Economia PR - 61,4% dos profissionais jurídicos veem processos manuais como entrave

61,4% dos profissionais jurídicos veem processos manuais como entrave

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Foto: Divulgação

Processos manuais e falta de padronização são o principal obstáculo à eficiência no setor jurídico brasileiro, apontados por 61,4% dos profissionais ouvidos pelo Panorama de Tendências para o Setor Jurídico 2026, lançado nesta quinta-feira, 22, pela Preâmbulo Tech.

O dado supera até mesmo custos (47,7%) e resistência cultural (45,5%) como barreiras à transformação. Enquanto 82% dos escritórios no mundo já usam inteligência artificial (segundo o Liquid Legal Institute) o setor ainda perde tempo com rotinas básicas que poderiam ser automatizadas.

O levantamento ouviu mais de 40 escritórios de advocacia e departamentos jurídicos brasileiros e analisou relatórios internacionais sobre adoção de tecnologia no setor.

O uso de IA no Direito dobrou em apenas dois anos. No entanto, 61,4% dos profissionais apontam processos manuais e falta de padronização como o principal entrave à transformação digital, superando até mesmo custos, citados por 47,7%, e resistência cultural, mencionada por 45,5%.

“A evolução no Direito não é tecnológica, é sobre como usamos a tecnologia ao nosso favor, então o que vemos hoje não é mais experimentação. É consolidação”,  afirma Kazan Costa, CEO da Preâmbulo Tech.

Gargalo está no atendimento inicial ao cliente

O problema se concentra em uma etapa específica. Em grande parte dos escritórios, o atendimento ao cliente ainda segue um ritual ineficiente.

O cliente envia dados por WhatsApp ou email, a equipe realiza cadastro manual no sistema e só então gera contratos e procurações. O processo consome horas e está sujeito a erros.

Cultura pesa mais que tecnologia

A pesquisa revela outro dado contraintuitivo. Estudos internacionais indicam que cerca de 80% do sucesso de iniciativas de inovação está relacionado a pessoas, cultura e gestão da mudança. Apenas 20% dizem respeito à tecnologia em si.

“Sem gestão da mudança, capacitação contínua e liderança engajada, nenhuma ferramenta gera impacto real, a tecnologia pode acelerar processos, mas não altera comportamentos sozinha.”, detalha Costa.

A pesquisa interna com clientes mostra que 56,8% têm alta ou muito alta confiança no uso de IA, enquanto 36,4% mantêm confiança moderada.

Atualmente, a maior concentração de uso está na elaboração de peças processuais, mencionada por 65,9% dos participantes, seguida por revisão de documentos com 59,1%. Já a análise preditiva e insights estratégicos são utilizados por apenas 2,3% dos escritórios.

Economia de 12 horas semanais até 2029

A Thomson Reuters estima que o uso consistente de IA pode gerar economia de até 12 horas semanais por profissional jurídico até 2029. Para Costa, o impacto vai além da redução de custos.

“À medida que tarefas operacionais deixam de consumir a jornada, abre-se espaço para modelos de honorários baseados em valor e previsibilidade, em detrimento da lógica estrita de horas faturáveis.”, explica.

Responsabilidade permanece com o advogado

Apesar do otimismo, a pesquisa dedica atenção especial às limitações da tecnologia. Os modelos de IA podem gerar informações incorretas ou inventar citações, fenômeno conhecido como alucinação.

“A inteligência artificial não substitui o advogado. Ela amplia a capacidade de análise, mas o julgamento e a responsabilidade continuam sendo humanos. Do ponto de vista legal e ético, a responsabilidade profissional permanece integralmente com o advogado”, afirma o CEO da Preâmbulo.

IA generativa lidera tendências para 2026

Para o próximo ano, com base na pesquisa interna com clientes, o Panorama identificou as tendências com maior percepção de impacto no setor. A IA generativa especializada lidera com 63,6%, seguida por automação avançada de documentos (59,1%) e assistentes jurídicos virtuais (56,8%).

A Preâmbulo Tech, empresa com 37 anos de mercado, presença em cinco capitais e respaldo de fundo de venture capital, estruturou sua atuação em três frentes integradas. O Preâmbulo Bank permite operações financeiras diretamente no ambiente de gestão, a aplicação de IA automatiza rotinas do cotidiano e a integração de soluções cria um ecossistema conectado.

“Ferramentas isoladas perdem espaço para ecossistemas orientados por dados e desenhados para apoiar decisões, a pergunta deixou de ser se adotar tecnologia. Agora é como adotar, com estratégia e foco no resultado.”, completa Costa. Ainda de acordo com o CEO,

“O advogado de 2026 não aposta, ele decide com dados”.

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