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Acordo com EU pode ser oportunidade histórica para a indústria do PR

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Foto: Sykono de Getty Images Signature/Canva

A conclusão definitiva das negociações do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, anunciada em dezembro no Uruguai, marca um novo patamar para o comércio exterior e promete trazer impactos significativos para a indústria paranaense.

A previsão é que o tratado seja assinado no segundo semestre de 2025, trazendo benefícios em setores estratégicos como agronegócio, energias renováveis, descarbonização e digitalização. 

Estudos do Governo Federal indicam que o acordo poderá aumentar o comércio do país em aproximadamente R$ 94 bilhões até 2044, além de atrair investimentos adicionais estimados em R$ 13 bilhões, representando um crescimento de 0,76% no período.

Espera-se também uma redução de 0,56% nos preços ao consumidor e um aumento de 0,42% nos salários reais.  

Para Augusto Michells, gerente regional da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Paraná (AHK Paraná), o tratado representa uma oportunidade para aprofundar laços comerciais entre os blocos e fomentar o desenvolvimento industrial do estado paranaense.

“O acordo abre caminhos para a internacionalização das empresas paranaenses, que passarão a contar com melhores condições de acesso ao mercado europeu. Isso significa mais competitividade, redução de barreiras tarifárias e aumento das exportações”.  

A União Europeia comprometeu-se a eliminar 100% de suas tarifas sobre produtos industriais em até 10 anos, com aproximadamente 80% das linhas tarifárias sendo liberalizadas imediatamente após a entrada em vigor do acordo.

Isso beneficiará diretamente setores como químicos, máquinas, equipamentos médicos e autopeças, nos quais o Paraná possui forte atuação.

Para o Mercosul, a liberalização será mais gradual, com prazos de até 30 anos para produtos sensíveis, garantindo tempo para que a indústria local se adapte à nova dinâmica comercial. 

O equilíbrio tarifário sobre produtos exportados e importados, abrangendo tanto bens agrícolas, como carne, açúcar e café, quanto industriais, como automóveis e maquinário, impulsiona a integração econômica entre os dois blocos e amplia as oportunidades de negócios para as empresas paranaenses.

“A indústria local terá a chance de se posicionar de maneira estratégica, aproveitando não apenas a isenção de tarifas, mas também a padronização de normas e certificações que facilitarão a exportação”, destaca o gerente regional da AHK Paraná. 

Outro fator determinante é a exigência de adequação às práticas sustentáveis. O Mercosul precisará atender a critérios mais rigorosos em relação ao uso de pesticidas e produtos geneticamente modificados, questão que gera resistência por parte de alguns países europeus, como França e Itália.

“A adoção de padrões mais elevados de sustentabilidade pode ser um desafio, mas também é uma grande oportunidade para o setor industrial paranaense se destacar na produção sustentável e agregar valor aos produtos”, avalia Michells

No que diz respeito à transição energética, o tratado reforça a relevância das energias renováveis, setor no qual o Paraná tem grande potencial.

“Considerando que a Alemanha busca alternativas para reduzir sua dependência de gás natural e já manifestou interesse na produção de hidrogênio renovável, “O nosso estado pode se tornar um dos protagonistas desse setor, investindo na pesquisa e produção de hidrogênio verde, o que pode gerar parcerias estratégicas com o país europeu”, pontua Michells

Além dos impactos diretos sobre a indústria e o agronegócio, o acordo também facilitará investimentos estrangeiros em serviços financeiros, telecomunicações e transporte, bem como abrirá espaço para a troca de mão de obra qualificada.

“A Alemanha enfrenta escassez de profissionais em diversas áreas, e o Brasil pode se beneficiar desse intercâmbio de trabalhadores capacitados. Isso abre uma nova perspectiva para profissionais paranaenses que buscam oportunidades no exterior”, acrescenta o gerente regional da AHK Paraná. 

“Para que o empresariado paranaense aproveite ao máximo os benefícios do acordo, é essencial investir na modernização da infraestrutura logística, educacional e urbana. O Paraná já tem avançado nessas áreas, e essa é uma oportunidade única para acelerar esse desenvolvimento”, finaliza Michells.  

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