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Como evitar a Black Fraude na hora do consumo e das vendas

Black Fraude Economia PR
Foto: Raphael Bernadelli

O entusiasmo pela Black Friday 2025 está em alta, mas o alerta também. De acordo com pesquisa da Opinion Box, 61% dos brasileiros afirmam que pretendem aproveitar as promoções deste ano, número superior ao registrado em 2024.

Outro levantamento da Gente Globo mostra que 43% dos consumidores já planejam compras na data, principalmente nos segmentos de eletrônicos, moda e eletrodomésticos. Apesar disso, a desconfiança persiste, já que o histórico de falsos descontos e golpes online mantém aceso o debate sobre a chamada “Black Fraude”: práticas enganosas que iludem o consumidor e comprometem a reputação das empresas.

O especialista em marketing e estratégia de negócios Frederico Burlamaqui destaca que o comportamento do público está mais maduro, mas também mais exigente.

“O consumidor aprendeu que o preço não é tudo, hoje ele busca credibilidade. Uma promoção só é boa quando entrega o que promete. A diferença entre vender muito e perder a reputação está em uma vírgula de transparência”, afirma.

O perigo dos descontos de mentira

Entre as práticas mais recorrentes está o falso desconto, quando o preço do produto é inflado semanas antes do evento apenas para simular uma grande queda no dia da Black Friday. Essa estratégia, além de antiética, é facilmente detectável com o monitoramento de preços.

“As táticas de manipulação evoluíram e os golpes de 2025 são mais sofisticados. Sites falsos, influenciadores falsos e anúncios pagos que imitam grandes varejistas estão cada vez mais difíceis de identificar. O consumidor precisa estar atento e checar tudo duas vezes antes de clicar”, afirma Burlamaqui.

Pesquisas recentes confirmam o cenário de cautela. Segundo levantamento da Wake, 43,5% dos consumidores afirmam não acreditar que as promoções da Black Friday sejam realmente novas, e consideram que muitas ofertas são “as mesmas de meses anteriores”.

O dado reforça o ceticismo crescente e o peso da credibilidade como fator de decisão. Já um estudo do Reclame Aqui aponta que reputação e segurança estão entre os principais critérios de escolha dos consumidores neste ano, sendo que 34% dizem priorizar marcas confiáveis e 33% valorizam garantias contra golpes virtuais.

O excesso de estímulos, como notificações, cronômetros e descontos relâmpago, também pode induzir decisões impulsivas e arrependimentos. Burlamaqui alerta que esse tipo de estratégia, quando usada de forma enganosa, compromete o vínculo com o público.

“A urgência é uma ferramenta legítima do marketing, mas quando usada de forma artificial, ela destrói a confiança. Marcas que criam escassez falsa estão cavando um buraco na própria reputação. Vender menos, mas com ética, é o que garante longevidade”, ressalta.

Transparência como estratégia de marca

Para as empresas, o planejamento é a principal linha de defesa contra a perda de credibilidade, sendo que a preparação deve começar meses antes da campanha, com análises de estoque, margem e logística.

“A Black Friday não é um dia, é uma operação. Uma falha de comunicação ou entrega em novembro pode comprometer o Natal e o ano seguinte. Ética e clareza precisam ser tratadas como parte do negócio, não como slogans de ocasião”, destaca.

Outro ponto sensível é o atendimento pós-venda, já que entregas atrasadas e devoluções complicadas são algumas das principais causas de frustração, e o pós-compra é cada vez mais determinante na imagem da marca.

“Não adianta investir em mídia se o cliente se sente enganado depois. A Black Friday é uma vitrine da cultura da empresa. Quem é transparente no pico de vendas é confiável o ano inteiro”, afirma Burlamaqui.

Os dados também reforçam que a experiência e a reputação estão superando o preço como fator de escolha. Levantamento da Hibou mostra que 37% dos consumidores não dão segunda chance a uma marca após um mau atendimento, e 49% desistem após duas ou três falhas.

Já pesquisa da Neogrid/Opinion Box revela que 76% dos brasileiros priorizam qualidade na decisão de compra, frente a 43% que citam preço como principal motivador.

“Estamos num momento em que reputação vale mais que desconto. A Black Friday pode ser um divisor de águas entre quem faz marketing e quem faz relacionamento. O público já aprendeu a distinguir uma boa oferta de uma boa história mal contada, e é essa consciência que vai definir o futuro das marcas”, analisa.

Dicas para escapar da Black Fraude

Para consumidores

  • Acompanhe o histórico de preços dos produtos desejados antes da Black Friday.
  • Desconfie de descontos muito altos e sites pouco conhecidos.
  • Evite clicar em links enviados por redes sociais ou mensagens.
  • Prefira lojas com boa reputação e pagamento protegido.
  • Leia as condições de entrega, troca e devolução antes de finalizar a compra.

Para empresas

  • Ofereça descontos reais, com base em preços comprovadamente anteriores.
  • Evite gatilhos de urgência enganosos e comunicações ambíguas.
  • Planeje estoque e logística antes de anunciar ofertas.
  • Estruture o pós-venda e o atendimento com eficiência.
  • Priorize a transparência: credibilidade é o ativo mais valioso.

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