Por Bruno Lage, administrador com MBA em Finanças (FGV); atuou em grandes bancos e family offices. Em 2015, cofundou a Catálise Estruturação e Gestão de Fundos com Marcelo Aoki.
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) sempre foram vistos como instrumentos restritos a grandes empresas ou investidores institucionais. No imaginário de muitos, tratava-se de um produto complexo demais para o investidor individual. Essa percepção, no entanto, vem mudando à medida que o mercado de capitais brasileiro amadurece e amplia suas alternativas de investimento.
Para saber como funciona na prática, é preciso levar em conta que, diferentemente de outros ativos financeiros, os FIDCs financiam operações de empresas e cadeias produtivas em setores como varejo, agronegócio, indústria e serviços.
Durante muitos anos, essas estruturas ficaram concentradas entre investidores profissionais. Com o avanço da regulação e das práticas de governança, porém, o acesso começou a se ampliar. Um marco nesse processo foi a Resolução CVM 175, de 2023, que modernizou as regras dos fundos e abriu espaço para que esse tipo de investimento também chegasse ao público de varejo.
A Catálise Estruturação e Gestão de Fundos, acompanhamos essa transformação de perto. Desde 2024 estruturamos FIDCs também voltados a pessoas físicas. Entre as iniciativas estão os fundos Libra e Catálise, com aplicação mínima de R$ 500.
A vantagem é que os FIDCs podem oferecer retornos superiores aos da renda fixa tradicional justamente por estarem ligados a operações de crédito da economia real. Para investidores que buscam diversificar o portfólio e se aproximar da dinâmica das empresas, esse tipo de fundo abre uma nova porta de acesso à economia real e pode ser um passo importante para construir uma estratégia de investimento mais diversificada e de longo prazo.