Por Eiki Higaki, Diretor de Operações da Construtora Elevação
Ao longo da minha trajetória, observei a engenharia brasileira passar por diversas fases, mas o momento que vivemos hoje é, sem dúvida, o mais vibrante e desafiador. Em 2026, não estamos apenas operando em um mercado mais complexo; estamos protagonizando um verdadeiro salto de maturidade.
A questão central agora não é mais como o setor de grandes obras irá mudar, mas como nós, líderes da engenharia, estamos moldando esse novo ciclo de crescimento, eficiência e inovação. O cenário atual combina um avanço tecnológico acelerado com uma governança cada vez mais sólida, criando um ambiente de negócios confiável, onde a previsibilidade é a maior aliada.
Essa dinâmica de movimento e adaptação é reforçada por eventos globais que aquecem as cadeias produtivas e elevam o nível de competitividade, exigindo o melhor da nossa engenharia. No cenário nacional, a profissionalização contínua do setor tem incentivado um rigor técnico e uma clareza contratual que antes eram metas distantes e hoje são realidade.
Entendo que essa transformação passa, obrigatoriamente, pela consolidação da inteligência digital. Ferramentas como o BIM e o monitoramento orientado por dados deixaram de ser tendências para se tornarem o coração da nossa estratégia. Elas nos dão a capacidade de antecipar riscos e integrar informações entre o projeto e o canteiro de obras, com uma precisão que garante o máximo valor em cada entrega.
Essa evolução tecnológica caminha lado a lado com uma mudança profunda na cultura de mercado. Estamos superando o modelo baseado exclusivamente no “menor preço” para abraçar propostas que consideram o equilíbrio técnico e a matriz de risco de forma justa.
Quando o mercado compreende que o preço está associado à segurança e à qualidade, os projetos ganham estabilidade e entregam melhores resultados para toda a sociedade. Afinal, grandes obras de infraestrutura são organismos únicos; elas exigem uma engenharia aplicada de forma personalizada, que respeite as especificidades de cada terreno, clima e contexto urbano para alcançar a excelência.
Todos esses avanços convergem para o que temos de mais valioso: as pessoas. O crescimento expressivo que vimos recentemente, com o setor movimentando cerca de R$ 250 bilhões no Brasil apenas em 2025, evidenciou que o nosso maior patrimônio é a inteligência humana qualificada.
Ver bilhões de reais em obras de infraestrutura e saneamento é prova da vitalidade do nosso setor e da nossa capacidade de gerar oportunidades. Isso nos motiva a investir continuamente na formação de talentos que sustentem essa expansão.
Olhando para frente, o cenário de 2026 aponta para uma engenharia mais humana, integrada e orientada por decisões inteligentes.
Acredito que incorporar inovação e planejamento estruturado é o caminho para transformar a complexidade em progresso real. Com a certeza de que a engenharia brasileira está mais preparada do que nunca para entregar a infraestrutura que o futuro do nosso país exige.