Por Sarah Castro, diretora comercial do Cerus
Chuvas fortes, vendavais, granizo e alagamentos podem gerar uma conta alta para os condomínios. Telhados, fachadas, instalações elétricas e equipamentos estão sujeitos a danos que, em alguns casos, poderiam ser reduzidos com manutenção preventiva.
No Paraná, episódios recentes mostram esse risco. Em novembro de 2025, temporais registraram rajadas de vento de até 95 km/h e pedras de granizo com mais de 100 gramas em Jandaia do Sul.
Para o síndico, o primeiro passo é conhecer as condições do prédio. Telhado, drenagem, fachada, instalações elétricas e estruturas mais expostas precisam ser revisados periodicamente. Uma manutenção adiada pode ficar muito mais cara quando vira uma emergência.
Os painéis solares são um bom exemplo. Condomínios que instalaram ou pretendem instalar sistemas fotovoltaicos precisam avaliar a estrutura, a resistência dos equipamentos e a manutenção. Em regiões sujeitas a tempestades e granizo, a exposição das placas também deve entrar nessa conta.
Isso não significa desistir da energia solar. Significa avaliar o investimento por inteiro, inclusive o custo para protegê-lo e mantê-lo.
O caixa também faz parte da prevenção e uma obra programada permite pesquisar preços, negociar com fornecedores e definir como será paga. Em uma emergência, há menos tempo e menos opções.
Há ainda a situação financeira dos moradores. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC e da Fecomércio PR, 88% das famílias paranaenses tinham algum tipo de dívida em agosto de 2026, ante 85,7% no mesmo mês de 2025. A parcela com contas em atraso passou de 12,4% para 18,5%.
Os dados não tratam especificamente de taxas condominiais, mas ajudam a dimensionar a pressão sobre o orçamento das famílias. Uma obra inesperada pode exigir uma chamada extra justamente quando parte dos moradores já está com as contas comprometidas.
Por isso, manutenção e obras precisam entrar no planejamento financeiro do condomínio. Se o caixa não comporta uma intervenção necessária, é preciso avaliar as formas disponíveis para financiar a despesa e quanto cada alternativa vai representar no orçamento.
O trabalho do síndico também envolve decisões sobre contratos, obras, fornecedores, segurança e preservação do patrimônio. Ter informações sobre as condições do prédio e as contas do condomínio ajuda a definir o que pode esperar e o que precisa ser resolvido antes.
Os moradores devem conhecer essas decisões. Quando uma obra é necessária, cabe à administração apresentar o problema, os custos, as alternativas e as consequências de adiar o serviço.
Não podemos evitar uma chuva de granizo ou um vendaval. Podemos, porém, reduzir os prejuízos com manutenção em dia, planejamento e recursos previstos para as intervenções necessárias.