Por Jony Silva, Sócio da Safegold
Aos 17 anos, iniciei minha trajetória profissional na gestão empresarial, sempre orientada por dados. Embora tenha começado na área de tecnologia, desde cedo compreendi que sistemas, processos administrativos e informação estruturada caminham juntos.
A intuição tem seu valor, claro, mas gestão sem dados não é gestão: é sorte. E negócios não sobrevivem à base de sorte.
Com o tempo, mergulhei no universo do Business Intelligence e desenvolvi projetos em diferentes empresas, ainda jovem e dividido entre a rotina de uma rede de supermercados e meu próprio negócio na área de tecnologia.
O foco sempre foi o mesmo: criar indicadores que realmente importam. Há oito anos, juntei-me à Safegold, consultoria da qual sou sócio, onde mantemos um princípio simples: quem entende de negócios é o empresário.
Por isso, construímos soluções do jeito de cada cliente — mas com a estratégia certa.
Ao longo desses anos, mais de cem projetos estratégicos me ensinaram que o maior desafio do empreendedor brasileiro é manter o foco. Em um ambiente repleto de burocracia, alta carga tributária e incêndios diários para apagar, perde-se facilmente a atenção do que realmente move as metas.
E quando tudo parece urgente, nada é prioritário. É nesse ponto que os dados atuam como bússola, destacando as frentes que merecem cuidado imediato.
Entre elas, uma é inegociável: o caixa. Não existe negócio em pé sem caixa saudável. A operação pode ser rentável, o faturamento pode crescer, mas se o ciclo financeiro não acompanha o ritmo da expansão, a tesoura se fecha, despesas sobem mais rápido que receitas, e a empresa perde fôlego.
Muitos acreditam que um “caminhão de dinheiro” resolveria tudo, mas falta de caixa é consequência, não causa. Ela revela falhas de preço, estratégia, processos ou governança.
Outro pilar inadiável é a rentabilidade. Observar apenas o faturamento é cair em um atalho perigoso. Empresas precisam saber a margem de cada canal, produto, filial ou serviço, e isso vale até para grandes companhias. Há negócios lucrando menos do que imaginam e outros perdendo dinheiro sem perceber. Ter dados e não usá-los também é uma forma de desperdício.
Cuidar do caixa, porém, não significa cortar investimentos. Significa investir certo: na hora adequada, com as pessoas certas e com clareza sobre o retorno.
Decisões lentas custam caro. Decisões cegas custam ainda mais.
Por isso, é fundamental analisar dados por múltiplas dimensões, na prática do BI, falamos em visões e cubos. Ao lançar um produto, abrir mercado ou estruturar o backoffice, é imprescindível observar potencial de vendas, capacidade de entrega e histórico.
Para isso, rituais de gestão são essenciais.
Eles organizam a rotina e garantem disciplina: reuniões operacionais semanais, táticas quinzenais, estratégicas mensais e revisões trimestrais. Empresários não devem participar de todas, e quando participam demais, perdem autoridade e foco. Esses encontros existem para gerar ações e registrar decisões. Sem ritos, a gestão vira improviso e passa a depender da sorte.
A cultura de dados começa pelo básico. Muitas empresas dizem “nunca medi nada, e agora?”.
Comece pelo simples.
Medir tudo de uma vez gera ruído. Identifique poucos indicadores essenciais e evolua com naturalidade. Quando o nível de maturidade aumenta, entram métricas mais densas: custo comercial, custo de pós-venda, CAC, concentração de clientes, NPS, EBITDA, fluxo de caixa descontado, e assim por diante. Não há fórmula única: cada empresa tem seu conjunto ideal.
As ferramentas importam, mas não são protagonistas. Ótimos resultados podem nascer de BI avançado, mas também de planilhas bem estruturadas.
O importante é não dirigir no escuro. Gestão à vista, aquela que estampa indicadores nos corredores e telas, cria transparência, engaja equipes e transforma colaboradores em agentes do resultado. Empresas que crescem rápido no mundo inteiro adotam esse modelo.
Com maturidade crescente, abre-se espaço para medições mais sofisticadas, como o grau de contribuição de cada colaborador. Esse tipo de indicador só faz sentido quando a empresa já domina o básico, mas transforma a qualidade das decisões em conselhos e boards.
Em organizações mais estruturadas ou iniciantes, governança não é luxo: é proteção, continuidade e eficiência.
O que vemos com frequência são negócios com múltiplos sistemas que não se conversam: ERPs robustos, CRMs modernos, softwares paralelos e milhares de planilhas. Nada alinhado, nada conciliado.
O primeiro passo, então, é um diagnóstico, uma fotografia do momento atual. Assim como na aviação, não se tira um avião do chão sem plano de voo. Nas empresas, isso se chama planejamento estratégico. Saber onde se quer chegar é tão importante quanto saber de onde se está partindo.
E aqui entra outro princípio: protocolos existem para garantir segurança. Ignorá-los custa caro. A empresa precisa saber quais dados são vitais, quais alarmes devem soar e quando desviar rota.
O BI faz exatamente isso: não toma a decisão, mas mostra o que precisa ser observado. O simples, repetido com consistência, resolve mais do que soluções milagrosas.
Consultorias, como a nossa, reforçam boas práticas baseadas em comparações reais entre empresas semelhantes. Os erros, acertos e padrões se repetem, e soluções que funcionam em um contexto tendem a trazer bons resultados em outro. Esse know-how acelera processos, evita crises e devolve ao empresário o foco no que ele faz melhor.
Por fim, nenhuma empresa cresce de forma sustentável sem cultura, processos, métodos e ritos. Dados são essenciais, mas não bastam. É preciso saber usá-los. E se falta tempo, método ou bagagem, trazer ajuda externa é uma decisão madura, não um sinal de fraqueza.
Afinal, o empresário brasileiro já carrega uma carga suficiente. Deixe que especialistas complementem as competências necessárias para acelerar o caminho rumo à eficiência.