Por Giuliano Pilagallo, fundador do SmartMoov
Nasci em Curitiba e cresci observando o mundo em movimento. Antes mesmo de pensar em empreender, eu já precisava entender como as coisas funcionavam. Ainda criança, desmontava carburadores de moto não por curiosidade passageira, mas por uma inquietação constante: melhorar, ajustar, refazer. Aquilo não era hobby — era mentalidade.
Os motores me levaram naturalmente às pistas. No kart, ainda jovem, me tornei campeão paranaense e competi com pilotos que depois ganhariam destaque nacional. Foi ali que aprendi uma das lições mais importantes da minha vida: velocidade não é só acelerar. É saber ler o cenário, respeitar limites e tomar decisões rápidas quando tudo muda.
O automobilismo me ensinou resiliência. Nem sempre o carro é o melhor, o clima muda, o equipamento falha — e mesmo assim você precisa seguir. Empreender, no fim das contas, não é muito diferente disso.
Quando os patrocínios começaram a rarear, voltei para um lugar onde sempre me senti em casa: as garagens. Passei a restaurar carros de luxo, transformando veículos danificados em projetos únicos. Ferraris, Porsches e BMWs deixaram de ser apenas máquinas recuperadas e passaram a representar algo maior: visão, precisão e capacidade de reinvenção.
Essa experiência se expandiu para barcos, projetos arquitetônicos e, mais tarde, para a criação de um espaço de eventos na Ópera de Arame — um dos pontos mais simbólicos de Curitiba. Foi ali, observando o fluxo intenso de pessoas que passavam pelo local sem acessar o restaurante, que uma pergunta simples mudou tudo.
Se as pessoas não vêm até o negócio, por que o negócio não pode ir até elas?
Dessa observação nasceu o conceito que, anos depois, daria origem ao SmartMoov. Não como um plano fechado, mas como consequência natural de uma trajetória construída a partir do movimento, do comportamento e da leitura do espaço urbano.
Fundamos a empresa oficialmente em 2019, com a proposta de criar estruturas móveis, autossuficientes e inteligentes, capazes de operar onde antes não era possível. Durante a pandemia, mantive o projeto com recursos próprios, sustentado pela convicção de que aquele modelo faria ainda mais sentido em um mundo em transformação.
Ao longo desse processo, a entrada de um sócio técnico foi fundamental para transformar visão em engenharia e estrutura, consolidando um negócio hoje aplicado em diferentes segmentos — de alimentação e varejo a serviços e eventos.
Mais do que números, o que sempre me moveu foi a mudança de lógica. Negócio, para mim, é leitura de terreno. É entender onde faz sentido estar, quando avançar e quando frear.
Paralelamente ao empreendedorismo, sigo ligado às pistas. Estou me preparando para disputar a Porsche Cup em 2026, levando para o automobilismo o mesmo DNA de performance que guia minhas decisões nos negócios.
No fim, percebo que minha história se confunde com a lógica da cidade onde nasci. Curitiba me ensinou a observar, testar e ajustar. A velocidade sempre esteve em mim — só mudou o tipo de motor.