Economia PR - Mulheres são 34% dos empreendedores, mas só 18% nas startups do Sebrae

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Mulheres são 34% dos empreendedores, mas só 18% nas startups do Sebrae

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Foto: Start Growth/Divulgação

O Brasil tem 10,4 milhões de mulheres donas de negócios, o equivalente a 34% dos empreendedores do país, segundo levantamento do Sebrae de 2026. Nas startups, porém, elas integram o quadro societário de apenas 18% das empresas cadastradas na plataforma Sebrae Startups.

No Dia Nacional da Inovação, celebrado em 19 de outubro, empreendedoras e executivas do setor de tecnologia apontam desafios para ampliar a presença feminina, principalmente no acesso a investimentos e a cargos de liderança.

Por que há menos mulheres em startups

Para Marilucia Pertile, CEO e cofundadora da Start Growth, aceleradora e investidora com sede em Curitiba, a desigualdade começa antes da busca por investidores.

“A diferença nasce antes do pitch. Empreender e fundar uma startup são jornadas diferentes: o modelo de venture capital exige rede, acesso a capital de risco e apetite para risco alto, e esses três ativos estão distribuídos de forma desigual”, afirma Marilucia Pertile.

A participação feminina também é reduzida nas decisões sobre investimentos. Segundo a Carta das Mulheres na VC, do Insper, apenas 8% dos decisores em fundos de investimento no Brasil são mulheres.

Marilucia defende maior presença feminina nesses espaços e mais referências de empreendedoras que conseguiram expandir seus negócios.

“Quando a mulher não vê outras fundadoras de SaaS crescendo e chegando a uma saída, ela tem mais dificuldade de enxergar o caminho. Nas mulheres que se destacam, vejo domínio dos próprios números, disposição para testar e ajustar rápido, abertura a feedback e clareza para pedir capital com base em evidência”, afirma Marilucia Pertile.

Para conquistar investidores, a CEO destaca a importância de demonstrar resultados, validar produtos e conquistar clientes. Sua experiência na gestão de startups também reforçou a convicção de que resultados são decisivos para conquistar reconhecimento.

“Em mercado predominantemente masculino, número em dia e entrega consistente são o argumento que não depende de opinião”, afirma Marilucia Pertile.

Liderança além dos cargos

Lívia Alves, sócia e diretora de Receita (CRO) da Driva, empresa de inteligência de mercado com sede em Curitiba, começou a carreira como operadora de telemarketing. Aos 19 anos, assumiu a primeira posição de liderança. Ao longo de 18 anos, chegou à direção executiva e à sociedade em uma empresa de tecnologia.

“Era o primeiro passo, mas eu sabia muito bem onde queria chegar. Queria ocupar um cargo de direção. Sabia que a jornada não seria simples e que não aconteceria da noite para o dia”, relata Lívia Alves.

O avanço profissional contrasta com a baixa presença feminina no comando das grandes empresas. Segundo o estudo Women at the Top 2026, do Evermonte Institute, mulheres ocupam cerca de 5% das posições de CEO nas maiores companhias brasileiras.

Para Lívia, conquistar um cargo não significa necessariamente ter poder de decisão.

“Não basta assumir essa cadeira. É preciso ter autonomia para executar o trabalho. Não pode ser apenas porque é mulher e chegou lá, mas alguém continua mandando. Esse espaço precisa ser concedido e respeitado”, afirma Lívia Alves.

A executiva também incentiva mulheres a buscar oportunidades mesmo quando não atendem a todas as exigências.

“Não desista no primeiro não ou quando perceberem que não preenchem 100% dos requisitos de uma vaga. É preciso olhar para o potencial de entrega, para o que podem agregar à empresa, e não desistir antes da largada”, afirma Lívia Alves.

Tecnologia como oportunidade

Em Minas Gerais, Viviane Pimenta, cofundadora e CEO da LogSchool, em Sete Lagoas, transformou sua experiência na logística, setor historicamente masculino, em um negócio de tecnologia. Após atuar em grandes empresas, incluindo a Ambev, e empreender em consultoria e treinamento, ela precisou reinventar a trajetória durante a maternidade.

“Em 2016, engravidei e precisei reduzir minhas viagens. Foi quando comecei a estudar para entender para onde caminhava a educação corporativa. Percebi que a tecnologia estava transformando esse mercado e decidi fazer a transição da consultoria tradicional para uma startup”, conta Viviane Pimenta.

Dessa mudança nasceu a LogSchool, startup de capacitação profissional que participou integralmente do programa de aceleração da Start Growth. Ao ingressar no mercado de tecnologia, Viviane encontrou outro ambiente de predominância masculina.

Para ampliar as oportunidades, ela defende maior acesso à formação, às redes de relacionamento e aos investidores.

“É preciso incentivar as mulheres a estarem mais próximas da tecnologia e desse mercado novo, com capacitação, bate-papo e networking. Os grupos de investimento também precisam continuar valorizando a importância da liderança feminina”, afirma Viviane Pimenta.

A CEO diz colocar a proposta em prática por meio de iniciativas de capacitação de mulheres em logística e tecnologia, voltadas à qualificação e à empregabilidade. Ela também acredita que a popularização da IA poderá facilitar o ingresso feminino no empreendedorismo tecnológico.

“A Inteligência Artificial deve contribuir para aumentar o percentual de mulheres à frente de startups, justamente pela massificação e popularização dessa tecnologia”, afirma Viviane Pimenta.

Cinco caminhos para mulheres no mercado de inovação

  1. Domine os números do negócio: conheça receitas, custos e indicadores. Resultados consistentes fortalecem a credibilidade e a negociação com investidores.
  2. Amplie sua rede de conexões: aproxime-se de investidores, mentores e aceleradoras. Relacionamentos estratégicos abrem portas para capital e oportunidades.
  3. Busque liderança com autonomia: conquistar um cargo é apenas o começo. Tenha voz nas decisões e participe da definição das estratégias.
  4. Não espere preencher todos os requisitos: candidate-se a oportunidades, valorize suas competências e demonstre capacidade de aprendizado. Não desista diante da primeira rejeição.
  5. Invista em tecnologia e qualificação: explore a inteligência artificial, desenvolva novas habilidades e transforme conhecimento em soluções e negócios.

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