De acordo com pesquisa da Companhia de Estágios e da Opinion Box, 80% dos adolescentes da Geração Alpha, nascidos a partir de 2010, se interessam pelo empreendedorismo e pretendem ter o próprio negócio no futuro, mas será que a escola tradicional dá conta de prepará-los para os desafios do mercado?
Para suprir o déficit de educação empreendedora, o casal paranaense Ana Casagrande (30) e Marco Casagrande (33) fundou a Escola Mira, rede de educação que nasceu em Londrina e tem como foco preparar crianças e jovens, de 7 a 17 anos, para desenvolver habilidades essenciais para a vida, como comunicação, resolução de problemas, liderança, pensamento crítico, inovação e empreendedorismo.
A ideia deu certo e já conta com mais de 200 alunos e unidades em Londrina, Maringá e, em breve, deve inaugurar unidades em Curitiba e Cascavel. Agora, a rede inicia uma nova fase após receber o aporte de R$ 1 milhão de dois investidores-anjos.
O capital chega para impulsionar o crescimento via franquias, fortalecer a tecnologia e ampliar o alcance da metodologia inspirada no Vale do Silício, principal polo de inovação e tecnologia do mundo, nos Estados Unidos.
A empresa, avaliada em R$ 10 milhões, faturou R$ 2,2 milhões em 2025 e projeta dobrar o valor em 2026, encerrando o ano com faturamento de R$ 4,3 milhões. Além do Paraná, a iniciativa está conquistando outros estados brasileiros e já se prepara para inaugurar filiais em São Paulo e Santa Catarina.
À frente do negócio, Ana e Marco Casagrande, contam que ambos cresceram cercados por valores do empreendedorismo. Ele ajudava o pai na mercearia e no bar da família, onde aprendeu a lidar com pessoas, dinheiro e estoque, e, sem saber, foram os primeiros pilares que moldaram a visão de negócios.
Aos 16 anos, ingressou como jovem aprendiz em uma multinacional, experiência que o levou a cursar Psicologia e rapidamente ascender na área de RH, tornando-se gerente antes dos 25 anos. Já Ana, criada pelos avós, proprietários de uma vidraçaria, aprendeu com eles sobre a importância da constância, disciplina e ética para o crescimento.
Aos 16 anos, iniciou a trajetória profissional como auxiliar em uma escola infantil. Depois, graduou-se em Contábeis e construiu carreira administrativa em grandes companhias. Foi nesse ambiente corporativo que os caminhos deles se cruzaram, evoluindo para uma parceria de vida e, mais tarde, para sociedade nos negócios.
Com a experiência acumulada no mercado, Marco passou a se envolver em projetos paralelos, estudando de forma autodidata e se destacando como diretor executivo de projetos. Durante esse percurso, identificou um problema recorrente, a dificuldade dos departamentos de RH em compreender as reais necessidades dos negócios e dos CEOs.
Para ampliar ainda mais a sua visão e se inspirar em inovações globais, realizou intercâmbios em 2017 e 2019 para São Francisco (EUA), onde ficou fascinado com as práticas do Vale do Silício.
Com essas experiências e novas ideias em mente, em 2021, investiram R$ 800 mil no primeiro empreendimento, a Mira no Negócio, uma empresa de educação corporativa e desenvolvimento de software para RH.
Porém, no período pós-pandemia, diversos contratos foram cancelados e, apesar do prejuízo, decidiram não retornar ao mercado de trabalho. Para gerar caixa, Marco realizou consultorias, vendeu um terreno e conseguiu quitar todos os débitos. Com isso, perceberam que era o momento ideal para mudar de rota e que carregavam algo em comum: o desejo de construir um projeto próprio, com propósito e impacto real.
Motivados por essa nova perspectiva, Ana e Marco realizaram diversas viagens ao Vale do Silício ainda em 2021, estudando modelos de negócios de multinacionais e hubs de inovação. Assim, identificaram uma lacuna na educação brasileira, a ausência do ensino de habilidades empreendedoras desde a infância.
A partir dessa visão, em 2023, nasceu a primeira turma da Escola Mira em Londrina, um projeto piloto com 35 estudantes. Desde então, começaram a desenvolver metodologias próprias, com base nos estudos de Harvard, na Teoria do Behaviorismo, abordagem da psicologia que estuda o comportamento humano como resultado de estímulos e respostas, e no ensino invertido, onde o facilitador fala no máximo cinco minutos para gerar mais protagonismo às crianças e aos jovens.
Além disso, incorporaram valores do esporte, como a disciplina e a persistência do golfe, modalidade praticada por Marco.
Atualmente a instituição conta com 14 colaboradores e cerca de 200 alunos, que criam negócios reais, apresentam pitchs, resolvem cases e constroem habilidades socioemocionais que tradicionalmente não existem no ensino do Brasil.
As turmas têm capacidade máxima de 20 pessoas, garantindo atenção individual e interação constante. A escola atua com base em sete pilares: generosidade, relacionamentos duradouros, mão na massa, liderança, resolução de problemas, educação financeira e inovação.
Esses princípios norteiam todas as práticas pedagógicas e estruturam o modelo de aprendizagem, desde a criação de projetos até o desenvolvimento das habilidades interpessoais, emocionais e empreendedoras.
Com essa base sólida, o plano para 2026 é consolidar o avanço no franchising, ampliando a presença em novos estados. Além disso, a estratégia inclui intensificar o desenvolvimento de soluções educacionais e tecnológicas, garantindo que os valores da escola se expandam junto com seu crescimento.
O investimento inicial para abrir uma escola da rede começa em R$ 240 mil, com faturamento médio mensal de R$ 150 mil previsto após dois anos de operação.