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Empreendedores recorrem a formação prática para reduzir falhas

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Foto: Divulgação

A Start Growth inicia, a partir de 26 de janeiro, a divulgação de três aulas gratuitas voltadas a empreendedores de startups SaaS B2B em fase inicial. As sprints acontecem nos dias 3, 4 e 5 de fevereiro e abordam temas ligados à estruturação de vendas, organização de métricas, liderança de equipes e integração entre produto, tecnologia e modelo de negócios.

A iniciativa ocorre em um momento de maior seletividade do capital e pressão por eficiência no ecossistema de startups. Dados do Sebrae indicam que 29% das empresas brasileiras encerram as atividades antes de completar cinco anos.

No recorte das startups, levantamentos da CB Insights mostram que 38% fecham por falhas de gestão financeira e 35% por falta de demanda real, problemas concentrados principalmente nas fases iniciais do negócio.

Com ciclos de investimento mais longos e maior exigência por previsibilidade, fundadores de startups SaaS têm buscado formação prática como forma de reduzir falhas de execução antes da escala.

A dificuldade deixou de estar apenas no desenvolvimento do produto e passou a se concentrar na execução: estruturação de vendas, controle de caixa, organização de métricas e liderança de equipes enxutas em um ambiente regulatório mais complexo, que inclui os impactos iniciais da reforma tributária.

A pressão por resultados também se reflete no relacionamento com investidores. Estudo da Harvard Business Review aponta que menos de 10% dos pitches apresentados conseguem gerar interesse relevante no primeiro contato.

A principal razão está na ausência de clareza sobre modelo de negócios, custos, tração e estratégia comercial, fatores que ganharam peso em rodadas seed e pre-seed diante da retração global de capital.

Outro ponto sensível é a estruturação da máquina de vendas. Com o fim do ciclo de crescimento a qualquer custo, métricas como CAC, LTV e previsibilidade de receita passaram a ser determinantes na avaliação de startups.

Ainda assim, é comum que founders acumulem a função comercial sem processos definidos, funil estruturado ou acompanhamento consistente dos dados, o que compromete a capacidade de escala.

A gestão de pessoas também se antecipa como desafio relevante. Startups disputam profissionais qualificados em tecnologia e produto, operam com equipes reduzidas e alta pressão por entrega, exigindo organização mínima de papéis, indicadores e processos desde os primeiros meses de operação.

Segundo Marilucia Silva Pertile, cofundadora da Start Growth e mentora de startups, grande parte dos problemas surge antes da escala.

“O erro mais comum é tentar crescer sem base. Sem método, o negócio perde controle financeiro, não constrói previsibilidade e acaba ficando fora do radar de investimento”, afirma.

As aulas gratuitas não envolvem oferta comercial durante o ciclo inicial e têm como objetivo discutir, de forma aplicada, os principais gargalos do early stage, etapa em que decisões mal estruturadas tendem a comprometer o crescimento futuro do negócio.

O movimento sinaliza uma inflexão no comportamento do ecossistema. Com capital mais restrito, ciclos de investimento mais longos e maior cobrança por previsibilidade, a formação prática passa a ocupar um papel estrutural no early stage, funcionando como mecanismo de redução de risco antes da escala.

Nesse ambiente, a capacidade do fundador de estruturar vendas, organizar métricas e tomar decisões com base em dados tende a se tornar tão relevante quanto a própria inovação do produto.

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