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2026: O ano em que o mercado imobiliário separará o joio do trigo

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Foto: Vinícius Vieira / de Pexels

2026 não será um ano comum do ponto de vista econômico. Copa do Mundo, eleição presidencial, expectativa em torno da taxa de juros e o início da transição da reforma tributária criam um ambiente ruidoso, em que decisões tendem a ser tomadas mais por emoção do que por critério.

Em cenários assim, o mercado imobiliário costuma funcionar como um filtro silencioso, antecipando movimentos que só mais tarde aparecem nos indicadores tradicionais da economia.

Por envolver decisões de longo prazo, crédito, carga fiscal e percepção de risco, o imobiliário reage antes do consumo e do emprego. E alguns sinais já começam a se tornar visíveis quando se observa o mercado com menos manchete e mais leitura estrutural.

Grande parte do debate sobre 2026 gira em torno da Selic.

Embora exista a expectativa de queda, projeções ainda indicam uma taxa em torno de 12,25% ao fim do ano, um patamar historicamente elevado. Isso ajuda a explicar por que a melhora no crédito tende a ser gradual e seletiva, não automática.

Taxa de juros melhora condição, não corrige decisão malfeita.

Outro sinal relevante está no comportamento do financiamento. Projeções indicam crescimento próximo de 25% no consórcio imobiliário em 2026, impulsionado por um cenário de crédito mais restrito e custo financeiro ainda elevado.

Na prática, isso revela um mercado mais cauteloso, que alonga decisões e busca alternativas menos dependentes do financiamento tradicional.

Esse contexto se traduz em maior seletividade. O mercado passa a tolerar menos improviso, tanto na precificação quanto na organização fiscal e documental das operações. Imóveis bem localizados, com preço coerente e estrutura regular seguem encontrando liquidez.

Já aqueles que dependem de informalidade, subavaliação, regularização de documentação ou narrativa excessivamente otimista enfrentam mais resistência.

Esse ajuste não acontece de forma abrupta. Ele aparece em financiamentos mais criteriosos, operações que demoram mais para fechar e compradores mais atentos ao custo total da decisão, não apenas ao valor do imóvel.

O mercado não “pune” de forma espetacular, ele simplesmente deixa de girar para quem não se adapta ao novo nível de critério.

No Paraná, e especialmente em Curitiba, esse movimento é ainda mais perceptível. Trata-se de um mercado historicamente racional, em que renda, crédito, carga tributária e liquidez futura costumam pesar mais do que expectativa. A liquidez se concentra onde há lógica econômica e alinhamento com a realidade.

O que 2026 sinaliza, portanto, não é euforia nem retração generalizada, mas um ambiente de maior filtro. Em anos ruidosos, os melhores negócios raramente acontecem no centro da distração.

Eles surgem para quem consegue separar condição de decisão e entender que, no mercado imobiliário, o que não está bem resolvido hoje costuma cobrar seu preço amanhã.

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Ricardo Maciel é analista do mercado imobiliário, com atuação focada em Curitiba e no Paraná. À frente da Exon Inteligência Imobiliária, desenvolve análises sobre ciclos, risco, precificação e comportamento de mercado. É também criador do imovelcwbpodcast, onde assina leituras sobre mercado imobiliário, conectando dados, dinâmica econômica e tomada de decisão.

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