Pesquisar

Política comercial: blindagem do lucro ou armadilha silenciosa?

política comercial economia pr
Foto: charliepix

Por Marcelo Caetano, sócio da VendaMais

A política comercial de uma empresa deveria ser o mapa que orienta vendedores, garante previsibilidade de resultados e protege a rentabilidade. Na prática, porém, muitas organizações convivem com regras frágeis ou inconsistentes que, em vez de impulsionar, minam o desempenho.

O que parece flexibilidade vira permissividade, e o que se chama de “agilidade” acaba sendo apenas improviso disfarçado. O resultado: margens corroídas, energia desperdiçada e clientes confusos diante de decisões pouco claras.

Os números reforçam a gravidade do problema. Estudos da PwC indicam que empresas brasileiras podem perder entre três e cinco pontos percentuais de margem líquida em razão de políticas comerciais mal estruturadas.

Já a EY mostra que líderes de vendas dedicam até 30% de seu tempo a renegociações e exceções, tempo que deveria ser investido em estratégia, capacitação da equipe e relacionamento com clientes-chave. Em vez de motor de crescimento, a liderança acaba funcionando como central de aprovações emergenciais.

As situações mais comuns são conhecidas: descontos sem critério que destroem a rentabilidade, prazos de pagamento longos que sufocam o fluxo de caixa, portfólios mal trabalhados com foco apenas nos itens mais fáceis de vender e excesso de decisões concentradas no diretor, que perde energia “apagando incêndios”.

Quando a política comercial não oferece clareza, o vendedor se sente inseguro, o cliente percebe inconsistência e a confiança em toda a cadeia se fragiliza.

Há quem argumente que flexibilizar regras comerciais é necessário para manter competitividade. De fato, mercados dinâmicos exigem adaptação rápida. Mas flexibilidade não é sinônimo de ausência de critérios.

A diferença está em estabelecer limites claros que permitam ao vendedor negociar dentro de faixas previamente definidas, garantindo previsibilidade e evitando a dependência de decisões individuais a cada operação. Sem isso, o que se ganha em velocidade perde-se em sustentabilidade de resultados.

A experiência de empresas que revisaram suas políticas mostra um caminho possível. Ao alinhar alçadas de desconto, definir faixas de precificação e priorizar clientes estratégicos, líderes relatam ganhos concretos: redução de até 30% no tempo gasto em renegociações internas, previsibilidade maior de margem e foco ampliado no retorno da carteira de clientes.

Ou seja, políticas comerciais bem desenhadas não engessam, ao contrário, libertam o time para atuar de forma mais estratégica.

No fim, a questão central não é apenas se a política comercial gera lucro imediato, mas se ela sustenta o resultado ao longo do tempo. Em um cenário de margens apertadas e alta competitividade, operar sem clareza e disciplina equivale a navegar sem bússola.

A pergunta que todo executivo deveria se fazer é simples, mas decisiva: a política comercial da empresa está protegendo o lucro, ou matando silenciosamente o resultado?

Compartilhe

Leia também

Declaração de Igualdade Salarial Economia PR

Prazo para Declaração de Igualdade Salarial termina neste mês

Boticário startups aceleração Economia PR

Grupo Boticário reforça conexão com startups em nova aceleração

Londrina Direito Tributário Economia PR

Escritório de Londrina consolida atuação nacional em Direito Tributário