem e passa a ser uma necessidade. É isso que permite às empresas atravessarem períodos críticos sem comprometer a operação”, complementa Eik.
Com combustível em níveis recordes, juros elevados e um ambiente global instável, o setor de transporte enfrenta um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos, e a forma como as empresas estruturam seu financeiro pode ser decisiva para sua resiliência nos próximos meses.
“Em um cenário como esse, não se trata só de absorver custo, mas de repensar a forma como gerimos o financeiro. Quem não tiver controle e agilidade para reagir vai sentir esse impacto de forma muito mais intensa nos próximos meses”, finaliza o CEO da Buzin Transportes.